PF desarticula quadrilha que usava documento falso para conseguir visto para os EUA

Mandados estão sendo cumpridos nos EUA e em cinco Estados brasileiros, sendo um deles Goiás. Quadrilha cobrava entre R$ 15 mil e R$ 30 mil pelo serviço

A Polícia Federal em Goiás (PF-GO) deflagrou na manhã desta terça-feira (10/2) a Operação Coiote, que desarticulou uma quadrilha que promovia imigração ilegal do Brasil para os Estados Unidos da América (EUA). Os integrantes da organização criminosa utilizavam documentos falsos para a aquisição de vistos consulares para país do Norte.

De acordo com o delegado regional executivo da PF-GO e responsável pela operação, Umberto Ramos Rodrigues. Os serviços oferecidos pela organização criminosa custavam de R$ 15 mil a R$ 30 mil, que cobriam a confecção dos documentos falsos ou a travessia pela fronteira mexicana.

“Estima-se na nossa investigação que 150 pessoas foram enviadas nesses dois últimos anos que antecederam a deflagração da operação, o que representa uma média de volume de dinheiro que atinge um montante de R$ 3,4 milhões de reais movimentados por essa organização criminosa”, afirmou .

A operação, que foi assim nomeada em alusão ao nome dado às pessoas que fazem a passagem dos imigrantes ilegais pela fronteira do México com os EUA, acontece nos Estados de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rondônia.

Cerca de 200 policiais cumprem 43 conduções coercitivas, 54 mandados judiciais, 5 de busca e 6 de prisão preventiva. Já foram cumpridos cinco mandados de prisão – sendo três em Goiás, destes dois em Piracanjuba e um em Goiânia –, 30 conduções coercitivas e todos os mandados de busca. Dos 13 mandados de condução coercitiva restantes, 10 serão executados nos Estados Unidos e três no Brasil.

O delegado da Polícia Federal e chefe da Interpol no Brasil, Valdecy de Urquiza e Silva Júnior disse que foram identificados 11 membros da quadrilha em território americano, nos Estados de Washington, Geórgia, Nova Jérsei, Kansas e Flórida. “As autoridades americanas estão trabalhando neste momento atuando na identificação e na condução dessas pessoas para depoimento e cumprimento do mandado de prisão”, garante.

Nesta terça-feira (10/2), já foi iniciada a segunda fase da operação, que agora irá investigar o destino do patrimônio arrecadado pela quadrilha. “Essa segunda fase vai ser desenvolvida tanto no Brasil, por meio das investigações da Polícia Federal, quanto no exterior, com o auxílio da Interpol e das agências policiais vinculadas à embaixada americana”, explicou Umberto Ramos. Nessa nova etapa, a PF vai analisar o material apreendido e os depoimentos para identificar e recuperar o dinheiro.

Investigação da PF

A investigação teve início em 2013 após contato da Embaixada dos Estados Unidos com a Polícia Federal brasileira a respeito de um aumento no número de pedidos de visto militares para o país. A PF entrou em contato com o Exército Brasileiro, que confirmou a suspeita de que haviam documentações falsas sendo usadas nos requerimentos.

“O modus operandi era o seguinte: algumas pessoas, que funcionavam como intermediárias na obtenção de documentos falsos, conseguiam por meio desses documentos falsos o agendamento para obtenção do visto para os Estados Unidos”, informou o delegado regional executivo da PF-GO e responsável pela operação, Umberto Ramos Rodrigues.

Ainda segundo o delegado, a quadrilha era formada por três células, localizadas em Goiás, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Dentre os documentos falsificados constavam, entre outros, contracheques, vínculos empregatícios e documentos que atestavam vínculo com o Exército Brasileiro.

Os tipos penais mais incidentes na investigação são falsidade ideológica, falsificação de documentos públicos e particulares, uso de documentos falsos e formação de quadrilha. A soma de todas as penas pode chegar a até 24 anos de reclusão.

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