Perito de Brasília desenvolve software capaz de identificar criminosos

Polícia Técnico-Científica de Goiás também é referência nacional com técnicas avançadas e laboratórios modernos


Perito Admilson Gonçalves Junior | Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Para driblar as limitações dos vídeos produzidos por câmeras de sistemas de segurança, que nem sempre atendem aos requisitos mínimos para um exame mais detalhado, especialistas aliam criatividade e conhecimento para desenvolver programas capazes de checar outras características que possam ajudar a reduzir o rol de suspeitos.

É o caso do perito da Polícia Civil do Distrito Federal, Admilson Gonçalves Junior, que desenvolveu um software capaz de identificar a estatura da pessoa filmada. No exame, é feita a análise completa do indivíduo, da sua forma de andar e da postura dele na cena. Além de perito, Junior é bacharel em ciência da computação com mestrado em engenharia elétrica.

Em um homicídio ocorrido em Samambaia no ano de 2017, o perito conseguiu chegar a uma estimativa da altura de um assassino flagrado pelo circuito de uma distribuidora de bebidas: 1,79 m. O rosto do homem estava praticamente coberto, e ele usava roupas que dificultavam a visualização de outras características.

Para fazer esse exame, segundo o policial, foi preciso levar em consideração a distância focal, a altura e o ângulo de inclinação da câmera que capturou o alvo. A partir de coordenadas marcadas da cabeça aos pés do suspeito, o especialista traçou uma escala de referência em diversos quadros do vídeo e chegou a uma estatura com alto grau de confiança.

“O nosso objetivo é extrair a maior quantidade de informações, que vão além dos vestígios deixados no local ou das provas testemunhais. No homicídio, a principal finalidade é identificar o autor. Trabalhamos para conseguir o maior número de provas possível. Verificamos as vestes, algum objeto que ele transporta e a dinâmica do crime”, explicou Admilson.

Um outro projeto que começou a ser testado pela equipe do DF é a projeção em 3D dos suspeitos. Com base em características físicas levantadas em imagens, o software faz a identificação facial de forma virtual.

Em um roubo a uma criança registrado em março de 2018, os peritos analisaram a roupa usada pelo criminoso. Apesar de a imagem gravada pelo circuito de segurança aparecer um pouco borrada, a equipe conseguiu identificar detalhes da bermuda. A veste foi apreendida pela polícia, e os exames ajudaram a materializar a denúncia feita à Justiça.

“Pela imagem, é difícil constatar que a bermuda é estampada. Esse efeito monocromático é causado pela câmera, mas com uma análise mais profunda conseguimos detectar detalhes que batiam com a roupa apreendida pela polícia. A partir de então, classificamos as evidências com base na probabilidade de ser a mesma peça”, detalhou Junior. Na ocasião, os peritos também fizeram a estimativa de altura do suspeito. (Com informações do Metrópoles)

Goiás

O superintendente de Polícia Técnico-Científica do estado de Goiás, Marcos Egberto Brasil de Melo, afirma que Goiás também está na vanguarda e realiza intercâmbio de conhecimento com outras polícias em congressos, cursos e encontro nacionais promovidos pelo Senasp.


Superintendente da Polícia Técnico-Científica, Marcos Egberto Brasil de Melo | Foto: Reprodução

O laboratório de DNA da polícia técnico-cientifica goiana, por exemplo, é referência nacional. Com alta tecnologia e pessoal qualificado, o núcleo realiza a comparação de material genético auxiliando a identificação de pessoas e elucidação de crimes.

“Também coletamos material genético de condenados para a criação de um banco de dados. Esse material pode ser usado, por exemplo, para comparação com o material genético coletado em cenas de crimes”, afirma Marcos Egberto Brasil de Melo ao detalhar que a iniciativa do Senasp e Ministério da Justiça já está em pleno funcionamento em Goiás.

Na parte de identificação humana, Goiás também está na vanguarda com uma seção de antropologia forense e odontologia legal, que permite a identificação por arcada dentária, radiografias e outros sinais particulares como uma prótese. “Também temos um trabalho de psiquiatria forense, avaliações psicológicas de vítimas como crianças e adolescentes”, afirma o superintendente.

Na parte de criminalística, foi inaugurado nesta semana o Laboratório de Análises Ambientais (LAM) da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC). A unidade é fruto de parceria entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e o Centro de Apoio Operacional (CAO) do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Goiás.

Foto: Divulgação

No local, serão realizados procedimentos técnicos, como análises de amostras coletadas em áreas sob suspeita de ocorrências contra o meio ambiente. A medida vai garantir mais agilidade nos resultados de exames feitos para confirmar crimes ambientais.

Além da materialização de provas, também serão realizadas amostras de água bruta e efluentes para identificar poluição hídrica. O objetivo é garantir melhoria na qualidade da água consumida pela população.

“Trabalhamos com uma gama muito grande de serviços que ajudam na materialidade de do crime, fornecendo subsídios à Polícia Civil para auxiliar no inquérito. Temos aparelhos de última geração, na balística por exemplo temos um Microcomparador Balístico, aparelho russo de R$ 4 milhões, usado para analisar as impressões dos projéteis e arma do crime. “Com esse aparelho conseguimos precisar se o disparo partiu da arma suspeita”, finaliza.

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