Nagib Rahimi: “Sou incapaz de analisar grandes processos, como o da Orca”

Analista da ex-Seplam disse que assinou documentos para outros servidores e que era responsável por aprovar, ou não, apenas obras de pequenos empreendimentos

Documento mostra assinatura de Nagib Rahimi no lugar da de Magali Daher | Foto: Reprodução/Alexandre Parrode

Documento mostra assinatura de Nagib Rahimi no lugar da de Magali Daher | Foto: Reprodução/Alexandre Parrode

O arquiteto e urbanista Nagib Rahimi afirmou à CEI das Pastinhas na Câmara de Vereadores de Goiânia, nesta sexta-feira (21), que era responsável por analisar apenas processos de construção de pequenos empreendimentos protocolados na extinta Secretaria Municipal de Planejamento (Seplam), durante 2007 e 2010, período em que Iris Rezende (PMDB) era prefeito da capital.

Porém, ele assinou documentos que concederam alvará para que a Orca Incorporadora, do senador Wilder Morais (DEM), levantasse prédio na Avenida Leblon com as Ruas da Caiçara e da Charita, no Setor Jardim Atlântico, já em março de 2011. Na época, o titular da secretaria era Roberto Elias de Lima Fernandes, que foi convocado para esclarecimentos.

“Eu não analisei o empreendimento do Jardim Atlântico da Orca [com 480 apartamentos]. Não tenho capacidade para analisar um projeto grande e, hoje, perco com isso. Era rotineiro assinar sem analisar e eu não pedi explicação a Kellen do motivo de ela estar assinando o projeto arquitetônico da empresa”, explicou, em curto e consistente depoimento, que durou menos de 15 minutos.

Nagib referia-se a Kellen Mendonça Santos, ex-chefe do Departamento de Aprovação de Projetos, contratada pela empresa de Wilder por R$ 10 mil para executar o projeto arquitetônico e urbanístico do empreendimento, como revelado pelo Jornal Opção Online no dia 18 de agosto. A suspeita é a que, após a admissão, ela tenha usado de sua influência no cargo de diretora para agilizar o trâmite do processo dentro da Seplam.

O pedido da Orca foi protocolado no dia 18 de outubro de 2007 e ficou parado até 12 de agosto de 2010 — data em que ela foi contratada — com a pasta vazia. Passados pouco mais de dois meses, o processo tramitou com sucesso e o alvará de construção foi concedido à incorporadora. Neste intervalo, se passaram dois anos, nove meses e 25 dias. Normalmente, um cidadão comum que deseja construir ou reformar enfrenta burocracia, podendo a resposta demorar mais de três anos.

O arquiteto, lotado atualmente na Gerência de Documentação, Cartografia e Topologia, também confirmou ter ido contra as atribuições de seu cargo ao assinar, no mesmo processo, no lugar destinado a Magali Teixeira Daher, ex-analista em Obras e Urbanismo da pasta. Ela foi a segunda servidora pública do município a prestar depoimento na CEI e não soube explicar os motivos do troca de vistos.

Ainda de acordo com Nagib, era comum que colegas de trabalho assinassem um pelos outros quando algum deles estava em férias ou doente. “Esse negócio tem mudado nos últimos seis meses na secretaria [de Planejamento Urbano e Habitação]”, indicou.

O presidente da CEI, o vereador Elias Vaz (PSB), comentou que chama atenção o fato de funcionários da Seplam serem protagonistas tanto na execução do projeto arquitetônico e na análise de projetos na pasta ao serem contratados por empreiteira. “Como no caso da Euroamérica e da Orca. Fica um negócio muito suspeito. E como dizer que não há nenhuma relação ou influência dos chefes junto aos subordinados? É difícil de acreditar.”

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