Os acontecimentos políticos que marcaram 2017

Reforma trabalhista, Lula condenado, morte de Teori Zavascki… Relembre os fatos mais importantes do ano 

Comparado ao movimentado 2016, o ano que se encerra na próxima semana poderia ser definido como “pacato”. Mas, nem tanto. Em especial no que diz respeito ao mundo político.

Da aprovação da reforma Trabalhista à posse de goianos em cargos célebres no âmbito federal, os fatos que marcaram 2017 merecem ser relembrados.

Nesta retrospectiva política, o Jornal Opção faz um breve relato do que foi destaque em Goiás e no Brasil neste ano.

Confira:

Polêmica na eleição na Câmara Municipal de Goiânia

Presidente da Câmara de Goiânia, Andrey Azeredo, no dia da eleição | Foto: Jornal Opção

O ano começou com controvérsia na Câmara Municipal de Goiânia. A eleição que elevou o novato Andrey Azeredo (PMDB) ao posto mais alto do Legislativo goianiense chegou a ser questionada na Justiça.

Vereadores da oposição questionaram a interferência do setor imobiliário nas articulações para a escolha dos integrantes da mesa diretora, bem como das comissões. Os próprios repórteres do Jornal Opção identificaram representantes de construtoras circulando pelo plenário no dia do pleito.

Um dossiê de vídeos, imagens e depoimentos dos próprios parlamentares denunciou ainda que Wladimir Garcêz, preso na Operação Monte Carlo por supostamente ser operador do contraventor Carlos Cachoeira, influenciou diretamente na eleição.

Apesar da polêmica, a própria Justiça negou uma liminar para a realização de uma nova eleição. O caso segue judicializado, mas, um ano após o ocorrido, o grupo que elegeu Andrey Azeredo se desfez e a história não prosperou.

Rodrigo Maia é “reeleito” presidente da Câmara; goiano Jovair Arantes disputa

Rodrigo Maia comemora “reeleição” à presidência da Câmara | Foto Lula Marques/Agência PT

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi “reeleito” presidente da Câmara dos Deputados no dia 2 de fevereiro. Com 293 votos, ele foi mantido no cargo que ocupa desde julho do ano passado, quando substituiu o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso por corrupção.

Houve diversos questionamentos sobre a legalidade da candidatura, já que ele estava no cargo, em um mandato-tampão. O STF referendou a eleição.

A grande surpresa do pleito foi a candidatura do deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), que acabou em segundo lugar, com 105 votos.

Ministro Teori Zavascki morre em acidente de avião. Alexandre de Moraes assume no STF

Teori Zavascki e Alexandre Moraes | Fotos: Rosinei Coutinho/ Fábio Pozzebom

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki morreu no dia 19 de janeiro, aos 68 anos, em um acidente aéreo. Na Corte desde 2012, foi o ministro responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, tratando dos processos dos investigados com foro privilegiado. Apesar das teorias da conspiração, o caso foi confirmadamente um acidente.

O presidente Michel Temer (PMDB) indicou, em fevereiro, o então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (que era filiado ao PSDB), para ocupar a vaga deixada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Aécio Neves é afastado pela Justiça, mas Senado devolve mandato 

Aécio Neves foi levado pelo furacão das denúncias | Foto: Jefferson Rudy

Se tem um político que sofreu durante o ano de 2016, este foi Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano que mais chegou perto de conquistar a Presidência da República, com mais de 51 milhões de votos em 2014, transformou-se em pó frente à opinião pública.

Isso porque o parlamentar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e obstrução de Justiça, acusado de receber R$ 2 milhões em propina do empresário Joesley Batista, dono da empresa JBS, com o qual foi gravado, em ação controlada pela Polícia Federal, em conversas suspeitas. Em delação premiada, o executivo assumiu o repasse ilegal.

O dinheiro teria sido solicitado pelo próprio Aécio, cujo objetivo seria cobrir despesas com advogados. Em troca, ele teria oferecido sua influência política para a escolha de um diretor da mineradora Vale. Ele negou as acusações, afirmando que a quantia se refere a um empréstimo particular.

Aécio Neves chegou a ser afastado do Senado pelo STF, mas o plenário acabou devolvendo o mandato em outubro deste ano. A irmã do senador, Andréia Neves foi presa pelo suposto envolvimento nos esquemas.

Nas recentes pesquisas de intenção de voto, o tucano, que já foi governador de Minas Gerais, não teria nem 15% dos votos — ficando em quarto lugar na preferência dos mineiros.

