Para Delegado Waldir, indicação de Bia Kicis à presidência da CCJ se complica porque deputada “construiu muita coisa errada”

De acordo com presidente estadual do PSL, dificuldade para que nome da colega do DF seja aceito por líderes partidários passa por respeito ao STF na “comissão mais importante da Câmara”

Consultado pelo Jornal Opção na noite desta segunda-feira, 15, sobre as chances de a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) conseguir chegar à presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara, o presidente estadual do PSL em Goiás, Delegado Waldir Soares, questiona se os líderes partidários e o presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), irão comprar briga com o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não acredito que o presidente da Câmara e que os líderes partidários vão querer comprar uma briga com o STF para eleger Bia Kicis presidente da CCJ.” O deputado por Goiás lembra que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania é a comissão mais importante da Câmara, por onde passarão projetos de extrema importância para o País em 2021. “Não sei até onde iriam os líderes partidários para comprar a briga da deputada contra o Supremo”, indaga Delegado Waldir.

O presidente do PSL goiano explica que a maior resistência à indicação de Bia Kicis como presidente da CCJ não está entre os deputados federais, mas no STF. “A parlamentar tem um rejeição, inclusive, com o presidente da Câmara, com os líderes do Centrão, com a esquerda. Bia construiu muita coisa coisa errada nos últimos dois anos, inclusive sendo investigada pelo Supremo.”

Respeito ao Supremo

Para Delegado Waldir, não se trata de os deputados federais e a Câmara se dobrarem ao STF, mas demonstrarem respeito ao Supremo na hora de escolher o próximo presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Mesmo ao destacar que Bia Kicis tem “grande rejeição” de boa parte dos partidos políticos, o parlamentar lembra que a deputada pelo DF é a candidata oficial do PSL para presidente da CCJ.

“Pode surgir uma candidatura alternativa dentro do próprio PSL. Vamos esperar, OK?” De acordo com Delegado Waldir, se valerem os acordos feitos pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, com o governo federal, Bia Kicis pode ser eleita para comandar a CCJ. “Mas existe ainda a possibilidade de uma candidatura avulsa. Tanto do PSL quando de outro partido”, descreve.

Sobre a possibilidade de o PSL na Câmara trocar o nome de Bia Kicis por outro deputado do partido como o nome indicado à presidência da comissão, Delegado Waldir explica que depende da decisão da maioria da sigla na Casa, que é o grupo liderado hoje pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Qualquer mudança passa pelo Eduardo e pelo presidente da República.”

O parlamentar por Goiás anuncia que deve colocar seu nome à disposição do partido para disputar a comissão. “Mas já fui informado de que não terei vaga na CCJ como membro do partido. Exceto, então, se eu buscar uma candidatura avulsa, se eu conseguir uma vaga em outro partido. Aí eu posso concorrer”, descreve.

Briga com os Bolsonaro

Em outubro de 2019, o deputado federal Delegado Waldir, que preside o PSL em Goiás e é aliado do presidente nacional da sigla, o parlamentar pelo Pernambuco Luciano Bivar, deixou de ser defensor incondicional de Jair Bolsonaro. Na ocasião, o chefe do Executivo nacional tentou emplacar o filho Eduardo como líder da bancada do PSL na Câmara no lugar de Waldir.

O deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), que ficou conhecido por quebrar placas com o nome da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em 14 de março de 2018, durante a campanha eleitoral do mesmo ano, gravou uma conversa na sala da liderança do PSL na Casa. No áudio, é possível ouvir Delegado Waldir chamar Jair Bolsonaro de “vagabundo” e dizer que iria “implodir o presidente”.

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