Mulher denuncia espancamento por policial militar em Cachoeira Dourada; PM nega agressão
12 maio 2026 às 11h30

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A secretária Claudiane Santos Silva denunciou nesta terça-feira, 12, ter sido vítima de uma violenta agressão física na noite do último domingo, 10, em Cachoeira Dourada, no sul de Goiás. Segundo relato da vítima, ela foi espancada por um policial militar, conhecido na região como Sargento Glaciel Andrade, com quem mantinha, no passado, vínculo de amizade e politicos.
Claudiane contou à reportagem do Jornal Opção que saiu de Itumbiara, onde mora atualmente, para passar o Dia das Mães com familiares em Cachoeira Dourada. Durante a viagem, o carro de aplicativo em que estava passou próximo a um bar onde alguns amigos estavam reunidos. Ela decidiu descer rapidamente para cumprimentá-los.
“Eu vi meus amigos e desci só para falar com eles. Em seguida encontrei uma prima que não via há muito tempo. Foi quando ele apareceu”, relatou.
De acordo com a vítima, o sargento se aproximou de forma agressiva e começou a arrastá-la para uma área sem alcance das câmeras de segurança do estabelecimento. Claudiane afirma que, naquele momento, acreditou que ele estivesse armado. “Ele me puxava com muita força. Eu sentia algo pressionando minha barriga e achei que fosse uma arma. Depois começou a me socar no rosto várias vezes”.
A mulher afirma que as agressões continuaram mesmo após ela já estar caída e ferida. Segundo o relato, a esposa de Glaciel também participou das agressões.
“Ele me segurava enquanto ela me batia. Eu estava toda ensanguentada. As pessoas gritavam que ele ia me matar, mas ninguém conseguia chegar perto porque ele estava muito agressivo e aparentava estar embriagado”, contou.
Ainda conforme Claudiane, após a agressão, o homem teria pedido para que ela não procurasse atendimento médico nem registrasse ocorrência policial.
“Ele falou para eu não ir ao hospital, não procurar a polícia e que no outro dia a gente conversaria para resolver”, afirmou.
A vítima foi socorrida por pessoas que estavam no local e levada ao hospital. Depois do atendimento médico, passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e registrou boletim de ocorrência.
Com hematomas no rosto, pescoço e nariz, Claudiane afirma que segue com dores e teme pela própria segurança. Ela informou que pretende solicitar medida protetiva.
“Eu moro sozinha com meus filhos. Tenho medo. Ele é uma pessoa perigosa e muito influente”, declarou.
Segundo a secretária, o suspeito já era conhecido dela há anos e os dois chegaram a ter proximidade durante campanhas políticas anteriores. Claudiane afirma, no entanto, que a relação se desgastou após divergências políticas.
“Eu apoiei ele no passado, mas depois deixei de apoiar. Ele nunca aceitou isso”, disse.
A vítima também relatou que vem sofrendo ataques e exposição nas redes sociais desde a repercussão do caso. Segundo ela, vídeos divulgados pelo suspeito tentam atribuir a agressão apenas à esposa dele.
“Ele está divulgando vídeos mentindo sobre o que aconteceu e tentando me desmoralizar”, afirmou.
Versão do policial
Procurado pela reportagem do Jornal Opção, o sargento da Polícia Militar Glaciel Andrade negou as acusações de agressão e afirmou que a confusão começou após Claudiane supostamente ofender sua família verbalmente.
“Eu estava com minha família no sábado, 10, com minha esposa e minha filha de oito anos. Quando estávamos indo para o meu veículo, escutamos uma moça, que é uma desafeta nossa, nos xingando de longe”, afirmou.

Segundo o policial, ele e a esposa retornaram ao local após ouvirem os insultos e, naquele momento, Claudiane teria agredido sua companheira.
“Ela deu um tapa no rosto da minha esposa, causando um corte. Minha esposa entrou em vias de fato com ela e revidou a injusta agressão, causando lesões nessa moça”, declarou.
O sargento também negou ter utilizado arma ou ameaçado a vítima durante a confusão. Segundo ele, a própria denunciante teria enviado um áudio em um grupo de mensagens desmentindo essa versão.
“A própria suposta vítima, no domingo, enviou um áudio informando que não teve essa história de arma. No vídeo ela fala que coloquei arma nela, mas no áudio que circulou hoje cedo ela diz que não teve isso”, afirmou.
Glaciel Andrade ainda alegou que Claudiane possui histórico de publicações ofensivas contra ele nas redes sociais.
“Ela já é acostumada a fazer vídeos nos afrontando. Existe vídeo do ano passado em que ela vive nas redes sociais nos difamando”, disse.
O Jornal Opção também procurou a Polícia Militar de Goiás para obter informações sobre o andamento das investigações e possíveis medidas adotadas no caso, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
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