Irmãos Batista ameaçam a República, mas acabam presos

Joesley e Wesley Batista prestam depoimento à CPMI da JBS: ambos ficaram calados | Fotos: Câmara dos Deputados/ Marcelo Camargo

Os goianos Joesley e Wesley Batista, acionistas principais do grupo J&F – bem como os executivos Ricardo Saud, Demilton de Castro, Valdir Boni, Florisvaldo Caetano e Francisco de Assis e Silva – assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e entregaram esquemas de corrupção envolvendo cerca de 2 mil políticos.

A delação da JBS, como ficou conhecida, serviu de base para a primeira denúncia do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer (PMDB), a quem acusou de corrupção passiva após o empresário entregar gravações de conversas suspeitas com o mandatário.

No entanto, após uma série de reviravoltas, a própria PGR pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) anulação do acordo dos benefícios da delação premiada de Joesley Batista e de Ricardo Saud.

Após descobertas de que os irmãos teriam usado a delação para não só manipular o Judiciário, mas também o mercado (lucraram com a divulgação dos controversos áudios), acabaram presos pela Polícia Federal.

Os colaboradores da JBS são acusados de esconderem do Ministério Público fatos criminosos que deveriam ter sido contados nos depoimentos. A conclusão de que os delatores omitiram informações passou a ser investigada pela PGR a partir de gravações entregues pelos próprios delatores como complemento do acordo.

Denunciado pela PGR, Câmara livra Temer 

Michel Temer: motivos de sobra para sorrir | Foto: Filipe Cardoso/PMDB Nacional

Se os irmãos Batista se deram mal, quem saiu “bem na fita” foi o presidente Michel Temer (PMDB). O plenário da Câmara Federal rejeitou a admissibilidade da denúncia da PGR contra o peemedebista.

Apesar de 251 favoráveis ao prosseguimento da investigação, o número não foi suficiente (o mínimo era de 342 votos). Assim, como não houve autorização Legislativa, o Supremo Tribunal Federal (STF) não tem autorização para investigar Temer, acusado de corrupção passiva.

Ele foi o primeiro presidente da história denunciado no exercício do mandato e, para evitar o afastamento (de até 180 dias caso a denúncia fosse aceita), liberou centenas de milhões em emendas parlamentares.

O então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou no dia 26 de junho o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS.

O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, também é uma das provas usadas no processo. O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também foi denunciado pelo procurador pelo mesmo crime.

Loures foi preso no dia 3 de junho por determinação do ministro Edson Fachin. Em abril, foi flagrado recebendo uma mala contendo R$ 500 mil, que teria sido enviada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. Segundo a PGR, Temer era o real destinatário da mala.

Após intensa polêmica, Reforma Trabalhista é aprovada e sancionada

Ato de protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência Social na Esplanada dos Ministérios | Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O Congresso aprovou e o presidente Michel Temer (PMDB) sancionou o projeto de lei que estabelece a reforma trabalhista e altera regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As novas diretrizes já estão em vigor desde novembro.

Controversa, a reforma estabelece, por exemplo, que alguns pontos da legislação podem ser negociados entre empregadores e empregados. Entre as mudanças estão o fim da contribuição sindical, a possibilidade de parcelamento de férias em até três vezes no ano e a regulamentação do trabalho remoto, o home office.

Entre as questões que não podem ser modificadas estão o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o salário mínimo, 13º salário, seguro-desemprego, licença-maternidade e benefícios previdenciários.

Apesar da vitória, Temer não conseguiu fazer avançar a reforma da Previdência: mudou o texto, liberou emendas aos parlamentares, mas até agora não tem nem perto dos votos necessários.

Uma goiana no comando da Procuradoria-Geral da República

Cerimônia de posse de Raquel Dodge |Foto: Marcos Corrêa/PR

Após quatro anos de mandato, Rodrigo Janot deixou a Procuradoria-Geral da República (PGR) no começo de setembro. Quem assumiu o posto mais alto do Ministério Público foi a goiana Raquel Dodge.

Indicada pelo presidente Michel Temer (PMDB), ela foi escolhida mesmo não tendo sido a mais votada da lista tríplice de indicações da associação de procuradores.

Integrante do Ministério Público Federal desde 1987, Raquel Dodge é natural de Morrinhos (GO) e a primeira mulher a exercer o cargo de procuradora-geral da República.

