Pensando em fazer uma lipoaspiração? Especialista indica riscos e cuidados da cirurgia

Cirurgião Paulo Renato de Paula conta tudo o que você precisa saber antes – e depois- da operação 

A cirurgia de lipoaspiração é aquela onde ocorre aspiração de gordura e pode ser feita em diversas partes do corpo, desde que haja gordura localizada. Classificada como pequena, média ou grande, variando de acordo com a quantidade de gordura retirada e partes do corpo abordadas, a operação tem se tornado cada vez mais comum.

Como qualquer outra cirurgia, a lipo, como normalmente é chamada, necessitada de cuidados e apresenta alguns riscos. Pensando nisso, o Jornal Opção entrevistou o cirurgião Paulo Renato de Paula, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG)  e Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas.

Confira tudo o que você precisa saber se está pensando em fazer a cirurgia:

Antes de operar

Os cuidados no pré-operatório da lipoaspiração são basicamente os relacionados a qualquer cirurgia. “É fundamental que o paciente procure, em primeiro lugar, um cirurgião que tenha formação e seja especialista em cirugia plástica. É possível ligar para Conselho Regional de Medicina para saber se ele (ou ela) tem registro de qualificação de especialidade”, indicou.

De acordo com o especialista, é indicado uma avaliação completa através dos exames e através de um questionário. E não vale mentir. Além de exames de sangue, urina e testes de coração, é de suma importância que seja dito com sinceridade quais medicamentos são utilizados, a existência de alguma doença e se é feito uso de hormônios ou contraceptivos orais. Até mesmo algumas vitaminas, que parecem inofensivas, por exemplo, podem aumentar o sangramento. Por isso, conte tudo ao seu médico.

“Toda e qualquer medicação deve ser relatada ao profissional. Além disso, alergias, quais cirurgias já fez, qual anestesia, se faz uso de álcool, cigarro e drogas, tudo precisa ser dito”, acrescentou.

Por fim, o paciente precisa se informar sobre a instituição onde a cirurgia será realizada, que precisa ter o aval da Vigilância Sanitária e esteja preparada para qualquer eventualidade.

Pós-operatório 

Os cuidados depois da cirurgia são tão essenciais quanto os de antes. É importante acompanhamento junto ao médico e, por isso, ir aos retornos deve ser primordial.

As condutas, porém, variam de paciente para paciente e de caso para caso. “No caso da cinta, por exemplo, muitos utilizam, outros não, alguns de forma mais apertada, outros de forma mais frouxa”, exemplificou.

O cuidado com a trombose também merece atenção. Como o coágulo geralmente pode se formar na panturrilha e ir para o pulmão, resultando na embolia pulmonar, o uso de meia pra prevenção é importante, além de caminhadas leves, pelo cômodo mesmo. Tudo isso associado ao uso de medicações que diminuem o risco da trombose.

O paciente precisa ainda evitar exposição ao sol e à claridade; ficar sem pegar peso ou fazer esforços físicos de 20 dias a 2 meses, desde que não seja em áreas com piscina, para evitar manchas.

Quem não pode fazer?

A indicação principal da lipoaspiração é para gordura localizada, ou seja, não é técnica de emagrecimento. Por isso, quem é obeso não é candidato ideal para a lipo. Dependendo de casos muito específicos, pessoas acima do peso, desde que não exageradamente, podem se beneficiar da cirurgia.

Como o paciente fumante tem menor circulação, a tendência é que haja uma menor cicatrização. Desta forma, o ideal é que o uso do cigarro seja interrompido por oito semanas. “Mas sabemos que o procedimento cirúrgico aumenta a ansiedade, o que leva as pessoas à fumar, então, se ele parar por 15 dias antes e 15 dias depois, já é positivo para a cirurgia”, diz Paulo Renato.

Risco

De acordo com o médico, as pessoas acham que a lipoaspiração é a cirurgia mais perigosa que existe, mas não é verdade. Os riscos são os mesmos de qualquer cirurgia, que precisam ser trabalhados de forma preventiva:

Pneumonia – rara

Infeccção – pouco comum

Infarto – baixo risco

Perfuração de órgãos – muito raro

Trombose – raro

Recuperação 

A cirurgia em si costuma demorar de uma a três horas, dependendo da experiência do cirurgião e do tamanho da região.

Os primeiros 10 a 15 dias posteriores são os piores, com existência de dores e fraqueza. Com 15 dias, você começa a melhorar e com 30 dias você já leva a vida quase dentro do normal.

O resultado começa a ser percebido com 3 meses e o resultado mais definitivo aparece de 6 meses a 1 ano após a cirurgia.

Medidas

É importante falar que existem padronizações para se trabalhar com segurança. “Não se pode ultrapassar 5 a 7% da gordura corporal retirada e a área do corpo lipoaspirada não deve passar de 40%”, orienta Paulo Renato.

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