Pandemia afeta supermercados e impulsiona criatividade de pequenos produtores de ovos

Situação se explica pela alta do dólar, que encarece as importações e, por isso, o preço ao consumidor; com a Covid-19, há também queda significativa na renda das famílias

Compra de ovos de páscoa em lojas | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Páscoa é a sexta data comemorativa mais importante para o comércio varejista brasileiro – depois de Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Black Friday, mas o mercado dos Ovos de Páscoa vem em queda desde o início da pandemia, no ano passado. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) espera para este ano uma redução nas vendas de 2,2%, em comparação a 2020 com  retração de 28,7%.

A previsão pode ser explicada pela alta do dólar, que encarece as importações e o preço ao consumidor. Por outro lado, há uma queda significativa na renda das famílias ocasionada pela pandemia da Covid-19.

O presidente da Associação Goiana dos Supermercados (Agos), Gilberto Soares, disse que está otimista, mesmo com a piora do cenário da pandemia em 2021. “No ano passado, ficamos totalmente pessimistas com essa questão da pandemia, que foi logo no começo do ano e já havíamos feito os pedidos. Ficamos receosos, mas foi uma surpresa por conta do saldão pós-Páscoa,  vendemos tudo. Este ano quero acreditar que vai acontecer o mesmo, que se repita o mesmo cenário do ano passado”, afirma.

“Têm algumas lojas com redução da quantidade de ovos de chocolate, mas é uma situação pontual e estamos otimistas, sim, que vai ter um bom resultado. Algumas lojas diminuíram a exposição de produtos; outras diminuíram os pedidos, mas não tenho notícia de nenhum supermercado que não tenha feito pedidos”, completa Gilberto.

Ovos de Páscoa artesanais

Ovo de colher produzido artesanalmente pela confeiteira, Deborah Camargo | Foto: divulgação

Em 2021, para que as vendas não fossem interrompidas em meio a piora da pandemia da Covid-19, os microempreendedores que se mantém com a venda de bolos e ovos de Páscoa ou de colher, principalmente nesta época do ano, tiveram que se reinventar, reorganizar a equipe de produção e investir no sistema de delivery e divulgação nas redes sociais.

Há oito anos no ramo a confeiteira, Tânia Cristina teve de se adequar ao novo cenário e investiu nas entregas. “Este ano está sendo mais complicado, estamos com poucas encomendas. As entregas nós adaptamos e contratamos o entregador para segurança dos clientes devido a pandemia. Mas, em relação a encomendas,  o ano passado foi bem melhor”, explica.

“Em 2020, por ser início da pandemia conseguimos fazer bastante encomendas, mas neste ano temos dificuldade de comprar embalagens, quando conseguimos comprar está com aumento de preço, e se colocar em uma embalagem cara é um gasto a mais e tem que estar tirando esse gasto no valor a ser repassado ao consumidor”, pontua a confeiteira.

A também confeiteira, Deborah Camargo, que está no ramo a um ano e realiza toda a produção com auxílio da mãe e da irmã destaca, que a fase requer que os empreendedores se reinventem.  “Com a pandemia dificultou muito porque os produtos estão muito caros,eu vejo muita gente reclamando do valor que está nesse ano, mas o nosso custo aumentou muito, e para conseguir ganhar precisamos aumentar”, afirma.

A empreendedora garante que o investimento nas redes sociais cooperam no fluxo de encomendas. “Nesse ano as vendas estão menores que no ano passado, porém,  até agora com a abertura da loja no Instagram a gente vendeu uma boa quantidade. O que der para ganhar será considerado um lucro. Eu não consegui contratar nenhum entregador e o juro do aplicativo está muito alto por produto e isso faria aumentar ainda mais o valo.  Com isso preferimos nós mesmos fazermos a entrega, eu produzo e minha mãe entrega”, completa Deborah.

Estratégia

Ovos de chocolate artesanais produzido pela confeiteira, Tânia Cristina | Foto: divulgação

A confeiteira Tânia explica que as dificuldades estão relacionadas neste ano com o preço dos produtos, o que não deixa de refletir no valor que chega ao consumidor. “Esse ano, a crise atrapalhou bastante. A  minha média de preço está entre R$ 25 e R$ 60. Mesmo com toda essa queda, estamos na expectativa de que vai dar certo e vamos conseguir ter boas vendas”, ressalta.

“Montamos toda uma estratégia, com essa crise financeira, estamos trabalhando com os preços a baixo do que vendemos, tem desconto para que todos possam comprar, tem que se reinventar. A família ajuda na produção, esposo e filha e trabalhamos também com bolos e salgados”, conta.

Para Tânia, um dos produtos que mais tiveram aumento significativo e que afeta consequentemente, os valores finais, são o leite condensado, o chocolate e a embalagem.  Quem também concorda é a confeiteira Deborah que explica ainda, que os custos são bem maiores na produção caseira e por isso é necessário investir na estratégia de vendas e divulgação nas redes sociais.

“Ainda mais em relação ao ano passado, que já estávamos na pandemia, mas as coisas não tinham aumentando tanto, um exemplo é o valor do leite condensado que tinha o valor inferior a R$4 e agora está em quase R$6 reais. É preciso se reinventar e inovar na divulgação dos produtos para atrair os consumidores mesmo em tempos difíceis”, afirma.

A empresária, Karine Oliveira que está no ramo da confeitaria há um ano e meio, destaca a dificuldade com os preços dos produtos para fabricação dos Ovos de Páscoa. “Esse ano está mais difícil, aumentou valores e caiu a demanda. Não tem como colocar o preço muito alto, por isso vai ser uma diferença muito grande. Costumava dizer que a Páscoa era o período mais lucrativo da confeitaria, mas esse ano não vai ser desse jeito”, relata.

Karine explica que investiu no delivery e garante que as redes tem auxiliado de certa forma. “A média de preços varia de R$5 a R$30. Porém, as vendas em relação ao ano passado caiu muito. Mas, com certeza as redes sociais ajudam a fazer um marketing de vendas”, conclui.

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