“Não errei em nada”, diz Bolsonaro à Veja sobre conduta durante a pandemia

Em entrevista à revista “Veja”, o presidente Jair Bolsonaro disse que faria tudo novamente e reforça defesa ao tratamento com cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra à Covid-19

presidente Jair Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro | Foto:Alan Santos / Divulgação

Prestes a completar  1.000 dias de governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em entrevista à revista “Veja”, que em relação a sua conduta política na pandemia da Covid-19 faria tudo de novo. Cético em relação às vacinas, afirma que tomar ou não o imunizante deve ser uma opção, não uma obrigação, como exemplo, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que foi vacinada.

“Não errei em nada. Fui muito criticado quando falei que ficar trancado em casa não era solução. Eu falava que haveria desemprego e foi o que aconteceu. Outra consequência disso é a inflação”, enfatizou o presidente na entrevista, que ainda aproveitou para reforçar sua defesa a cloroquina, tratamento sem eficácia comprovada contra à Covid-19.

Para o presidente foi criado um tabu sobre o uso do medicamento. “Continuo defendendo a cloroquina. Eu mesmo tomei quando fui infectado e fiquei bom. A hidroxicloroquina nunca matou ninguém. O militar na Amazônia usa sem recomendação médica. Ele vai para qualquer missão e coloca a caixinha no bolso. O civil também”, disse à Veja.

Questionado sobre a demora  na compra de vacinas, Bolsonaro disse que no ano passado, não tinha vacina para vender. “No caso da Pfizer, havia um dispositivo na proposta que dizia que eles não se responsabilizavam pelos efeitos colaterais. Como posso comprar um negócio desse aí? […]tem que ter responsabilidade”, afirma.

“Essa CPI não tem credibilidade nenhuma”, diz

“Essa CPI não tem credibilidade nenhuma”. Mesmo que a CPI da Pandemia faça um relatório que acuse o presidente e o responsabilize sobre as mortes pela Covid no Brasil, fora ainda a tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF), e os inúmeros processos de impeachment, Bolsonaro parece não temer.

 “Vejo na CPI os senadores Omar Aziz e Renan Calheiros falando: “O governo Bolsonaro é corrupto”. Pois aponte quem por ventura pegou dinheiro”, disse à Veja, que em outro trecho destaca: “Estamos há dois anos e meio sem um caso de corrupção”.

Para muitos, Bolsonaro deveria estar preocupado com as pesquisas mais recentes que tem colocado seus opositores  a frente nas disputas de 2022 e sua  impopularidade com índices que só aumentam.

“De lá pra cá é a oposição, pô. Existem 100 pedidos de impeachment dentro do Congresso. Não tem golpe sem vice e sem povo. O vice é que renegocia a divisão dos ministérios. E o povo que dá a tranquilidade para o político voltar”, destaca trecho onde o chefe do Executivo diz que “chance de um golpe” de Estado “é zero”.

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