Morre aos 89 anos Galt MacDermot, compositor de “Hair”

Músico faleceu em sua casa em Nova York, na última segunda-feira (17). Causa não foi revelada

Cena de Hair, na adaptação para o cinema de Milos Forman. Foto: Divulgação

Famoso pelas canções de um mais importantes musicais de todos os tempos, “Hair”, o compositor Galt MacDermot morreu na última segunda-feira (17), em sua residência em Nova York, aos 89 anos. A causa da morte não foi revelada. MacDermot formou-se como bacharel em música pela Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, especializando-se em música africana, após concluir seu estudos no Canadá.

Ganhou seu primeiro Grammy com a gravação de sua música “African Waltz” feita pelo saxofonista norte-americano de jazz Cannonball Adderley, em 1960. Mudou-se para Nova York em 1964 e três anos depois compôs as músicas de Hair, em parceria com os autores James Rado e Gerome Ragni, adaptando também as próprias músicas para o filme baseado na peça, feito em 1979 por Milos Forman. A gravação do musical com o elenco original ganhou o Prêmio Grammy de 1969.

O espetáculo “Hair” demorou a chegar aos palcos, por causa dos temas polêmicos (amor livre, protesto contra a guerra do Vietnã, uso de drogas e nudez dos atores no musical), e só foi montada graças ao veterano Joseph Papp, que produzia o New York Shakespere Festival todos os anos no Central Park.

Hair estreou no Public Theatre, em Nova York, em 1967, depois passou pelo Cheetah, casa noturna já extinta, e foi consagrado ao ser transferido para o Biltmore Theatre, na Broadway, em 1968, tendo quatro remontagens em Nova York desde então. No elenco original estava Diane Keaton, que depois seria esposa e musa dos filmes da primeira fase da carreira de Woody Allen, e Hiram Keller, ator em Satyricon, de Fellini. O grande sucesso veio com a adaptação para o cinema pelo diretor tcheco Milos Forman, com Treat Williams (mais tarde, John Savage) e Beverly D’Angelo nos papéis principais.

O compositor Galt MacDermot
Galtmacdermot.com / Divulgação

O compositor Galt MacDermot. Galtmacdermot.com / Divulgação

Várias canções da produção provocaram escândalo, especialmente Hashish, por fazer apologia à droga, e Sodomy, em que Rado e Ragni enumeram dezenas de posições sexuais e fazem a defesa das relações homossexuais. Nada que tivesse remotamente a ver com a vida pacata de McDermot, que era um pai rigoroso e disciplinado. Ganhador de um Tony por Two Gentlemen of Verona, MacDermot foi tamhém autor de trilhas para o cinema, como a de Cotton Comes do Harlem (Rififi no Harlem, 1970).

Ao contrário de Rado e Ragni, que usavam cabelos compridos e fumavam maconha, o canadense MacDermot era o “careta” da turma, sempre de terno e cabelos curtos. Nunca tinha visto um hippie antes do convite de Rado e Ragni para escrever a música de Hair, tarefa que a dupla encomendou primeiro ao pianista de jazz Herbie Hancock – ele tomou liberdade demais com a partitura, cortando algumas canções, e os letristas desistiram.

No Brasil, a primeira montagem estreou em 1969, no Teatro Aquarius, em São Paulo, logo após o estouro da peça no Biltmore. Além da resistência dos mais conservadores ao tema, “Hair precisou driblar no Brasil também a censura da ditadura militar. Ficou em cartaz até 1972, e teve nos papéis atores de uma jovem geração que mais tarde se tornariam astros da TV e do cinema nacionais, como Ney Latorraca, Antônio Pitanga, José Wilker, Ivone Hoffman, Fernando Reski e Rosa Maria. A grande revelação do elenco foi uma jovem atriz então com apenas 18 anos, Sônia Braga.

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