Tiago Vechi e Tathyane Melo

O desempenho dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) mostra avanços nos últimos dez anos, mas também evidencia a dificuldade do país em construir uma evolução consistente na educação. Para Glauco Gonçalves, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica do CEPAE-UFG, a melhoria precisa ser sustentada por políticas de longo prazo. “A solução para a educação precisa se estruturar como o alicerce de uma casa. Se você não constrói isso, essa casa, com qualquer ventinho, desaba”.

Aplicado a estudantes de 15 anos em 91 países, o Pisa permite observar diferenças entre os sistemas educacionais e, no caso brasileiro, avaliar principalmente alunos do ensino médio, etapa administrada pelos governos estaduais. Segundo Glauco, há estados que avançaram e outros que retrocederam, o que mostra que os resultados nacionais escondem realidades distintas dentro do país.

Glauco Gonçalves. Foto: Acervo Pessoal

Entre as três áreas avaliadas, a leitura apresenta o melhor desempenho relativo do Brasil, enquanto a matemática continua como o principal ponto de dificuldade. Na avaliação de Glauco, o desafio é fazer com que os jovens mantenham o interesse e desenvolvam autonomia em diferentes campos do conhecimento, especialmente em áreas como ciência e da própria matemátia.

Para o pesquisador, parte da resposta está na transformação do próprio processo de aprendizagem. Ele defende uma escola mais preparada para o século XXI, com práticas pedagógicas dinâmicas e interativas e estudantes que participem da construção do conhecimento, em vez de serem “meros receptáculos do que o professor diz”.

No caso de Goiás, Glauco avalia que o Estado já apresentou melhorias significativas, mas não conseguiu transformar esse movimento em uma trajetória contínua de melhora. O pesquisador classifica o avanço como pontual e chama a atenção para que a educação goiana, assim como a brasileira, discuta um projeto mais consistente, com bons professores, infraestrutura adequada e políticas capazes de se manter ao longo do tempo.

A estrutura das escolas é outro fator apontado pelo coordenador como determinante para o desempenho dos estudantes. Ele chama atenção para a falta de bibliotecas e laboratórios em parte da rede pública de ensino médio de Goiânia e afirma que os Institutos Federais se destacam justamente por reunir infraestrutura, professores com maior qualificação e carreiras mais estruturadas.

Na avaliação de Glauco, a diferença de desempenho entre a rede estadual e os Institutos Federais oferece uma referência concreta para pensar caminhos para a educação de Goiás. Segundo ele, os institutos federais apresentam resultados muito superiores não apenas no Pisa, mas também em outras avaliações, o que demonstra que não existem soluções mágicas, mas condições que podem favorecer uma aprendizagem mais consistente.

A leitura, por outro lado, é apresentada pelo coordenador como uma área em que existe uma oportunidade de avanço. Para ele, os jovens continuam interessados em ler quando encontram livros e histórias capazes de despertar seu interesse, e a presença de bibliotecas nas escolas, aliada à atuação de professores que saibam aproximar os estudantes dos livros, pode ampliar esse contato.

Glauco também defende que o estímulo à leitura não deve se limitar à escola. Segundo ele, ambientes familiares e escolares nos quais os livros estão disponíveis tendem a favorecer o contato dos estudantes com a leitura, reforçando a necessidade de ampliar o acesso a obras diversas e criar oportunidades para que os jovens encontrem nelas uma fonte de interesse e prazer.

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