Operação mira grupo suspeito de caçar e vender tartarugas capturadas em área de proteção no Araguaia
01 outubro 2026 às 12h33

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Uma operação deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira, 30, desarticulou um esquema de caça, comércio e abate de tartarugas que atuava no Parque Estadual do Araguaia, na região leste de Mato Grosso. Batizada de Operação Iurará, a ação foi conduzida pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e cumpriu oito mandados de busca e apreensão em propriedades rurais e endereços residenciais e comerciais nos estados de Mato Grosso e Goiás.
As investigações apontam que um fazendeiro e empresário do ramo de cosméticos liderava o grupo, utilizando uma fazenda de sua propriedade para coordenar ataques a um refúgio de animais silvestres situado dentro de uma unidade de conservação.
Conforme a corporação, os suspeitos podem responder por crimes como caça, venda e comércio de animais silvestres, além de abate, dano ambiental e associação criminosa. A operação contou com o auxílio da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao todo, foram cumpridas ordens judiciais em cinco propriedades rurais no município de Ribeirão Cascalheira, a cerca de 900 km de Cuiabá, além de dois endereços residenciais em Goiânia e um estabelecimento comercial em Aparecida de Goiânia. De acordo com a PC, as investigações revelaram que o grupo liderado pelo fazendeiro realizou ataques ao Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Quelônios do Araguaia, unidade de conservação na margem do Rio das Mortes, localizada nos municípios de Ribeirão Cascalheira, Cocalinho e Nova Nazaré, no Mato Grosso.
O empresário, que possui uma propriedade às margens do Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira, usava a localização da fazenda (situada em frente à área protegida) para praticar os crimes. Ele contava com a participação de outros suspeitos, entre eles a própria esposa e funcionários da propriedade. A suspeita é de que os animais capturados fossem destinados à venda clandestina no mercado ilegal.
A investigação da Polícia Civil indica que a caça ocorreria de forma recorrente no refúgio, que fica próximo ao Parque Estadual do Araguaia. Entre setembro e outubro, durante o período de seca, praias de areia surgem às margens dos rios da região. É nesses locais que a tartaruga-da-Amazônia, também conhecida como iurará, costuma se concentrar para se reproduzir e fazer a desova.
A movimentação dos animais durante a reprodução acaba facilitando a localização por caçadores, tornando esse período especialmente visado pela caça ilegal. Além da tartaruga-da-Amazônia, outras espécies de quelônios, como o cágado, também aparecem entre os animais que seriam alvo dos caçadores.
A área investigada faz parte de um conjunto de unidades de conservação no Vale do Araguaia. Entre elas está o Parque Estadual do Araguaia, uma das maiores áreas de conservação estaduais de Mato Grosso, com mais de 223 mil hectares. O parque é de proteção integral e está situado na faixa de transição entre o cerrado e a floresta amazônica, reunindo fauna, flora e paisagens variadas, como campos que alagam na cheia, campos de murundus, cerrado, cerradão, mata inundável e mata seca.
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