O novo pior prefeito da história de Goiânia é o problema de sempre — Iris Rezende

Não havia condição de Paulo Garcia administrar bem, porque Iris deixou a prefeitura arrebentada. Mas, entre outras crises, a crise do lixo é filha do peemedebista

Iris Rezende deixou uma herança maldita para Paulo Garcia mas finge que é o herdeiro desta herança maldita

Nilson Gomes

A atual gestão municipal é a pior da história de Goiânia, capitaneada pelo casal de xarás craques em velhacaria. O comandante, que deveria ser o prefeito, se recusa a administrar, talvez porque gerenciamento nunca tenha sido a sua praia (aliás, Deu Praia é o nome de um dos sinais de que Goiânia não tem prefeito, pois uma cervejaria usa uma quadra de lotes baldios, e lote baldio aqui é mato e mato aqui é praga, e nele arrebenta os tímpanos da vizinhança no Setor Marista até de madrugada – imagine como deve estar na Região Noroeste…).

O protagonista da omissão é Iris Rezende, uma mistura de Viúva Porcina com Bibi Perigosa, que não quer governar por não ter em quem colocar a culpa por sua incompetência.

No antigo papel de Viúva Porcina, Iris é o gestor sem nunca ter sido, porque seu mandato ainda não começou na prática, apesar de sua gestão ter amealhado mais de 4 bilhões de reais (“A receita total estimada para 2017 chega a R$ 4.543.614.066”, informa o site oficial da prefeitura). Não iniciou sequer o rala-rala com a Câmara, talvez porque até seus puxa-aqueilos mais ferrenhos estejam fugindo da companhia desagradável.

Iris é um Bibi Perigoso porque agride quem não pode se defender: monstruosamente, atribui seu fracasso ao antecessor/sucessor Paulo Garcia, morto no último 30 de julho. Amigos e familiares de Paulo Garcia dizem que sua morte foi provocada, também, pelos aperreios advindos, inclusive, da campanha de incineração de sua honra, em parte gestada no colo do Bibi Perigoso. A política de esmagar reputação implantada pelo PMDB, o partido-ônibus que está se transformando em sigla-rabecão, já assassinou diversas pessoas em Goiás. O caso mais rumoroso foi o do jornalista e procurador Haroldo de Britto, poeta genial premiado internacionalmente. Paulo Garcia pode ser acrescentado ao rol. PMDB é o partido de Iris e de cada vez menos gente e a pouca gente séria ali abrigada se envergonha dessa novela cujo final já se sabe: taca, taca, taca, taca, taca.

Outro personagem no qual Iris se traveste é o de Geddel de Goiás. Passeia em sua biografia a mala com R$ 5 milhões de reais que circulou por Goiânia nos anos 1990 e deu no Caso Caixego, que deu em nada. Em valores atuais, fora a fabricada inflação oficial, o dinheiro vivo que o PMDB usou —segundo o Ministério Público — para comprar voto naquela época ultrapassa os 51 milhões de Geddel Vieira Lima.

Iris complicou Paulo Garcia

Assim o Geddel Bibi Porcina construiu sua trajetória, arrebentando as finanças públicas e complicando a vida do sucessor. Por isso, em 60 anos de carreira, apenas duas vezes concluiu mandato: como senador, porque foi surrado em 1998 por Marconi Perillo e não chegou a governador; como prefeito, em 2008, mas 15 meses depois abandonou Goiânia para tomar nova bordoada de Marconi em 2010. E, mais uma vez, largou a bomba na mão do sucessor – no caso, Paulo Garcia.

Não havia a mínima condição de Paulo Garcia administrar bem, porque Iris deixou a prefeitura arrebentada. E ele a tudo suportou calado. Veículo de comunicação de circulação nacional acaba de incluir Paulo Garcia entre os campeões nacionais de baixa popularidade, com 5%, à frente apenas de Temer, Pezão e Pitta. A mesma publicação aponta o motivo do índice de Paulo Garcia: a crise do lixo. Sim, ela explodiu com Paulo, mas por herança de Iris, que danificou os cofres da Comurg, sucateou máquinas e equipamentos, descumpriu contratos. Por isso, a companhia de limpeza ficou sem coletar os resíduos. Fiel, Garcia não levou a mensagem à população: “Quem fez essa sujeira, literalmente, foi o Iris”.

