Misteriosa doença respiratória ligada ao cigarro eletrônico se torna epidemia nos EUA

Jovens saudáveis, na faixa etária de 18 anos, têm se internado nas emergências de hospitais com falta aguda de ar, vômito e febre; sintomas intrigam os médicos

Raio-x de um pulmão de um jovem de 18 anos mostra os danos causados pelo cigarro eletrônico | Foto: Intermountain Healthcare

Hospitais dos Estados Unidos registraram, até o momento, 215 casos de doenças respiratórias misteriosas e com risco de morte ligadas ao uso contínuo de cigarros eletrônicos, principalmente em jovens na faixa etária de 18 a 20 anos.

A pneumologista-chefe em pediatria do NYU Winthrop Hospital em Mineola, Nova York, Melodi Pirzada, falou ao jornal americano The New York Times que “algo está muito errado” e os números de atendimentos nas emergências cresce assustadoramente. “Está se tornando uma epidemia”, avalia a médica, que atendeu na semana passada um jovem de 18 anos com sintomas confusos, mas relacionados ao cigarro eletrônico.

Os principais sintomas são vômitos, febre, fadiga, falta de ar severa, normalmente após dias seguidos de episódios de vômitos. Parte dos pacientes chegaram a ficar internados na unidade de terapia intensiva (UTI) e usaram aparelhos de respiração mecânica.

Pesquisadores americanos vão tentar descobrir se os episódios estão relacionados a uma substância que se infiltrou no fornecimento de produtos para cigarro eletrônico, se algumas pessoas reutilizaram cartuchos contaminados ou se os sintomas decorrem de um comportamento mais amplo, como o uso intenso de cigarros eletrônicos, de maconha por meio do aparelho ou a combinação dos dois fatores.

Mudanças na forma de consumir cigarros

As autoridades do daquele país acreditam que a disseminação do dispositivo “vaping”, o cigarro eletrônico, introduziu uma mudança generalizada na forma como as pessoas consomem nicotina, maconha e outros ingredientes, agora inalados como vapor no dispositivo.

Para serem inalados, a maconha e a nicotina precisam ser dissolvidas com solventes para liberarem as substâncias. Os solventes, quando aquecidos durante o fumo, liberam substâncias que causam inflamações nos pulmões e problemas respiratórios.

“A inalação de óleo nos pulmões é um comportamento extremamente perigoso que pode resultar em morte”, disse Thomas Eissenberg ao NYT, que estuda o processo de “vaping” na Virginia Commonwealth University. “Essa é provavelmente a maior mensagem que podemos obter disso”, alerta.

Os frequentes episódios de pessoas passando mal geraram uma crise para duas indústrias emergentes – cigarros eletrônicos e cannabis legal. Os apoiadores dos dispositivos “vaping” consideram a tecnologia uma alternativa mais segura ao fumo convencional, enquanto a maconha é vendida politicamente como “maconha medicinal” e como substituta dos produtores de tabaco.

As autoridades de saúde americanas relatam que substâncias desses produtos estão causando doenças graves e mais letais do que os antigos cigarros de tabaco.

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