Mulheres com histórico de violência doméstica tem risco de morte quatro vezes maior que a população geral de Goiás

Além disso, a pesquisa mostrou que o tempo entre a primeira denúncia e a morte por causas externas é de cerca de até 30 dias

Protesto contra a violência contra a mulher. Foto: Vinícius Roratto

Nessa sexta-feira, 10, a Prefeitura de Goiânia divulgou dados preliminares de um estudo feito por meio de uma cooperação técnica entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a organização global de saúde pública Vital Strategies. O projeto nomeado de “Prevenção de violência de gênero por meio do pareamento de dados do sistema de saúde em Goiânia”, tem como objetivo estudar as trajetórias de mulheres vítimas de violência de acordo com dados do sistema de saúde da Capital.

Os resultados do projeto são importantes, pois, como afirmou a médica epidemiologista e assessora sênior da Vital Strategies, Fátima Marinho, é possível identificar possíveis padrões e perfis de mulheres que sofreram violência doméstica e que evoluíram para casos de maior gravidade.  

“Essa análise aprofundada permite identificar quais são os indicadores que podem ser usados para monitoramento de casos de mulheres vítimas de violência com maior risco de agravamento (que levem à internação ou óbito). Além disso, é possível identificar ‘oportunidades perdidas’, ou seja, casos em que uma intervenção precoce poderia ter evitado o desfecho fatal”, disse a médica.

Para o levantamento, foram pareadas 13 bases de dados com notificações de atendimentos feitos pelos sistemas de informação da SMS de Goiânia nos últimos dez anos (2010 a 2020). O resultado traz dados alarmantes. Segundo a pesquisa, no período analisado, foram identificadas 8.295 notificações de violência interpessoal contra mulheres de 10 a 59 anos na cidade de Goiânia, sendo 139 mortes, 78,9% foram em consequência de agressões e as demais por causas externas.

A pesquisa concluiu que mulheres com histórico de violência doméstica apresentaram um risco de morte por causas externas (traumatismos, lesões ou quaisquer outros agravos à saúde) quatro vezes maior que a população geral de Goiás e de Goiânia. Além disso, o tempo entre a primeira ocorrência de violência e a morte por causas externas é muito curto, cerca de 30 dias.

Os dados preliminares indicaram que quando ocorre o encaminhamento do caso de violência para a delegacia especializada e serviços da justiça, os óbitos e o risco de internação reduziram em 40% e 55%.

Entre as bases para avaliar os dados da pesquisa, estão a do sistema de mortalidade (SIM), que possibilita a identificação de casos que foram a óbito, a do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) e a do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS). Confira o percentual Sinan por faixa etária.

Principais agressores (notificações Sinan) de meninas e mulheres por faixa etária:

De 10 a 14 anos: familiares (40,0%)

De 15 a 19 anos: desconhecidos (38,7%)

De 20 a 34 anos: parceiros íntimos (35%) e desconhecidos (33%)

De 35 a 59 anos: parceiros íntimos (42%) e desconhecidos (28%)

Assim que concluído o estudo, que ainda está em etapa de conversas finais e levantamento de informações com gestores da Prefeitura e profissionais da rede de saúde da cidade, será construído um relatório completo com recomendações e sugestões de encaminhamento para melhoria da estratégia de enfrentamento da violência contra mulheres no município.

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