Mulher abandona filhos para morar com ex-presidiário em ponto de ônibus no Distrito Federal

“Esse homem foi melhor do que ganhar na Mega-Sena”, diz faxineira apaixonada

Morada do casal ex-presidiário e da faxineira||Foto: Raquel Morais/G1

Morada do ex-presidiário e da faxineira||Foto: Raquel Morais/G1

A história desse casal de moradores de rua é no mínimo curiosa, os dois moram em um ponto de ônibus na DF-140. E a reação inicial à união causa algum espanto: Maria [nome fictício], de 45 anos, deixou os seis filhos com idade entre 16 e 22 anos para viver com o ex-presidiário João [também fictício], de 50, que diz ter passado 26 anos na cadeia por ter matado 15 pessoas.

Maria conheceu o companheiro há cinco anos, em uma confraternização ocorrida durante um saidão(expressão usada para saídas temporárias que ocorrem geralmente em datas comemorativas ). Na época a mulher trabalhava como faxineira em um bar e os filhos moravam com ela. “Esse homem foi melhor do que ganhar na Mega-Sena. Ele me dá tudo o que eu preciso, é só o ouro. Tem muita paixão, muito amor entre a gente. Eu o conheci e me apaixonei assim”, disse. “Eu não gosto que critiquem minha decisão. Meus filhos já não são mais pequenos e hoje moram com a irmã mais velha. É um problema só meu.”

O ponto de ônibus onde os dois moram fica perto do Complexo Penitenciário da Papuda, eles estão ali há cerca de um mês. João está em liberdade desde o ano passado e para não incomodar a família preferiu morar na rua. Eles improvisaram uma barraca e sobrevivem com a ajuda de doações de quem passa por ali – inclusive de agentes da cadeia. A Secretaria de Segurança Pública informou que João cumpriu pena por oito roubos qualificados.

O Homem é natural da Paraíba, diz ser filho de um policial civil aposentado e afirma que praticou o primeiro crime quando ainda era menor de idade, depois de ouvir que a filha do vizinho havia sido estuprada. Ele garante que matou 15 homens – e em todas as ocasiões usando um facão – com a intenção de fazer justiça e que nunca se aproveitou do crime para levar vantagem pessoal.

João diz que aproveitou o tempo na cadeia para concluir o ensino fundamental, fazer cursos de pintura, serralheria, jardinagem e panificação. Ele diz que se tornou evangélico e afirma que chegou a pregar para os colegas de sela. “Quando a pessoa não conhece as coisas de Deus fica cega. Eu achava que estava fazendo justiça, mas estava fazendo mal a mim mesmo. Eu nunca usei drogas. Vez ou outra tomo cachaça, mas é só. Eu acho que as pessoas só não mudam quando não querem. Eu aprendi e quero recomeçar”, afirma.

Ele garante que aprendeu com tudo o que passou e que não pretende voltar à prisão. “Quero fazer o máximo para evitar cometer crime de novo, mas Deus o livre se uma pessoa fizer mal a ela [Maria]. Não tenho mais intenção de matar, vou me controlar, é claro. Melhor é fica solto, em liberdade. A cadeia é muito ruim. Você vê gente morrendo, comida péssima, é desrespeitado, te ignoram quando você está doente. Eu me sentia mal quando meus filhos iam me visitar. A pessoa esta lá para se recuperar, mas como fazer isso sendo maltratada? Você se revolta mais”, declarou.

O ex-presidiário afirma que está procurando emprego e que tem feito bicos para se manter – catando material reciclado ou vendendo bugigangas dentro do ônibus. Ele conta que não aceitou a ajuda dos pais e dos familiares por que ” isto faz parte desta aprendizagem”. De acordo com João, a família pensa que ele está viajando e nem imagina que ele dorme na rua. Até com os filhos o contato ficou restrito. “Se nada der certo, vou com minha mulher para a Paraíba, até a pé. Mas dos outros não dependo”, concluiu.

*Com informações do portal G1-DF

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