Polícia investiga grupo criminoso por fraude com vale-alimentação em nove estados
23 setembro 2026 às 10h51

COMPARTILHAR
Um grupo criminoso que se apropriou de milhões de reais repassados por prefeituras de nove estados da federação, por meio de uma administradora de cartões de vale-alimentação e vale-refeição, é alvo de investigação que teve início na Delegacia de Polícia de Barro Alto, em Goiás. Conforme apurado, a empresa contratada pela Prefeitura de Barro Alto para administrar os cartões dos servidores municipais recebia mensalmente os valores integrais, mas deixou de pagar os estabelecimentos credenciados. Somente no município goiano, o prejuízo causado aos comerciantes locais supera R$ 800.000,00, sendo que um único comércio da cidade relatou perda superior a R$ 200.000,00.
A partir de meados de 2025, os repasses aos comerciantes passaram a atrasar e, em setembro daquele ano, foram interrompidos por completo. As investigações revelaram que não se tratava de simples descumprimento contratual, mas de uma fraude planejada, com dinâmica semelhante à de uma “pirâmide financeira”. A empresa vencia licitações em todo o país oferecendo às prefeituras descontos inviáveis, com deságios médios de 17% e que chegavam a 30,5%.
Os valores recebidos em novos contratos eram utilizados para cobrir repasses atrasados de contratos anteriores, o que mantinha a aparência de regularidade. Quando a captação de novos municípios desacelerou, o esquema entrou em colapso. Ao serem cobrados pelos comerciantes, os responsáveis alegaram que a empresa teria sido vítima de um ataque de hackers, citando um processo criminal inexistente na Justiça paulista, e, na sequência, deixaram de prestar informações.
O caso passou à condução do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (GREF/DEIC). Nesta quarta-feira, 23, a Polícia Civil de Goiás deflagrou a Operação Fake Card com o objetivo de cumprir dez medidas cautelares: três mandados de prisão temporária, seis mandados de busca e apreensão domiciliar e o sequestro e bloqueio de bens e valores. As ordens judiciais são cumpridas simultaneamente nos municípios de Barueri, Limeira e São Paulo, no Estado de São Paulo, com o apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) e do CiberLab do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Veja fotos:
A operação contou com a participação de 40 policiais civis. As medidas cautelares foram deferidas pela 3ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia, e o sequestro e bloqueio alcançam bens e valores de quatro pessoas físicas e três pessoas jurídicas, de aproximadamente um milhão de reais, incluindo a indisponibilidade de seis imóveis localizados em Limeira/SP e na capital paulista, visando ao ressarcimento das vítimas.
Paralelamente, a apuração identificou que a empresa firmou contratos com mais de 220 municípios, nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, e responde a centenas de processos judiciais em diversos estados. Além disso, as investigações demonstraram que o grupo promovia a lavagem dos valores recebidos por meio de outras empresas ligadas aos investigados e de contas pessoais dos responsáveis, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos e impedir o seu rastreamento.
Os envolvidos são investigados pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.
Leia também:
Justiça manda Wilder Morais retirar propagandas com foto de Bolsonaro em 48 horas




