Pandemia do coronavírus é ameaça a sanidade mental, avalia especialista

Quadros de depressão precisam ser acompanhados em consultórios, mas isolamento social se tornou barreira para o tratamento

Jovem se distrai em isolamento social | Foto:Marcello Casal – Agência Brasil

Os impactos da pandemia do coronavírus na saúde mental é profundo. Manter pessoas confinadas e isoladas em meio a um momento de tantas incertezas e medo da doença é uma ameaça a sanidade.

Medo de pegar a doença, preocupação com o emprego, mudança na rotina, alterações na relação com as pessoas, isolamento e o grande fluxo de informações que quase sempre revelam um cenário negativo. Esses conjunto de fatores agravam ou mesmo provocam transtornos como depressão,  ansiedade, pânico e estresse.

Em um recente artigo publicado, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, escreveu que, além da propagação da infecção, também veríamos outros fenômenos. A covid-19 poderia trazer outra epidemia, segundo ele: uma epidemia de transtornos de estresse, depressão e ansiedade. A previsão se confirma.

“Pacientes que tem um quadro de depressão  precisam, fundamentalmente, sair de casa, ir trabalhar, conviver com outras pessoas. No entanto, nesse momento é algo que se tornou inviável”, relata o médico psiquiatra e neurologista, Leonardo Prestes. “Eu e meus colegas de profissão temos trabalhado muito nesse período. São muitas mensagens, muitos pedidos de ajuda que precisamos dar total atenção”, concluí.

O médico explica que muitos pacientes precisam do acompanhamento presencial para que o tratamento avance, mas o isolamento social tirou as pessoas dos consultórios. “O caso de uma depressão pós-parto por exemplo, é algo muito sério e precisa ser acompanhado de perto. A paciente entra em psicose. Nesse momento uma pessoa nessa situação precisa de toda atenção”, alerta.

Afastamento do tratamento

Consultórios estão fechados, pacientes evitam sair de casa para buscar atendimento de especialistas e terapeutas, e esse distanciamento do paciente para com o seu médico resulta  em impacto no seu tratamento. “Tenho pacientes que já tinham avançando do tratamento, que tínhamos retirado alguns medicamentos, mas que foi preciso voltar com a medicação. Mesmo distante foi preciso receitar porque o momento exige”, revela o psiquiatra, Leonardo Prestes.

Métodos como videochamadas, trocas de mensagens ou mesmo ligações tem sido cada vez mais usada para dar atenção ao paciente que está distante do consultório. “Há uma alta demanda para esse tipo de atendimento, e nós precisamos dar esse acompanhamento”, afirma Leonardo Prestes.

Alerta para os Idosos

Situações como quarentenas tendem a despertar sentimentos como solidão, estresse, ansiedade, tristeza e depressão. De acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), tais condições são esperadas durante um surto de doença infecciosa, como temos vivido com a Covid-19.

Geralmente, o idoso tem medo por si e por seus entes queridos. Seu sono se altera e seu apetite também pode ser impactado. Um cenário propício para, inclusive, agravar problemas crônicos de saúde como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

“Os idosos estão sofrendo demais. Eles foram alijados dos familiares. Não recebem visitas e se sentem com medo por ser o grupo de maior risco da doença  (Covid-19)”, alerta do psiquiatra.

De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência de depressão na rede de atenção primária de saúde é de 10,4%, isoladamente ou associada a um transtorno físico.

Dentre os métodos de prevenção recomendados pelo Ministério da Saúde, constam: manter dieta equilibrada, praticar atividade física regular, combater o estresse por meio de reserva de tempo a atividades prazerosas, evitar o consumo de álcool e uso de drogas ilícitas, diminuir doses diárias de cafeína, manter rotina de sono regular, e não interromper o tratamento sem orientação médica.

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