A covardia se intensifica ao atribuir ao antecessor os males que ele, Iris, fabricou e agora são revelados. Com a vítima predileta assassinada, sem poder se defender, virou o alvo para a própria equipe. Dias atrás, um pobre-diabo sofreu assédio moral tão violento que se viu obrigado a deixar o primeiro escalão. Iris dizia que era dele, pobre-diabo, a culpa por Goiânia não estar arrecadando. É o contrário: a arrecadação é multibilionária. O problema está na cadeira do diabo-rico.

Iris é famoso por nomear secretário qualquer bicho de orelha, inclusive porque os mequetrefes em nada mandam, quem manda é ele, só ele, o tirano Sauro. Agora, o desgaste da fórmula atingiu seu apogeu. A equipe, novamente péssima na média, de nível abaixo de diferencial de sapo, continua mandando em exatamente nada, com a novidade de que Iris também não manda mais nem na própria saliva. Como o poder não deixa vácuo, alguém resolveu assumir a direção – terá sido ela, a Iris, a primeira-dama? A reconhecida falta de jeito de Iris Araújo para gerir qualquer coisa que não seja uma panela resulta no caos sofrido atualmente por Goiânia.

A cidade parece ter saído de uma refrega entre o ditador líbio e o Estado Islâmico.

O lixo tomou conta de tudo.

É recorde o número de buracos para outubro, antevendo-se um fevereiro lunar.

Já são mais de 100 mil crianças sem creches ou passando necessidade, inclusive as filhas de trabalhadoras que desistiram depois da enésima inscrição inútil.

Saúde pública é apelar para as unidades do Estado e as federais.

A Comurg vai ser vendida para algum ferro-velho da Vila Canaã, pois no atual ritmo não haverá de sobrar nada inteiro na surrupiada empresa.

Os prédios públicos estão caindo aos pedaços.

Goiânia está sem prefeito

A piada pronta estaria sendo novamente encenada: a moça mais importante de alguns órgãos é a que distribui papel higiênico – “Medido, meio metro e mais nenhum centímetro”, brinca um servidor efetivo que leva o próprio rolo.

Aliás, rolo é o que não falta. E os mal intencionados, inclusive os que causaram problemas em gestões passadas, são figurinhas carimbadas do álbum do cacique. Faz-se de conta que os supostos gatunos chegaram de Marte diretamente para o Mutirama, o Zoológico, a Amma/Semma, a AMT/SMT. Não, eles foram gerados no ventre que nunca lhes faltou. São tão terráqueos quanto os milhares de fantasmas colocados à disposição – e disposição é algo que essa gente jamais teve.

Resumindo, Goiânia está sem prefeito – a menos que alguém aí considere Dona Iris a mandatária, dê-lhe posse logo e deixe aquela cabeça privilegiada mandar… isso aqui logo pros ares. Quando o executivo de direito rejeita o cargo, alguém o assume. Já assumiram. E não foi Dona Iris, mas uma malta implacável: os especuladores imobiliários, os promotores de eventos ilegais, a máfia das poluições (sobretudo a sonora, a visual e a dos rios), as quadrilhas da sonegação, os destruidores do lençol freático. Tais desrespeitadores da lei governam Goiânia. Como as autoridades encarregadas da fiscalização fingem que está tudo bem aqui em Zurique, não há o que fazer além de torcer para Iris repetir os mandatos anteriores e renunciar com rapidez. Seria ótimo se fosse em abril, com a desculpa de ser candidato novamente a governador para levar nova peia. Se não sair oficialmente, Iris poderia passar o restante do mandato em alguma de suas fazendas nababescas, compradas com dinheiro honesto de quem há 60 anos vive de salário e consegue fazer a mágica de adquirir bens milionários.

Vindos de Brasília e (pasme!) São Paulo, além de (pasme de novo!) Paraguai e Bolívia, trambiqueiros travestidos de vendedores ambulantes ocupam o espaço dos comerciantes legalmente estabelecidos. O que faz Iris? Mutirão para pintar meio-fio. Os cursos d’água secaram, traindo a origem da capital, que só foi erguida neste local pela riqueza hídrica. O que faz Iris? Mutirão para cortar cabelo.

