No Lollapalooza, trabalhadores apontam pagamento de R$ 50 por 12h de trabalho

Segundo padre da Pastoral do Povo de Rua, profissionais são moradores de rua explorados e situação também ocorreu no ano passado

Em reportagem da Folha de S.Paulo, foi apontado que trabalhadores que atuaram no carregamento de equipamentos na montagem do festival Lollapalooza tiveram jornada de até 12h, com diárias de R$ 50. O evento, que começou em São Paulo na sexta-feira, 5, e segue até domingo, 7, foi alvo de denúncia semelhante em 2018. A organização não respondeu às demandas do veículo de comunicação.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê jornada de trabalho de 8h, com possibilidade de mais 2h. O valor da diária seria de R$ 38,80, sendo que para cada hora extra o valor de 60 minutos trabalhados devem ser quitados com acréscimo de 50% do período normal. Ou seja, para 12h, o pagamento aproximado seria de R$ 68.

Moradores de rua

O padre Julio Lancelloti, da Pastoral do Povo de Rua, também fez denúncias pelo seu twitter. Segundo ele, os carregadores são moradores de rua e ganham R$ 45 e um marmitex pelas 12h, apesar dos valores do ingresso do festival.

Destaca-se que o ingresso de um dia do evento pode custar até R$ 800, enquanto o camarote com comida e drinks pode sair por R$ 1.420.

Além disso, em outra postagem o religioso fala em R$ 50 e explicita a cópia do contrato de 2018 que, segundo ele, é igual a deste ano.

Recrutamento

Ainda conforme a reportagem da Folha, moradores de rua que pediram para não serem identificados afirmaram que vans de empresas que prestam serviços para este tipo de evento pegam os trabalhadores no entorno de centros conhecidos como pontos de recrutamento. Ainda conforme eles, nem sempre há contrato.

Este recrutamento ocorreria ao longo de 15 dias antes e 15 dias depois do festival.

Investigação

No ano passado, a Pastoral do Povo de Rua denunciou uso de mão de obra de moradores de rua na montagem sem registro e condições de higiene e pediu que o Ministério Público do Trabalho (MPT) investigasse duas empresas de carregamento do evento.

A reportagem da Folha tentou contato com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia (o MPT foi extinto no governo Bolsonaro) e com a Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, mas obteve resposta.

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