Líder do MTST critica sistema tributário brasileiro e sugere bases para o projeto da esquerda no Brasil

Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Líder do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e um dos principais nomes da esquerda brasileira, Guilherme Boulos afirmou, durante entrevista ao Jornal Opção, que não houve, durante os 13 anos de governo Lula e Dilma, reforma agrária no Brasil.

“Houve políticas de assentamento. Políticas de crédito para a produção dos assentados, mas muito limitadas, por exemplo, perto do que significou a aliança do governo com o agronegócio”, criticou.

Em Goiânia na última semana para um evento da Pastoral da Terra, Boulos elencou a reforma agrária, ao lado da tributária, como as prioridades para as correntes progressistas. “É parte do debate que precisa ser feito, precisamos hoje discutir um projeto de esquerda que tenha ousadia de colocar na mesa o enfrentamento aos privilégios históricos da elite política e econômica no Brasil”, defendeu.

Segundo ele, os ricos não pagam impostos, enquanto os pobres e a classe média é que sustentam o sistema. “O Estado brasileiro é um Robin Wood ao contrário, os pobres dão dinheiro com impostos e o estado dá isso pros ricos por meio do serviço da dívida pública, com juros exorbitantes”, resumiu.

Além disso, o líder do MTST diz que o país, em nome das composições de governabilidade, “preservou o sistema político oligárquico, antidemocrático e que funciona estruturalmente baseado na corrupção e na compra de apoio”.