O número de atendimentos por picadas de cobras em Anápolis apresentou aumento em 2026 e já mobiliza a rede municipal de saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) apontam 18 ocorrências registradas até o momento, oito a mais do que no mesmo período do ano passado.

Em todo o ano de 2025, foram contabilizados 31 casos. Apesar da alta, a diretora de assistência à saúde, Raquel Barros, afirmou ao Jornal Opção que o cenário segue dentro do padrão esperado para o período. “Desde outubro, quando começa o período chuvoso, a gente tem um aumento das picadas. Quando você pega a série histórica, os maiores incidentes estão sempre entre abril e maio”, explicou.

Segundo ela, o crescimento está associado ao ciclo reprodutivo das serpentes. Em Anápolis, os acidentes são causados principalmente por jararacas e cascavéis. A Secretaria reforça que a principal estratégia para reduzir os casos é a prevenção, especialmente em áreas rurais.

“O principal fator é a educação da população. A gente orienta quem transita em áreas rurais a usar botas de cano alto e caneleiras”, disse Raquel. Nas áreas urbanas, a recomendação é evitar condições que favoreçam a presença de animais peçonhentos.

“É importante evitar acúmulo de entulhos, madeiras e restos de construção, além da roçagem de lotes abandonados”, afirmou. O atendimento a vítimas de picadas de cobra no município é centralizado no Hospital Municipal Alfredo Abrahão, unidade de referência para esse tipo de ocorrência.

De acordo com a Semusa, o protocolo segue diretrizes do Ministério da Saúde, com acolhimento imediato, avaliação clínica e classificação da gravidade do acidente. A administração do soro antiofídico é feita conforme o tipo de envenenamento identificado.

“A pessoa acidentou, ela tem que procurar o serviço de saúde imediatamente. Lá a gente avalia e define o tratamento”, reforçou Raquel Barros. A Secretaria também garante que não há risco de desabastecimento de soros antiofídicos.

Os insumos ficam armazenados no hospital de referência e são monitorados continuamente pela Gerência de Imunização. “O estoque que a gente tem supre essas demandas. Está dentro da sazonalidade, não há risco de desassistência da população”, afirmou a diretora.

Ela acrescenta que, mesmo quando não é possível identificar a espécie da cobra, há alternativas terapêuticas. “Nós temos soros mistos que conseguem neutralizar o veneno de forma abrangente”, disse.

A orientação das autoridades de saúde é buscar atendimento imediato após qualquer suspeita de picada. “Foi picado? Procura o atendimento. Mesmo que não tenha certeza, a unidade faz a avaliação”, explicou. A diretora alerta ainda para práticas caseiras que podem agravar o quadro.

“Furar, chupar o veneno, jogar café, álcool ou outras substâncias não tem efetividade e pode causar infecção”, afirmou. O uso de torniquete também é contraindicado. “Ele piora a ação do veneno no membro e aumenta o risco de perda”, disse.

O procedimento correto, segundo ela, é manter a vítima em repouso, imobilizar o membro afetado, higienizar o local com água e sabão e encaminhar rapidamente ao serviço de saúde.

Um caso recente de morte por picada reforçou a importância do socorro imediato. Segundo Raquel, houve demora no atendimento. “Quando ele chegou na unidade, já tinha alteração neurológica. Isso mostra que ficou muito tempo exposto ao veneno”, relatou.

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