Mudanças no Enem podem dar lugar de protagonismo aos alunos, acredita professor

MEC anunciou alterações no método de aplicação da prova, como a implementação de questões discursivas que devem valer a partir de 2024

O Ministério da Educação, anunciou que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passará por mudanças na formulação de suas questões, com a implementação de perguntas dissertativas e de respostas abertas. Previsto para sofrer essas alterações somente em 2024, a reestruturação da prova visa se adequar ao Novo Ensino Médio.

A prova, que é a principal forma de acesso ao ensino superior no Brasil, também passará por mudanças em suas etapas. Como de costume, o exame é dividido em duas fases, em diferentes dias. Com a reestruturação, a 1ª etapa será focada na base nacional comum curricular, com ênfase em português e matemática.

Já a 2ª etapa, os alunos poderão escolher as áreas que querem fazer a prova, como consta no Novo Ensino Médio. Nesta fase, os vestibulandos poderão escolher um dos 4 blocos de questões para responder, como ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e sociais aplicadas; linguagens e suas tecnologias e ciências humanas e sociais aplicadas; matemática e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias; ou matemática e suas tecnologias e ciências humanas e sociais aplicadas.

O professor de produção textual, Raphael Alves Souza, acredita que a mudança é muito válida e poderá dar lugar de protagonismo aos alunos. “Os alunos serão avaliados mais intensamente dentro das áreas que eles pretendem seguir”, afirma. Souza acredita que a reestruturação da prova é justamente o reflexo do que o Novo Ensino Médio e o Enem querem para os estudantes, ou seja, “fazerem os alunos pensarem no que eles querem para a vida acadêmica”.

Contudo, o professor também acredita que os alunos ainda não possuem maturidade o suficiente para decidirem quais áreas desejam seguir e, consequentemente, qual rodada de blocos vão querer fazer. “Eles ainda não entenderam como funcionará esse esquema do Enem. Eles acreditam, por exemplo, que o bloco do segundo dia serão questões cobrando conteúdo, e pelo o que se sabe até então não é esse o foco. Está previsto para serem questões com teor mais interpretativo, de análise e compreensão textual. Então falta uma certa maturidade e compreensão melhor por partes desses alunos”.

A aluna de cursinho, Ana Gabriela Henrique Costa, de 19 anos, também acredita que a mudança é positiva, por possibilitar ao aluno escolher fazer a prova na área que ele tem mais facilidade. “Eu tenho muita dificuldade em áreas como redação e linguagens e isso cai muito minha nota. Então eu acho que o fato de nós podermos escolher fazer a prova na área que temos mais conhecimento, vai ajudar a nos dar uma pontuação maior”. Porém, ela também acredita que os alunos não estão prontos para essa mudança. “A gente mal tá sabendo marcar, quem dirá fazer prova discursiva”, afirmou. Mas a vestibulanda acredita que com o tempo e as mudanças no Ensino Médio, os alunos vão se sentir mais preparados, e respira aliviada: “Como é só em 2024 eu espero que eu passe até lá”.

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