Treinamento é baseado no projeto TEAmamos, criado em 2018, com intuito de capacitar profissionais da segurança pública. A princípio, 500 integrantes do 16º CRPM participarão do curso

Polícia Militar | Foto: Divulgação / SSPAP

Criado em 2018 com o intuito de capacitar pais e, posteriormente, profissionais que atuam com autistas, o projeto TEAmamos produziu um vídeo sobre o transtorno que hoje atinge uma a cada 54 crianças de até 8 anos de idade. O material audiovisual contém explicações didáticas sobre o comportamento das pessoas que estão dentro do TEA e servirá como instrumento para treinamento de 500 integrantes do 16º Comando Regional da Polícia Militar (16º CRPM), cuja base está em Trindade e engloba mais 19 municípios.

O vídeo em questão contém menos de uma hora de duração e conta com explicações do neuropediatra e neurofisiologista, Hélio van der Linden Júnior, que atua no Centro de Reabilitação Dr. Henrique Santillo (Crer) e no Instituto de Neurologia de Goiânia. Durante as explanações, o profissional detalha as principais características das pessoas com autismo; os níveis do transtorno, que variam de leve a muito grave; e também, as duas principais situações que envolvam autistas e que, normalmente, a PM pode se deparar.

A primeira delas reflete o que ocorreu em Salt Lake City, em setembro passado. O caso envolve um adolescente de 13 anos em surto e agressivo. A família já não sabia como contê-lo quando pediu ajuda à polícia. O jovem, que acabou não atendendo ao comando dos policiais, correu e a acabou baleado. O adolescente em questão não estava drogado ou ameaçando alguém. O menino, na verdade, estava dentro do transtorno do espectro autista (TEA) e enfrentava uma crise de ansiedade.

Um autista muito grave, por vários fatores, pode desencadear uma crise de ansiedade séria. Isso, muitas vezes, leva à agressividade e é natural que as famílias precisem solicitar ajuda policial. Nesse caso, é importante que a comunicação, desde o contato com a atendente do 190, seja assertiva e clara, com informações sobre a condição neurológica da pessoa.

“A abordagem deve ser o mais tranquila possível, com tom de voz baixo; avisando, com antecedência, o que se vai fazer, e sem barulhos repentinos. A própria sirene pode perturbar o estado do autista”, explica Hélio van der Linden.

No caso de autistas leves, que têm certa independência de vida e estejam na rua, é necessário saber diferenciar o comportamento de uma pessoa suspeita de ilícitos daquela que tem a síndrome, já que alguns comportamentos podem ser semelhantes, como evitar o contato olho no olho e não obedecer às ordens.

“É possível procurar algum cartão de identificação de autista e fazer perguntas simples, diretas, como ‘qual é o seu nome?’, ‘qual o nome do seu pai ou mãe?’, ‘você consegue me mostrar o número do seu telefone?’”, exemplifica o neuropediatra, ao acrescentar que o mesmo procedimento pode ser usado para aqueles que têm deficiência intelectual, doenças psiquiátricas ou surtos psicóticos.

Parceria

O projeto “Cuidados na Abordagem das Forças de Segurança em ocorrências envolvendo autistas” foi possível graças ao apoio da Associação dos Oficiais da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (Assof), do 16º CRPM de Trindade e do Instituto Total.

Na abertura da palestra digital, o presidente da Assof, coronel Anésio Júnior, destaca que a PM e os Bombeiros de Goiás têm investido, constantemente, na sistematização e padronização dos procedimentos operacionais, “buscando a melhoria contínua dos serviços prestados e a otimização do atendimento ao cidadão”. Ele continua, ao ressaltar que o imponderável é companhia frequente de quem trabalha nas ruas. “Por isso, é tão instrutiva e importante esta palestra voltada para as possibilidades reais de interação com os autistas”.

A área de atuação do 16º CRPM cobre, além de Trindade, os municípios de Inhumas, Itauçu, Damolândia, Nova Veneza, Santo Antônio de Goiás, Araçu, Avelinópolis, Goianira, Caturaí, Brazabrantes, Guapó, Abadia de Goiás, Aragoiânia, Varjão, Palmeiras de Goiás, Campestre de Goiás, Nazário, Santa Bárbara de Goiás e Cezarina.