MP aponta que miliciano recebia parte de rachadinha do gabinete de Flávio Bolsonaro

Documento enviado à Justiça detalha conversas mantidas entre Fabrício Queiroz e a ex-mulher de Adriano Nóbrega, ex-PM acusado de participar do esquema 

Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-oficial da PM acusado de ser um dos maiores matadores de aluguel do Rio | Foto: Reprodução

Em documento encaminhado à Justiça do Rio de Janeiro, o Ministério Público fluminense detalha o suposto esquema de “rachadinha” executado no gabinete do agora senador Flávio Bolsonaro (sem partido). Segundo o MP, o ex-policial militar Adriano Magalhães de Nóbrega, acusado de atuar no esquema de milícias, ficava com parte dos valores arrecadados a partir devolução de parte dos salários dos assessores de Flávio, que na época era deputado estadual no Rio.

As investigações chegaram a esse entendimento após ter acesso a conversas de WhatsApp da ex-mulher de Adriano Magalhães, Danielle Mendonça da Costa. Nas conversas mantidas entre Danielle, o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, e o miliciano Adriano, que é apontado como um dos maiores matadores de aluguel do Estado, Adriano teria tratado sobre a manutenção de cargos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), além de admitir ser beneficiado com parte dos recursos desviados.

Em detalhamento apresentado pelo MP, junto ao salário de outra assessora, Danielle somou ao todo remuneração de mais de R$ 1 milhão. Desse valor, pelo menos R$ 200 mil teriam sido repassados direta ou indiretamente para a conta de Queiroz. Além disso, outros R$ 202 mil foram sacados por elas em espécie, o que também sinaliza ao MP possibilidade de entrega em mãos para o ex-assessor.

Entre os trechos de conversas divulgados, o miliciano pede informações a Danielle sobre a exoneração dela do gabinete, em novembro de 2018. Na continuação da conversas entre eles, a dupla fala sobre dificuldades financeiras e Adriano afirma: “Contava com o que vinha do seu também”, o que para o MP indica que ele recebia parte dos valores das rachadinhas.

Em outros diálogos mantidos entre Danielle e Queiroz, há novos indícios do esquema. Após a exoneração de Danielle, Queiroz chegou a pedir: “cuidado com o que vai falar no celular”.

O documento enviado à Justiça pede autorização para mandados de busca e apreensão.

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