Mulheres tem pouco espaço para se tornarem competitivas de fato no cenário eleitoral brasileiro, diz especialista

A legislação prevê que do número de vagas de cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo

Apenas 1 a cada 10 candidaturas para as prefeituras são de mulheres | Foto: reprodução

Em Goiás as mulheres venceram as eleições em 34 cidades, se comparado com 2016 esse número era 32 e em 2012 foram apenas 25. Apesar da pequena melhora, pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nota-se que apenas 1 a cada 10 candidaturas para as prefeituras são de mulheres, 13% são candidatas para concorrer ao cargo no executivo municipal. Os números revelam ainda, que a luta feminina pelo espaço político de decisão ainda é longo e envolve um série de questões culturais e cotidianas da sociedade.

Deve-se ter em consideração que as mulheres são hoje 52,2% do eleitorado brasileiro, segundo aos dados do TSE. No entanto, elas ocupam a menor parte dos mais altos cargos públicos, sendo, 14,2% das prefeituras, 7% dos governos estaduais, ocupam 15% dos assentos na Câmara dos Deputados e 10% do Senado.

O Jornal Opção ouviu o cientista político, Guilherme Carvalho, que explicou os principais motivos que interferem na ocupação desse espaço político pelas mulheres. “As leis que vigoram atualmente dizem que 70% de candidaturas de cada um dos partidos deve ser de um gênero e pelo menos 30% de outro. O traço da sociologia política possivelmente vem nos mostrando desde que essa legislação vem vigorando é que na verdade esse espaço de 30%  são ocupados pelas mulheres seja qual for a unidade subnacional, federal, estadual, municipal, enfim todas as mulheres são minorias nas candidaturas”, afirma.

Segundo o especialista, existe uma grande dificuldade dos partidos em especial no que tange o recrutamento dessas mulheres. “Isso não se deve apenas porque a pouca disponibilidade de mulheres querendo ser candidatas como rasos argumentos dizem. Mas, tem haver com uma série de questões culturais que resvalam em outras perspectivas da vida cotidiana, por exemplo, a mulher tem participação no corpo da família, um papel muito mais central do que o homem em termos de cuidar dos filhos, isso fez com que culturalmente a mulher tivesse menos espaço de tempo para poder se engajar nos sistemas públicos”, pontua.

Construção história

Para o cientista político, o segundo ponto é o que é dado a essa construção histórica, que fez com que os homens ocupassem os espaços de poder que existem nessas instituições partidárias e eleitorais de um modo geral. “Sobrasse muito pouco espaço para as mulheres terem espaços decisórios, isso faz com que quando a candidatura vai ser registrada nesse sentido na distribuição de recursos partidários muito pouco é deixado para as mulheres e isso faz com que haja um desestímulo do ponto de vista do engajamento nas campanhas femininas”, completa.

Para Guilherme, o diagnóstico se refere também ao pouco dinheiro para as candidatura femininas. “Isso faz com que mesmo aquelas que tem interesse no engajamento, tenham pouco estímulo e acabam tendo que investir recursos próprios em suas campanhas. Dentro de seus próprios partidos elas tem muito pouco acesso a forma de serem eleitas, basta a gente ver a proporcionalidade nas casas legislativas que é um reflexo disso e mesmo nas prefeituras e assembleias legislativas também Brasil a fora”, ressalta.

Cenário geral

Com tudo isso, olhando de um modo geral as mulheres tem pouco espaço para se tornarem competitivas de fato no cenário eleitoral brasileiro. “Com o passar dos anos tem melhorado, tem sido constada algumas vagas a mais para as mulheres em casas legislativas, mas é algo muito tímido ainda, que não corresponde nem a proporcionalidade das cotas eleitorais, ou seja, não chega nem próximo dos 30%”, alerta o especialista.

Para ele é preciso compreender de fato os problemas sociais e culturais. “Para a sociedade é de fato a compreensão da proporcionalidade, em termos de mudança cultural, até como um princípio fundado na democracia liberal, de que oportunidades iguais devem ser dadas a todos independentemente do extrato social , do gênero, etnia e outros. A partir de uma perspectiva educacional eu enxergo que o estado deu o incentivo institucional, ou seja, a lei tentou acabar um pouco com a desigualdade, no entanto ele não deu o incentivo cultural que é educacional e quando eu falo educacional, eu não digo apenas do ponto de vista das escolas e universidades, mas do cotidiano”, conclui.

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