Os métodos administrativos arcaicos nada têm a ver com a idade do prefeito, mas com sua recusa em aprender, que também não é nova: vem dos tempos de estudante. Iris é contra tecnologia. Acha que computador é uma máquina de escrever com uma televisão em cima. Pensa que smartphone é o celular da manicure. Pesquisa, para ele, é só a de intenção de votos. Inovação? Deixa como está para ver como é que fica bão bissurdo. Goiânia está encardida? Sua providência é distribuir enxadas na tentativa de fazer o povo trabalhar de graça para a prefeitura, capinando os terrenos da máfia dos loteamentos.

Lucros dos mafiosos

Mafiosos estão mesmo sorrindo muito, mas lucrando mais ainda. Estão desarticulados os sistemas de fiscalização. Som alto? Não é com o prefeito, pode liberar show em área residencial, pode fazer o que quiser. Bueiro lacrado? Não é com ele, até porque a prefeitura é a maior responsável por jogar entulho nos lugares por onde deveria passar enxurrada. Escorpião em área baldia? Não é com ele, pois Plano Diretor quem resolve é a máfia dos loteamentos. Menino na rua por ausência de creche? Não é com ele. Promessa descumprida? Não é com ele. Ônibus como palco de crimes? Não é com ele, apesar de há pouco ter feito uma licitação de migué e inventado a coincidência de as mesmas empresas ganharem as mesmas linhas, perpetuando o sofrimento do usuário. Sofrimento da população é com Iris.

Goiânia já aguentou Iris demais. Agora, aguenta dois – o que não quer administrar e a que não quer largar a picanha. Se fiscalizar desmando fosse atribuição da Câmara Municipal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas, tamanho sofrimento estaria perto do fim. Epa! Esperaí: se esse pessoal não combater essa bandalheira e impedir a ladroagem, o jeito é ir ao show do sertanejo universitário que não nos deixa dormir e beber uma cerveja num boteco montado na calçada ou instalar aparelhos de ar-condicionado ao lado da janela do quarto do vizinho, que esse calor está terrível e isso também não é com o Iris, porque ele já fez até chover em Goiás, mas ultimamente é só taca, taca, taca, taca, taca, taca, taca, taca, taca, taca, taca, taca no lombo dos pobres-diabos dos contribuintes. E prepare os tímpanos que Deu Praia.

Nilson Gomes é jornalista.

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ANTONIO

e Nilson tá parecendo o velho Edson na pagina policial do DM

Marcos

E outra coisa que convém dizer: Se Iriz fosse eleito governador na última disputa com Marconi, Goiás estaria um caos. Porque Iriz não tem conceitos e práticas modernas de gestão. Muito discurso e pouca ação!

Marcos

Corrigindo:” Iris’

Gabriel Mendes

Sr. Jornalista concordo em grande parte com o que vossa pessoa teve a audácia de escrever sobre o Íris. O homem não tem mais jeito não. Se não administra com eficiência abram o bico. Em Goiânia já tivemos na Prefeitura. Daniel Antônio (aquele da ponte de carpete), hoje passa necessidades. Parece que o Estado está pensando em cuidar dele com uma renda mensal de subsistência dada tamanha burrice daquela triste figura. O Wilson, chamado Pedro, virou à ocasião de sua administração o Pedro Parado. Triste tempo. O Darci para mais nada de importante foi eleito. Ostracismo até encontrar a morte.… Leia mais

DIOGENES LUIZ

EU OLHO PARA O IRIS E NÃO TEM COMO NÃO LEMBRAR DO SEU IRMÃO GÊMEOS DE MDB TEMER (MAIS DINHEIRO VAMOS LEVAR DOS BRASILEIROS)

Otoniel Morais

Carrasco do servidor público. Sua fórmula é roubar e colocar a culpa em quem estudou.

maria da gloria martins

O Íris tinha a oportunidade de fechar essa gestão com chave de ouro, mas não, deixou Goiânia às traças… taí a importância de escolher o candidato na hora de votar… eu imaginava q isso iria acontecer. É lamentável!