“Parece que delatores são santos e a classe política que é o mal”, critica Marconi

Governador de Goiás afirmou, durante coletiva de imprensa, que há por parte do Judiciário uma tentativa de “aniquilar” a classe política

Governador Marconi Perillo (PSDB) fala sobre delações | Foto: Marco Monteiro

Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (16/5), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), voltou a rebater o conteúdo das delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht, que citaram repasses em caixa 2 a suas campanhas de 2010 e 2014. Durante mais de uma hora, o tucano mostrou trechos das colaborações, reforçou as inconsistências com relação aos valores que teriam sido repassados e respondeu aos questionamentos dos jornalistas presentes.

Segundo ele, há uma superexposição por parte de setores do Ministério Público e do Judiciário que tentam “nivelar por baixo” e até “aniquilar” a classe política brasileira. “Só não sei quem substituiria os gestores experientes nesse momento tão grave pelo qual passa o Brasil. Não é tão simples alguém chegar e dizer que vai ser governador, presidente, ministro. Se não tem experiência, capacidade de aglutinação e articulação com amplos setores da sociedade, não dá conta. Lamento e duvido que algum promotor de Justiça desses daria conta de vir para o Executivo e fazer governos avançados, progressistas e transformadores”, criticou.

No Palácio Pedro Ludovico Teixeira, Marconi assegurou que não houve qualquer tipo de negociação de benefícios a nenhuma das empresas que doaram às campanhas e que se encontrou com os diretores não só da Odebrecht, mas de várias para pedir ajuda financeira. “Pedimos recursos e deu quem quis. Por diversos motivos… Porque acreditavam em nosso trabalho à frente do governo, porque têm filiais em Goiás e sabiam de nossa determinação para desenvolver o estado, ou porque me reconhecem como um político influente no país. Há muitos anos tenho destaque nacional e queriam que eu continuasse nesse protagonismo”, argumentou.

Questionado se, independente das divergências nos valores e nos apelidos que lhe são atribuídos, não acharia estranho ter sido citado por três delatores diferentes, o governador respondeu que se sente perplexo, como “qualquer pessoa que é acusada de algo que não fez”. “Não posso brigar com alguém que vai lá para livrar-se de sua própria pena e começa a dizer que houve caixa dois aqui, propina acolá. Já houve um que foi desmentido com relação ao ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB). Quer dizer, eu não tenho poderes para dizer para eles não mentirem, caluniarem. Mas faço um alerta: ou eles [os delatores] tomam atitude ou vão presos”, disse.

Marconi fez duras críticas a maneira como a imprensa e a própria sociedade têm tratado os condenados que decidem fazer colaboração com a Justiça. “É impressionante o valor que dão a delatores. No passado, palavra delator era algo inominável, hoje não. Parece que são santos e a classe política é que são os demônios, o mal. Olha, se tudo isso aconteceu é porque eles fizeram muita coisa errada. Agora, jogar nas costas de pessoa que nada tem a ver com esse tipo de coisa é criminoso”, lamentou.

Ao contrário do que aconteceu na Operação Monte Carlo, na qual o governador de Goiás diz que foi perseguido pelo ex-presidente Lula (PT) após ter denunciado o esquema do mensalão, na Lava Jato, ele não vê fator político. “O contexto aqui é o temor de todos os delatores de serem condenados e irem para cadeia. Envolveram meu nome porque estavam com medo, não tenho condição de saber o porquê. Mas eles mesmos se contradisseram, pois reconhecem que não houve qualquer favorecimento a mim nem ao governo, que as licitações em Goiás eram duras, não havia contrapartida, eles mesmo disseram”, reforçou.

Por fim, Marconi disse que está à disposição da Justiça e tem provas de que não foi beneficiado em nenhum tipo de esquema envolvendo a Odebrecht: “Se o STJ [Supremo Tribunal de Justiça me convidar para fazer uma acareação com qualquer um dos delatores, topo na hora. Não tenho o que temer.”

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Avaliação

Ainda durante a coletiva de imprensa, o governador de Goiás avaliou positivamente a Operação Lava Jato, mesmo que haja algumas “injustiças”. “É extremamente relevante para o país como um todo, pois está passando a limpo o Brasil. Existem exageros midiáticos, mas não há ninguém que não considere a operação um ‘mal necessário'”, opinou.

O Jornal Opção perguntou a Marconi Perillo se, em sua visão, o modelo atual, que impede doações de empresas a campanhas eleitorais, seria benéfico para a democracia.

“Se não tivermos um modelo compatível à realidade brasileira, quem vai ganhar eleição, os que serão eleitos, são: ricos, que podem financiar suas próprias campanhas — algo que aconteceu em 2016 –, os religiosos, os sindicatos e o crime organizado. As últimas eleições foram as mais violentas da história, principalmente no Rio de Janeiro, onde facções que tinham candidatos se digladiaram. Se não tiver um sistema de financiamento eleitoral claro e transparente, teremos um Congresso muito pior. Os pobres, que não conseguem bancar campanhas, vão perder as eleições”, alertou.

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