Na Câmara, Ministro da Educação joga culpa dos cortes em governos passados

Weintraub afirma que não houve evolução no segmento, mas “involução”, nos últimos anos

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Durante sua participação na comissão geral no plenário da Câmara dos Deputados, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que a gestão Bolsonaro não é a responsável pelo atual corte de gastos nas universidades. Segundo ele, a evolução no segmento, nos últimos anos, foi “involução” e não teve nada a ver com o governo atual.

“Nós não somos responsáveis pelo contingenciamento atual. O orçamento atual foi feito pelo governo eleito de Dilma Rousseff (PT) e do Sr. Michel Temer (MDB), que era vice. Nós não votamos neles. Então, nós não somos responsáveis pelo contingenciamento atual. Nós não somos responsáveis absolutamente pelo desastre da educação básica brasileira”, afirmou o ministro.

Debate

A afirmativa de Weintraub veio após a fala do deputado Orlando Silva (PCdoB-RJ), que falou da necessidade da fundamentação e justificativa dos cortes no orçamento das universidades federais, nos institutos federais, bem como nos cortes realizados no orçamento da educação básica, no que a União participa.

“Esta sessão não tem como objetivo conhecer o Plano Nacional de Educação, as suas metas e a sua evolução no último período, até porque, sobre as metas, inclusive, as metas em que o Brasil evoluiu, essa evolução não tem nada a ver com o atual Governo. Ao contrário, o risco é de que o Brasil não evolua no cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação, a seguir a lógica orçamentária, os cortes dos investimentos nas universidades brasileiras”, disse o deputado.

Visita obrigatória

O ministro foi convocado e teve que comparecer de forma obrigatória após votação a favor de 307 deputados a 82. Sua ida foi motivada para que pudesse justificar os cortes de 30% no Orçamento das universidades e institutos federais, nos gastos não obrigatórios.

Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), deputado e presidente da Comissão de Educação da Câmara, ao abrir a sessão falou em “guerra ideológica e polarização que busca revanchismo idelológico”.

Para ele, “a Comissão de Educação não vai deixar de cumprir o seu papel de fazer resistência, de proteger o orçamento da educação e de esperar que o rumo dado sejam soluções técnicas”. Ele pontuou, também, que as questões são sólidas e técnicas.

“Os diagnósticos são escancarados e precisam de solução. Queremos com o espírito de colaboração fazer mudanças. Queremos ajudar a construir essas soluções, mas para isso não podemos sacrificar o orçamento do MEC e não podemos fugir do debate evidente”, completou.

Fala inicial

Por 30 minutos, Weintraub explicitou brevemente a educação brasileira. De acordo com ele, 50% das crianças passam pelo ensino fundamental sem aprender a ler, escrever e fazer contas. Em sua dissertação, também defendeu o ensino técnico, que ele garantiu ser prioridade “no resto do mundo”.

Para Abraham, o ensino superior é o setor da educação onde o Brasil está melhor. Porém, isso ocorre, segundo ele, por conta do crescimento das universidades privadas. Mais uma vez ele citou que o intuito do governo é priorizar o ensino básico e técnico – que também tiveram cortes, vale ressaltar.

Ainda nesse momento inicial, o ministro falou a favor de investimentos em pesquisas nas áreas de ciências da saúde, ciências exatas, biologias, engenharia e agricultura, em comparação com pesquisas em ciências sociais e linguística. Ele disse que as primeiras citadas têm menos investimento e geram mais impacto na comunidade científica.

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