PC de Goiás indicia 13 servidores de Centro de Internação Provisória por homicídio culposo

Segundo procedimento operacional padrão da unidade, a coordenadora geral, os agentes de segurança e os sócio- educadores deveriam ter tomado as medidas cabíveis

Foto: Jornal Opção

O delegado Wellington Carvalho concedeu coletiva de imprensa nesta segunda-feira (27/8) sobre a morte de dez adolescentes ocorridas no dia 25 de maio no Centro de Internação Provisória (CPI), que fica no 7° Batalhão da Polícia Militar, em Goiânia. Após investigações, a Polícia Civil de Goiás indiciou 13 servidores da unidade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo o delegado, foi constatado negligência por parte dos servidores que trabalhavam no local no dia do ocorrido. “O fogo iniciou exatamente às 11h10, o incêndio foi constatado por um interno que estava auxiliando os servidores a distribuir o almoço e, por volta de 11h11, o interno alertou os agentes de segurança que estavam na cozinha. Apenas por volta de 11h15 é que os funcionários começaram a apagar o fogo”, disse.

De acordo com procedimento operacional padrão da unidade, a coordenadora geral, os agentes de segurança e os sócio- educadores deveriam prontamente tomar as medidas cabíveis, ou seja, avaliar a necessidade do uso de extintores e mangueiras ou ainda acionar o Corpo de Bombeiros.

“A gente observa nas imagens que essas medidas só foram tomadas com a utilização de água, e apenas 4 minutos depois do início, quando o fogo já havia se alastrado para dentro da cela. O Corpo de Bombeiros, por fim, só foi acionado às 11h27, ou seja, 17 minutos depois do inicio do incêndio”, assegurou Carvalho durante a coletiva de imprensa.

Nos laudos do Corpo de Bombeiros ficou constatado que os servidores não tiveram acesso a extintores de incêndio. “Em depoimento, alguns servidores disseram que não existia, outros disseram que havia, mas não souberam indicar onde. Porém, o próprio procedimento determina que poderia ser utilizado água na ocasião, como de fato ocorreu e serviu para apagar o fogo”, alega Carvalho.

Relembre o caso

O incêndio ocorreu no último dia 25 de maio, quando alguns jovens protestaram contra a possível transferência de internos e atearam fogo em um colchão do lado de fora da grade. A manifestação, contudo, tomou consequências contrárias e o fogo entrou no alojamento, espalhando-se para outros colchões, o que resultou no óbito nove adolescentes no mesmo dia, e de outro, dias depois.

Segundo o relatório do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), feito dias depois da tragédia, foi identificada condição insalubre no alojamento, com odor fétido e sem leitos suficientes para abrigar os adolescentes. O documento do próprio tribunal afirma que o local não permite atendimento em “condições dignas e humanizadas aos internos”.

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