Para tentar barrar CPI, presidente do BNDES procura senadores ligados a Dilma

Movimentação vem após quase três meses da entrevista concedida pel procurador da República Hélio Telho, ao Jornal Opção, em que adiantou iminente escândalo no Banco

Economista e presidente do BNDES, Luciano Coutinho falou com pelo menos três senadores | Foto: Site BNDES

Presidente do BNDES, Luciano Coutinho falou com pelo menos três senadores | Foto: Site BNDES

Parlamentares ligados à base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) foram procurados no Congresso Nacional pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Luciano Coutinho, na quarta-feira (25/2), na tentativa de evitar a criação da CPI e CPMI para investigar contratos financeiros feitos pelo Banco nas gestões petistas.

A movimentação vem após quase três meses da entrevista concedida pelo procurador da República em Goiás Hélio Telho Corrêa Filho ao Jornal Opção, em que adiantou um iminente um escândalo protagonizado pelo BNDES. “Vamos ter um escândalo de corrupção ainda maior do que o da Petrobrás. E será no BNDES”, afirmou.

De acordo com a “Folha de S.Paulo”, Luciano Coutinho conversou com pelo menos três senadores. O presidente teria dito que a criação das comissões por parte da oposição seria meramente político, o que poderia prejudicar operações de sigilo da instituição.

No início deste mês, o líder do Democratas no Senado, o goiano Ronaldo Caiado, começou a coletar assinaturas. Os requerimentos pedem apuração dos financiamentos com indícios de ilegalidades, a exemplo dos concedidos a JBS Friboi, a Sete Brasil — fornecedora de navios plataformas e sondas para exploração da Petrobrás no pré-sal –, além dos executados em favor de projetos em Angola, Cuba, Equador e Venezuela.

O governo teme que a oposição use a comissões para atacar o financiamento das obras do porto cubano de Mariel.

Receoso com a suposta divulgação de informações sobre contratos estratégicos e internacionais do BNDES na CPI, Luciano Coutinho alertou os senadores para possíveis prejuízos à instituição. Os aliados de Dilma Rousseff relataram que a abertura das investigações pode prejudicar a imagem do Banco, assim como no caso da Petrobrás.

Nos requerimentos, são citadas irregularidades em empréstimos concedidos a partir de 2006, no fim do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A “Folha de S.Paulo” informou ainda que emissários de grandes empresas beneficiadas pelo BNDES também procuraram aliados do governo para impedir a CPI. Até ontem, 15 senadores haviam assinado requerimento CPI mista.

Para ser instalada, a comissão precisa da assinatura de 27 senadores; no caso da mista são 27 senadores e 171 deputados.

Deixe um comentário