Novidade em Goiânia, movimento “bean-to-bar” prioriza qualidade e sustentabilidade na fabricação de chocolates

Empresária Ariana Ribeiro é a primeira a fabricar chocolates em pequena escala no conceito nascido nos Estados Unidos “bean-to-bar”. Com um processo diferenciado, os chocolates são produzidos com mais cacau, menos açúcar e sem gorduras que substituam a manteiga de cacau

C’alma Chocolates é a primeira marca goiana “bean-to-bar” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Em Goiânia, a empresária Ariana Ribeiro inovou em apresentar um novo tipo de chocolate desenvolvido de maneira completamente artesanal e sustentável. Pioneira em Goiás em trazer o movimento nascido nos Estados Unidos denominado “bean-to-bar” (do grão à barra), ela explicou ao Jornal Opção o significado do conceito.

“É um movimento de pessoas que se envolveram em fazer o próprio chocolate. O chocolate sempre foi feito por grandes marcas, em grande escala e com maquinários muito grandes. Essas pessoas resolveram fazer seu próprio chocolate em casa, em pequena escala, e não ficar refém das grandes indústrias, de um processo industrial muito pesado que acaba sacrificando a qualidade do cacau e explorando a mão de obra. A partir disso, começaram a desenvolver máquinas pequenas para este fim”, informou.

Ariana Ribeiro, proprietária da C’alma Chocolate
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ariana conta que antes de se envolver neste movimento era dona de um comércio fora do ramo da alimentação. Quando viu o chocolate pela primeira vez, achou interessante pela apresentação do produto em embalagem craft, mas ainda levou pelo menos seis meses até que o plano de fabricar os próprios chocolates amadurecesse.

Quando sua loja fechou, Ariana tinha dado à luz a sua primeira filha. “Eu estava fora do mercado e tinha um bebê. Então essa ideia do chocolate pipocou na minha cabeça. Eu nem sabia que existia isso. Eu pesquisei e foi aí que eu descobri o que era o movimento ‘bean-to-bar’ e que era possível fazer chocolate em pequena escala”, comentou.

“Depois de várias pesquisas, descobri que no Brasil já tinha uma pessoa dando o curso. Eu nem tinha o dinheiro. Peguei emprestado com minha tia. Fui para São Paulo e fiquei uma semana lá. Meu sogro estava nos Estados Unidos e eu falei com ele. Ele trouxe a máquina de moer dentro da mala. Na época, essa máquina ainda não era vendida no Brasil, hoje já tem. Aí já comecei a fazer as experiências e nunca mais parei. De lá para cá já são quase dois anos”, lembrou.

Conscientização

Com um processo diferenciado, os chocolates “bean-to-bar” são produzidos com mais cacau e menos açúcar, sem gorduras que substituam a manteiga de cacau, prioriza a valorização das pessoas que fazem parte do processo de produção e a qualidade do próprio cacau.

Movimento prioriza qualidade dos grãos de cacau e a forma de produção do chocolate, proporcionando um produto mais saudável e sustentável | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Com a comemoração do Dia da Natureza, no dia 4 de outubro, a Associação Bean-to-bar decidiu aproveitar para realizar uma campanha nas redes sociais e despertar o debate sobre a origem do cacau, as condições de trabalho nas indústrias, a fuga dos alimentos processados e industrializados e demais valores agregados ao movimento.

“O Dia 4 é apenas o lançamento, mas durante todo o mês terá postagens sobre isso. O objetivo é divulgar, levar as pessoas a conhecerem. Acho uma coisa legal”, pontuou a empresária.

São 16 cards virtuais postados no decorrer do mês nas mídias sociais da associação e dos associados. A campanha defende condições de trabalho e salários justos, envolvimento de trabalhadores rurais e pequenos produtores, cooperativas e populações ribeirinhas na degustação do chocolate; transparência nas parcerias; valorização da cadeia produtiva; geração de emprego rural e nas fábricas de chocolate; priorizar o cacau orgânico e sustentável, com iniciativas de reflorestamento e preservação das espécies, utilização de materiais sustentáveis para as embalagens; permitir com que o próprio produtor determine o preço de suas amêndoas; combate à degradação ambiental, caça predatória e desmatamento, além de outros.

De acordo com Ariana, grandes empresas determinam o preço pago aos produtores pelo cacau (um preço abaixo) e não se preocupam com a qualidade do cacau, utilizando em suas receitas o alimento sem a seleção adequada dos grãos, podendo até mesmo conter fungos e outros problemas que são encobertos pelo processo de alta industrialização.

Por essa razão, o custo do chocolate artesanal é mais alto do que aquele comprado nos supermercados. Ela conta também que o “bean-to-bar” ainda não é tão conhecido em Goiânia. “Fiz uma enquete no meu instagram perguntando para as pessoas se elas sabiam o que era o chocolate ‘bean-to-bar’ e a maioria respondeu que não. Pensei, caramba. Mas isso é uma ótima notícia. Eu acho legal fazer as pessoas conhecerem uma novidade”, disse.

Sem loja física, Ariana comercializa os chocolates artesanais por meio de sua loja virtual no Instagram. Para conhecer um pouco mais do movimento “bean-to-bar” e dos produtos, siga @c.alma.chocolate.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.