“O que fizeram comigo foi uma atrocidade”, diz Sebastião Peixoto após depoimento no MP-GO

Presidente afastado do Imas garante sua inocência e diz que “estrago” com ele já foi feito

Sebastião Peixoto deixou Gaeco na tarde desta segunda, 25, após depoimento | Foto: Luiz Philipe/Jornal Opção

Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 25, o presidente afastado do Imas, Sebastião Peixoto, disse que é inocente e afirmou, nervoso, que sua prisão foi uma “atrocidade”. Para ele, a decisão foi política, por ser pai do deputado estadual Bruno Peixoto e do vereador Wellington Peixoto.

“Não devo nada, tudo tranquilo, comprovei, não devo nada, estava internado, passando mal”, declarou. “O meu estrago eles já fizeram, não tem reparação, agora Deus vai mostrar a verdade, o que eles fizeram com um homem sério. Tudo não passou de política, eu fui massacrado e sou inocente”, afirmou indignado.

Segundo Peixoto, não houve desvio de R$ 10 milhões, como afirmam as investigações. “O que existe é um orçamento nesse valor em um contrato de 5 anos”, explicou. Ele ainda reiterou sua revolta e acusou a imprensa por tê-lo exposto.

“Eu estava internado, não podia nem vir depor”, disse. Sobre Carlos Bahia, o ex-diretor do Imas, ele garante que a empresa supostamente de fachada é legal. “O contrato passou pela Controladoria, que certificou tudo, tudo certo, agora, se houve depósito errado, o problema é deles, não meu”, assinalou.

O município nunca tomou um centavo de prejuízo, não existe formação de quadrilha, mas o estrago comigo, que sou inocente, já foi feito”, finalizou.

Sebastião foi preso na quinta-feira, 21, investigado na Operação Fatura Final. Mas foi liberado na sexta, 22, após decisão da justiça e agora responde processo em liberdade. Na tarde desta segunda ele prestou depoimento no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Além dele, Carlos Bahia,  o médico Ulisses Luís Dias também foram ouvidos.

Entenda

De acordo com o Ministério Público, os investigados na Operação Fatura Final falsificavam documentos para apropriar-se de verbas do Imas. Ao todo foram cumpridos, na quinta, 21, seis mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão, todos em Goiânia. Além de Peixoto, também foi decretada a prisão de outros quatro servidores que participaram do esquema e da advogada Luiza Ribeiro. Os servidores são Carlos Bahia, Ulisse Luis Dias, Gleydson Jerônimo da Silva e Fernanda Hissae.

Até agora só Carlos Bahia e Ulisses Luis Dias permanecem presos. As fraudes, sgundo o MP-GO aconteciam em atendimentos médicos inexistentes, registrados em uma clínica de fachada que foi credenciada no IMAS por contrato celebrado no valor de RS 10 milhões.

Os promotores apuraram uso indevido de registros de conveniados do IMAS em dezenas de procedimentos médicos fraudulentos, voltado para beneficiar a clínica conveniada e que era vinculada ao então Diretor de Saúde do próprio instituto, nomeado pelo então presidente e que atuava autorizando os procedimentos fraudulentos.

Além disso, apura-se a existência de outras fraudes no instituto, notadamente, o vultoso aumento de faturamento e benefícios para pagamento de hospitais e prestadores de serviço do IMAS.

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