Demóstenes Torres filia-se ao PTB e volta à cena política

Demóstenes Torres assina ficha de filiação ao PTB | Foto: Ruber Couto

Sem nenhuma pendência judicial após ter enterrado todos os processos que o incriminavam, o ex-senador Demóstenes Torres voltou à cena política de Goiás e se prepara para disputar mandato em 2018.

Cassado em 2012 por suposto envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, Demóstenes filiou-se ao PTB do deputado federal Jovair Arantes e pretende concorrer a um cargo público no próximo ano.

Condenado por corrupção, Lula é favorito para o Planalto em 2018 

Ex-presidente Lula em uma das caravas pelo País que realizou em 2017 | Foto: Ricardo Stuckert

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou em julho o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A condenação é relativa ao processo que investigou a compra e a reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Apesar da sentença, Lula recorre em liberdade. O magistrado afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente.

No entanto, nem a decisão foi suficiente para derrubar a escalada de Lula nas pesquisas de intenção de voto para o ano que vem. O petista lidera com folga em todos os levantamentos divulgados e só uma condenação em segunda instância para impedi-lo de concorrer.

O problema é que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, já marcou o julgamento da apelação do ex-presidente contra a sentença do juiz Sérgio Moro. No dia 24 de janeiro de 2018, a expectativa é que a condenação seja mantida.

Alexandre Baldy assume Ministério das Cidades

Temer e Baldy durante a posse | Foto: Alan Santos/ PR

O deputado federal Alexandre Baldy (Sem partido-GO) assumiu uma das principais pastas do governo federal. A convite do presidente Michel Temer (PMDB), o goiano tomou posse em novembro como ministro das Cidades.

Baldy chegou à Esplanada com o respaldo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e por indicação do maior partido do chamado Centrão, o PP, ao qual pretende se filiar.

O Ministério das Cidades, responsável por programas como o Minha Casa Minha Vida, ficou desocupado quando Bruno Araújo, deputado pelo PSDB de Pernambuco, pediu exoneração do cargo na debandada tucana do governo.

Alckmin assume PSDB; Marconi é primeiro vice-presidente

Marconi e Alckmin na convenção do PSDB | Foto: reprodução

Após uma intensa disputa entre o senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, o PSDB acabou alçando o governador Geraldo Alckmin (SP) ao comando do diretório nacional do partido.

O acordo foi costurado pelo goiano, que era favorito para vencer a disputa, e uma tentativa da sigla de manter a unidade e chegar forte a 2018, quando lançará Alckmin à Presidência da República.

Marconi Perillo foi escolhido como primeiro vice-presidente e assumirá o comando do diretório nacional quando o paulista der início à campanha.

PMDB chega a 2018 com nome definido para o governo de Goiás

PMDB unido: sem Caiado em 2018 | Foto: Alexandre Parrode

O último encontro do PMDB, realizado em dezembro, serviu para duas coisas: consolidar as mudanças que o deputado federal Daniel Vilela promoveu após assumir o comando do partido e seu nome como pré-candidato ao governo de Goiás.

A um auditório composto por vereadores, prefeitos, deputados e lideranças, o jovem parlamentar foi praticamente definido como o nome da principal legenda de oposição na disputa do ano que vem.

Com isso, as articulações e investidas do senador Ronaldo Caiado (DEM) para que o PMDB o apoie a governador foram sepultadas. Ante sua ausência, os discursos do dia reconheceram a impossibilidade de uma aliança no primeiro turno, pois nenhum dos lados pretende abrir mão da cabeça de chapa.

Até vozes que ecoavam (em especial nos bastidores) em favor do democrata dentro do PMDB acabaram tendo que ceder em favor de Daniel Vilela. É o caso do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que fazia discursos comedidos sobre 2018, em especial pela relação muito próxima com Caiado.

Apesar de liderar as pesquisas de intenção de votos, o senador do DEM, ao que tudo indica, terá muita dificuldade de viabilizar uma chapa forte de oposição sem o PMDB.

Paulo Maluf é condenado e vai para prisão

Paulo Maluf | Foto: Leonardo Prado/ Câmara dos Deputados

Aos 86 anos, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), foi preso pela Polícia Federal em dezembro deste ano. Ex-governador de São Paulo, o político é um dos ícones da impunidade no Brasil e já foi condenado até pela Justiça francesa.

Acusado de receber propina de contratos públicos com empreiteiras no período em que foi prefeito de São Paulo (1993-1996), Maluf foi condenado a mais de sete anos de regime fechado. 

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