Políticos goianos usam verba parlamentar em “voos piratas”, denuncia site

À frente da empresa está a família do ex-deputado federal Pedro Abrão Júnior. Já os clientes – políticos – que se utilizam do serviço, pagam com dinheiro público

A senadora Lúcia Vânia (PSB), além de fazer parte da família, é cliente do serviço de voos irregulares | Foto: Divulgação/Instagram

Aviões “piratas” existem e pessoas com alto poder aquisitivo costumam burlar a lei para lucrar construindo empresas onde aeronaves em situação irregular possam voar transportando pessoas. É o que faz a Globo Aviação, das irmãs Ana Flávia Azeredo Coutinho Abrão Siqueira e Alessandra Azeredo Coutinho Abrão, filhas do ex-deputado federal Pedro Abrão Júnior e primas da senadora Lúcia Vânia (PSB). As informações são do site The Intercept Brasil, uma vertente do First Look Media, organização de notícias criada e financiada por Pierre Omidyar, fundador da eBay.

A empresa, segundo a publicação, funciona cobrando valores de voos mais baratos do que os cobrados por empresas de táxi aéreo ou linhas aéreas. Porém, as aeronaves – ilegais – não tem a liberação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e a empresa não poderia vender passagens aéreas.

De acordo com o The Intercept, a Globo Aviação não age como deveria perante a lei, principalmente quando se trata de fiscalizações nos equipamentos ou na situação dos pilotos.

Mesmo assim, a prima das proprietárias do negócio, a senadora Lúcia Vânia, teria contratado o serviço de táxi-aéreo da família diversas vezes no ano passado, pagando cerca de R$ 70 mil em voos, pagos com dinheiro público, de acordo com a sua prestação de contas. Outro cliente da Globo é o sobrinho Lúcia e de Pedro, o deputado federal Marcos Abrão. Ele teria utilizado os serviços e pagou cerca de R$8.800.

Além de Lúcia Vânia e o deputado Marcos, o pré-candidato ao governo de Goiás, Daniel Vilela, do MDB teria gastado com a Globo Aviação, apenas em agosto do ano passado, R$ 37.455 em voos piratas.

Segundo o The Intercept Brasil, em julho, Vilela pagou R$18.500 no trajeto Goiânia/Aruana/Novo Brasil/Santa Fé de Goiás/Santa Terezinha/Catalão/Goiânia. A aeronave usada não tinha autorização para fazer táxi aéreo, o bimotor estava sem permissão para voar devido a um acidente e a inspeção anual de manutenção era vencida.

Em resposta ao The Intercept Brasil, a Globo Aviação não comentou se de fato vende voos em aeronaves particulares como táxi-aéreo e disse que “desconhece o teor da matéria e de sua intenção”.

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Zé Geraldo

Então os usuários são culpados quando não há fiscalização pelos órgãos competentes – nesse caso, a ANAC? Os políticos não declararam os gastos citando a empresa? Omitiram algo? Ora, se os usuários procederam conforme a lei, quem erra (se a empresa está ilegal) é a fiscalização! E sobre isso, nenhuma linha…. Para com isso que está feio!