Pacientes de Goiânia podem esperar até 60 dias por diagnóstico de zika vírus

Doença ainda não tem tratamento e a principal forma de prevenção é o combate ao mosquito Aedes aegypit

Mosuito Aedes aegypti é vetor de doenças | Arquivo/Agência Brasil

Mosuito Aedes aegypti é vetor de doenças | Arquivo/Agência Brasil

O exame que possibilita o diagnóstico do zika vírus, transmitido pelo mesmo vetor da dengue e da febre chikungunya ainda é de alto custo. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as amostras dos possíveis infectados em Goiânia são enviadas para o Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA), mas devido à demanda, não existe prazo para que o resultado fique pronto. O resultado tem demora, em média, de 30 a 60 dias.

Segundo o presidente da Sociedade Goiana de Ginecologia e Obstetrícia, Maurício Machado da Silveira, isso decorre porque, apesar de ser conhecido pela medicina desde o fim dos anos 40, o zika vírus só passou a ser estudado depois que o Ministério da Saúde (MS) confirmou a relação da infecção de gestantes e a ocorrência de bebês que nascem com microcefalia.

Diferente de outras doenças virais, como a dengue, ainda não foi desenvolvido exame de sorologia, mais barato e eficiente, para a detecção do zika. Atualmente, é feito o PCR (da sigla em inglês Polymerase Chain Reaction/Reação em Cadeia Polimerase), um exame de genética molecular que é demorado e de alto custo.

Em Goiânia 17 casos de microcefalia podem ter relação com o zika vírus e são investigados. A SMS também recebeu a notificação de 12 suspeitas de infecção em adultos — cinco foram descartados. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) apura outros três casos de bebês que podem ter nascido com a doença.

Prevenção

A melhor forma de prevenção contra o vírus é o combate ao mosquito Aedes aegypt. No âmbito municipal, a SMS em parceria com a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) tem enviado agentes de endemia para ações de combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e do zika vírus.

Superintendente de Vigilância em Saúde da pasta, Flúvia Amorim afirma que a orientação da SMS é a mesma do MS: “Se antes a mulher deveria pensar duas vezes antes de decidir por uma gravidez, agora ela deve repensar mais ainda, pois a microcefalia relacionada ao zika é uma situação nova e os estudos estão em fase inicial”.

O principal sintoma são manchas vermelhas na pele e se assemelham de uma virose leve, como febre, dor de cabeça e conjuntivite (vermelhidão dos olho); porém, sem a presença de secreção.

Para as gestantes, os primeiros três meses de gravidez são os mais críticos, mas os cuidados para evitar os mosquitos devem continuar durante toda a gravidez. Entre as orientações estão o uso de roupas compridas, repelente e não viajar para os lugares onde a infecção é endêmica, principalmente para a Paraíba e demais estados nordestinos.

“Ainda estamos aprendendo muito sobre a doença. Cada dia é um protocolo diferente divulgado pelo MS”, explica Maurício Machado. E continua: “Mas as gestantes devem ficar atentas aos sintomas, pois a orientação é de que qualquer suspeita deve ser encaminhada à secretaria de saúde”.

Estado de emergência

O governo do estado vai decretar estado de emergência na saúde em Goiás para evitar uma possível epidemia das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypt.

Este ano, a SES notificou 182,5 mil casos de dengue, com 76 mortes. Goiás teve ainda cinco registros de febre amarela com três óbitos. A medida também pretende coibir a propagação dos vírus zika e chikungunya no território goiano. Até o momento, não existem casos confirmados.

Com a adoção do estado de emergência, por um período de 180 dias, o governo pode autorizar a aquisição, sem licitação, de medicamentos para tratamento de pacientes e inseticidas, máquinas e veículos necessários para o trabalho de pulverização para eliminar o Aedes.

Nesta sexta-feira (11) a SES divulga novo boletim da dengue.

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