Uma das maiores hidrelétricas do país avança em um processo bilionário de modernização na divisa entre Goiás e Minas Gerais. A Usina Hidrelétrica (UHE) São Simão concluiu a renovação da terceira de suas seis unidades geradoras e, paralelamente, prepara uma expansão que aumentará a capacidade de produção de energia do complexo.

A Unidade Geradora 3 (UG3) foi modernizada em 10,3 meses, período inferior aos 12 meses estabelecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a entrega, metade das unidades existentes já passou pelo processo de renovação.

Operada pela SPIC Brasil, São Simão possui atualmente 1.710 megawatts (MW) de capacidade instalada. Segundo a companhia, a geração é suficiente para atender o equivalente a aproximadamente 6 milhões de residências.

O programa de modernização prevê investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos. A meta é renovar completamente as seis unidades até 2029, aumentando a eficiência, a confiabilidade e a segurança dos equipamentos e prolongando a vida operacional da hidrelétrica por mais três décadas.

Com a terceira etapa concluída, as equipes já se preparam para retirar temporariamente de operação a Unidade Geradora 1 (UG1), que será a quarta a passar pelas intervenções.

Peças chegam a 410 toneladas

A dimensão dos equipamentos torna cada etapa um desafio de engenharia e logística. Somente a desmontagem da UG3 consumiu aproximadamente três meses e exigiu a movimentação de estruturas com peso de até 410 toneladas.

Entre os equipamentos manuseados durante a obra está ainda um portão de vagão com 12 metros de altura.

O trabalho é executado por um consórcio liderado pela GE Vernova, com participação da Powerchina. A primeira é responsável pela engenharia, integração, instalação e comissionamento dos principais sistemas, entre eles turbinas, geradores e equipamentos auxiliares.

A Powerchina atua nos sistemas hidromecânicos e no fornecimento de componentes elétricos e mecânicos.

A intervenção vai além da substituição de peças. O projeto inclui novos transformadores, reforma das pontes rolantes e uma mudança na forma como a hidrelétrica é controlada.

A arquitetura analógica utilizada atualmente será substituída por um sistema totalmente digital, permitindo atualizar uma estrutura construída décadas atrás às novas tecnologias de operação do setor elétrico.

Obra deve prolongar operação por 30 anos

Segundo a SPIC Brasil, a experiência acumulada nas primeiras unidades tem permitido reduzir os prazos das etapas seguintes. A conclusão da UG3 em menos tempo do que o limite previsto é apontada pela empresa como resultado desse aprendizado.

“As lições aprendidas durante as modernizações das unidades geradoras anteriores nos permitiram aplicar na prática a melhoria contínua, que é uma das premissas da nossa companhia”, afirmou a CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick.

Segundo ela, parte desse conhecimento também está sendo compartilhada com outra frente de obras que ocorre no complexo: a futura sétima unidade geradora.

“Mesmo com equipes distintas dedicadas a cada um dos projetos, operamos com processos similares, compartilhamos recursos e mantemos muita colaboração para assegurar a excelência e a segurança de ambas as obras”, acrescentou.

Ao final da modernização, a expectativa é que as seis máquinas existentes possam continuar em operação por pelo menos mais 30 anos.

São Simão terá sétima unidade

Enquanto recupera os equipamentos existentes, a hidrelétrica também se prepara para aumentar sua capacidade.

A SPIC Brasil prevê construir a Unidade Geradora 7 (UG7), com capacidade de 310 MW. O empreendimento foi habilitado no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 e deverá receber aproximadamente R$ 1,4 bilhão em investimentos.

Somados os dois projetos, modernização e expansão envolvem cerca de R$ 2,6 bilhões, embora tenham cronogramas e contratos distintos.

Para a nova unidade, a companhia contratou um consórcio formado pela Dongfang Electric Corporation e pela China Gezhouba Group Corporation (CGGC).

A Dongfang será responsável pela engenharia, supervisão técnica e fornecimento da turbina Francis e do gerador. A CGGC ficará encarregada da montagem dos equipamentos.

Capacidade deve superar 2 mil MW

A previsão é que a UG7 comece a operar comercialmente em 2030. Com os 310 MW adicionais, a capacidade instalada de São Simão poderá passar dos atuais 1.710 MW para aproximadamente 2.020 MW.

A expansão tem uma particularidade: a nova geração será incorporada ao complexo já existente. A estratégia permite aproveitar estruturas da hidrelétrica e ampliar a oferta de energia renovável sem a necessidade de construir uma usina completamente nova.

A nova unidade deverá acrescentar potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN), enquanto a modernização das máquinas atuais busca garantir que a estrutura já existente continue operando de maneira eficiente e segura nas próximas décadas.

As duas obras seguem separadamente, mas compartilham recursos, processos e experiências técnicas. A modernização das seis unidades deve terminar em 2029, enquanto a nova máquina está prevista para entrar em funcionamento no ano seguinte.

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