Novo sistema da Uber e mudanças no iFood motivam onda de paralisações de motoristas e entregadores
30 julho 2026 às 17h14

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Matéria atualizada às 17h10 desta terça-feira, 4, para acrescentar nova a Amobitec
Motoristas de aplicativo e entregadores iniciaram uma nova onda de paralisações em diferentes regiões do país em protesto contra mudanças implementadas por plataformas como Uber, 99 e iFood. As mobilizações têm como foco principal o novo sistema de Passe para Motoristas, adotado pela Uber e pela 99 em centenas de cidades, e o modelo +Entregas, do iFood, que, segundo trabalhadores, reduziram a rentabilidade das atividades e aumentaram os custos para permanecerem ativos nas plataformas.
Nesta semana, uma das principais manifestações ocorreu em Juiz de Fora (MG), onde motoristas de aplicativo, motoboys, motogirls e entregadores por bicicleta suspenderam as atividades por três dias. Em Florianópolis (SC), trabalhadores também realizaram protestos contra as novas regras, enquanto lideranças da categoria afirmam que grupos de Pernambuco, Rio de Janeiro e outros estados discutem novas mobilizações.
O principal alvo das críticas é o Passe para Motoristas, modelo em teste pela Uber e pela 99 que substitui a cobrança da taxa de intermediação por uma assinatura paga antecipadamente. Com o passe ativo, o motorista permanece com 100% do valor das corridas elegíveis, mas precisa desembolsar um valor fixo para ter acesso aos chamados durante um período determinado ou até atingir um limite de faturamento.
Motoristas afirmam, entretanto, que o sistema transfere para o trabalhador o risco da operação. Entre as reclamações está o fato de que a compra do passe não garante um volume mínimo de corridas capaz de compensar o investimento realizado, além da impossibilidade de cancelamento ou reembolso em casos de imprevistos, como problemas mecânicos no veículo ou questões de saúde.
No setor de entregas, as críticas se concentram no +Entregas, modalidade criada pelo iFood que exige o agendamento prévio de turnos e restringe a atuação do entregador a áreas previamente definidas pelo aplicativo. Segundo representantes da categoria, o modelo reduziu o valor médio das entregas e prejudicou principalmente quem atua no sistema tradicional, conhecido como “nuvem”, no qual o entregador escolhe livremente quais pedidos aceitar.
Além da revogação das mudanças, os trabalhadores reivindicam a criação de um piso de R$ 10 para corridas e entregas de até quatro quilômetros, acrescido de R$ 2,50 por quilômetro adicional, argumentando que os atuais valores não cobrem os custos com combustível, manutenção e depreciação dos veículos.
Empresas defendem novos modelos
Em nota, a Uber afirma que o Passe para Motoristas resulta em 0% de taxa de intermediação no acumulado semanal, conforme as condições contratadas, e que eventuais valores cobrados além do previsto são devolvidos aos parceiros até a terça-feira da semana seguinte. A empresa sustenta que o modelo amplia as oportunidades de ganhos e oferece maior previsibilidade sobre os custos da atividade.
A 99 também defende o sistema, chamado de Pacote Taxa Zero, afirmando que a remuneração da plataforma deixa de ser descontada em cada corrida e passa a ocorrer por meio da contratação de pacotes, tornando a cobrança “mais clara e previsível”.
Já o iFood afirma que o +Entregas não reduz os ganhos dos entregadores, pois combina uma remuneração fixa pelo período de disponibilidade com um valor adicional por entrega realizada. Segundo a empresa, o novo formato convive com os demais modelos de operação e cabe ao entregador escolher quando, onde e em qual modalidade deseja trabalhar.
Goiás
Até o momento, não há confirmação oficial de paralisações organizadas em Goiás nos moldes das registradas em Minas Gerais e Santa Catarina. O Jornal Opção procurou a Uber para saber se a empresa registrou mobilizações de motoristas parceiros no Estado.
A Uber respondeu para que a reportagem procurasse a Amobitec, associação que representa o segmento de mobilidade por aplicativo. A Amobitec disse que respeita o direito à realização de manifestações pacíficas e reforçam que mantêm canais de diálogo contínuo com os profissionais parceiros.
“As plataformas associadas à Amobitec atuam dentro de um modelo de negócio que busca equilibrar as demandas de todo o ecossistema do delivery – entregadores, lojistas e consumidores – e do transporte individual privado – motociclistas, motoristas e passageiros. Isso envolve considerar tanto a necessidade de renda de quem trabalha com os aplicativos quanto a realidade econômica dos clientes, que buscam formas acessíveis de utilizar o serviço. A Amobitec continua atuando para o aprimoramento do trabalho por meio das plataformas digitais e apoia a sua regulação, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e a segurança jurídica da atividade. E reforça que as associadas seguem abertas ao diálogo para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência. ”


