A vida pessoa da jornalista Malu Gaspar foi revirada do avesso a mando do publicitário Thiago Miranda, do Grupo Leo Dias, e do banqueiro dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A investigação foi uma retaliação às reportagens da colunista de O Globo em que apontava irregularidades e possíveis crimes contar o sistema financeiro cometidos pelo banqueiro e seu grupo.

As conversas, reveladas pelo jornalista Mino Pedrosa do Fatos Online, revelam que Thiago e Vorcaro buscavam “pegar algo mulher no pessoa” como forma de descredibilizar a jornalista. Sem encontrar nada relevante que pudesse macular a imagem de Malu Gaster, nem mesmo multas de trânsito e levantamentos financeiros, a dupla tentou comprar o silêncio da jornalista.

Proposta milionária

Daniel Vorcaro sugeriu uma “proposta milionária” para tentar contratar a colunista, enquanto Thiago Miranda avaliou que a saída poderia funcionar, embora tenha ponderado que “o problema é que ela não liga para dinheiro”. Entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal, foi localizado um arquivo identificado como “Carta Proposta Malu Gaspar”, que previa o pagamento de R$ 120 mil mensais e bônus de R$ 1,5 milhão na assinatura do contrato para que ela apresentasse, de segunda a sexta-feira, um programa de uma hora sobre política e economia na Leo Dias TV.,

A proposta, no entanto, não teria interrompido a cobertura: dias depois, Malu seguiu publicando reportagens sobre o Banco Master, agora também ao lado de Lauro Jardim, o que voltou a irritar Vorcaro e Miranda.

A relação entre Thiago Mirando e Vorcaro já era conhecida. Dono da Agência Mithi e ligado ao Portal LeoDias. Em depoimento à Polícia Federal, ele disse ter apresentado a Vorcaro um projeto de “reconstrução de imagem” após a primeira prisão do banqueiro. O plano previa de perfis em redes sociais, sites próprios e canal no Youtube.

O Grupo LeoDias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, em seis pagamentos. Além disso, teria recebido outros R$ 2 milhões de uma empresa chamada LD Produções, que, segundo o relatório, tinha o Master como principal fonte de receita. Na soma, os valores ligados direta ou indiretamente ao Master chegam a cerca de R$ 11,9 milhões.

Relembre

O Master era controlado por Daniel Vorcaro e cresceu com produtos de alta rentabilidade, forte captação via CDBs e operações complexas de crédito. O eixo da investigação envolve a suspeita de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, vendidas a outra instituição, especialmente o BRB, banco estatal do Distrito Federal.

Antes da liquidação, houve a tentativa de compra do Master pelo BRB. O negócio foi submetido ao Banco Central, mas a autoridade monetária rejeitou a aquisição em setembro de 2025. A operação previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master pelo BRB.

Pouco depois, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master; o próprio BC afirma que a medida foi motivada por grave crise de liquidez e comprometimento significativo da situação econômico-financeira do conglomerado.

Em fases posteriores, a PF passou a mirar lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos, suspeitas de propina no BRB e até uma estrutura de intimidação.

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