O determinismo histórico existe?

Estudos em mecânica quântica revelam que no microcosmo tudo se comporta de forma probabilística, sem nunca uma certeza

Marcos da Rocha Lima
Especial para o Jornal Opção

Algumas pessoas dizem que na vida nada acontece por acaso e repetem que o acontecido já estava previsto ou escrito. Escuto em silêncio, mas me pergunto se será possível que o mundo seja assim. Será que tudo o que acontece faz parte de um determinismo histórico? Mas nem todos pensam desta forma, muita gente acredita que nada está determinado e que temos de lutar para que aconteça o que queremos.

Certa vez, numa palestra na Escola Superior de Guerra, o palestrante perguntou quem saberia dizer a razão pela qual países do Hemisfério Norte eram mais desenvolvidos que os do Hemisfério Sul. Ninguém soube responder. Ele esclareceu, então, que o Instituto Interamericano de Defesa, sediado nos EUA, fez um aprofundado estudo a respeito, concluindo que essa disparidade é causada pela diferença da religião predominante em cada região. No Hemisfério Sul, onde a maioria da população é católica, há o conformismo e a crença que tudo que acontece não é por acaso e está de acordo com os ditames de Deus. Já no Hemisfério Norte, com maioria protestante, ao contrário, acredita-se que “Deus ajuda quem cedo madruga” e que temos que fazer nossa parte para que Deus faça a dele. Essa diferença religiosa, concluiu o estudo do mencionado instituto, provavelmente é a causa das diferenças sociais e econômicas existentes entre os países dos dois hemisférios.

Entretanto, estudos em mecânica quântica revelam que no microcosmo tudo se comporta de forma probabilística, significando que uma determinada grandeza tem probabilidade de ter um certo valor, mas nunca uma certeza. De acordo com o “princípio da incerteza”, formulado pelo físico Werner Heisenberg em 1927, na escala subatômica não existe determinismo, nem tudo que se observa pode ser determinado ou medido com certeza.

Entre os leigos, fica a dúvida se essa incerteza, ditada pela mecânica quântica com relação ao microcosmo, aconteceria também no macrocosmo, influenciando nossa vida e contradizendo a hipótese do determinismo. De acordo com essas especulações, o nosso destino não estaria traçado, existindo apenas a probabilidade que aconteça de uma forma ou de outra. Temos que nos esforçar para que alcancemos aquilo que queremos. Aquele que luta poderá se livrar dos males que o aflige ou alcançar o que almeja, dizem os mais experientes.

Talvez nunca saberemos onde está a verdade. “Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”, já dizia Shakespeare no século 17. As dúvidas persistem, mas seja como for, com determinismo ou não, continuo com minhas orações a espera por dias melhores.

Marcos da Rocha Lima é engenheiro Civil pela UFG, mestre em Sistemas de Computação pela PUC/Rio, professor aposentado de Ciência da Computação (UFG) e ex-presidente da Telegoiás.

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