Míriam Leitão destaca governos de Zé Eliton e Marconi em artigo “Estados que ensinam”

“Goiás saiu do 16º lugar em 2009 para o quinto em 2011. Em 2013, ficou em primeiro, em 2015 caiu para segundo e em 2017 voltou ao primeiro”, relata a jornalista

Imagem: Reprodução

A jornalista Míriam Leitão usou como tema em seu artigo publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta terça-feira (11) o modelo de gestão adotado pelos governos de Marconi Perillo (2011-2018) e Zé Eliton (2018) que alavancou a Educação Pública Estadual do 16º sexto para o primeiro lugar no Índice de Educação Básica (Ideb) em menos de 10 anos.

Intitulado “Estados que Ensinam”, o artigo analisa os caminhos escolhidos pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura (Seduce) para “deslocar São Paulo” e liderar, por duas vezes, a qualidade do ensino-aprendizagem no Brasil.

“É preciso aprender com os Estados que avançaram no Ideb. Não se pode ignorar o tamanho no nosso atraso, mas como a desistência não é uma opção, é fundamental olhar os bons exemplos. Goiás e Espírito Santo foram os destaques do ensino médio este ano e a análise dos dois casos mostra uma mistura de melhora da gestão com maior foco nos fatores socioemocionais”, afirma Míriam.

“O Espírito Santo e Goiás se alternam em indicadores. Os capixabas tiraram a melhor nota em proficiência, e os goianos a maior taxa de aprovação. Os dois fizeram um bom trabalho”, afirma ela. “O Espírito Santo estava em 10º lugar em 2013, foi para quarto lugar em 2015 e agora chegou ao segundo. Goiás saiu do 16º lugar em 2009 para o quinto em 2011. Em 2013, ficou em primeiro, mas em 2015 caiu para segundo e em 2017 voltou ao primeiro, deslocando São Paulo”, conta.

A colunista entrevistou o ex-secretário de Educação de Goiás, o deputado federal Thiago Peixoto, que comandou a Seduce entre 2011-2014, para entender como ele, Marconi e Zé Eliton saltaram da 16ª para a 1ª posição no Ideb. “Thiago conta que a mudança começou com melhor gestão: ‘Implantamos um plano de reforma e de adoção de boas práticas. Sempre se diz que investimento em educação só se vê a longo prazo. Quis inverter essa lógica e buscar o resultado a cada dia'”, relata o ex-secretário à colunista.

Thiago prossegue afirmando que “havia 29 mil professores efetivos e 14 mil não estavam na sala de aula, tivemos que mudar isso” e que, por determinação de Marconi, Goiás criou “um sistema de bônus para o professor que não faltasse e fizesse planejamento de aula”. E observou: “Além disso, o sistema passou a ter foco no aluno”. “Thiago conta que fizeram grande investimento em modelos pedagógicos e na formação de diretores”, reporta Míriam Leitão. Confira o artigo na íntegra:

Os estados que ensinam
Por Míriam Leitão
11/09/2018

É preciso aprender com os estados que avançaram no Ideb. Não se pode ignorar o tamanho no nosso atraso, mas como a desistência não é uma opção, é fundamental olhar os bons exemplos. Goiás e Espírito Santo foram os destaques do ensino médio este ano e a análise dos dois casos mostra uma mistura de melhora da gestão com maior foco nos fatores socioemocionais. O Ceará, um sucesso nos anos iniciais e finais, deu um salto no ensino médio. Pernambuco também é exemplo.

Na rede estadual pública do ensino médio, Goiás foi para o primeiro lugar e o Espírito Santo ficou em segundo. Quando o índice é da rede pública e privada, os dois se alternam: Espírito Santo vai para o primeiro e Goiás para o segundo. Quando se pergunta às pessoas que estão ou estiveram à frente desse processo exitoso nos dois estados, eles apontam para Pernambuco como sendo uma inspiração, que desta vez ficou em terceiro lugar mas que tem ensinado como superar o estrangulamento do ensino médio. O salto do Ceará foi impressionante: saiu do 12º lugar para o quarto, o que é mais animador diante do sucesso já comprovado do estado no fundamental.

O caminho é olhar os bons exemplos. Como escreveu ontem o jornalista especializado em educação Antonio Gois, “o pessimismo exagerado é tão paralisante quanto o otimismo descolado da realidade”. Penso assim também. Há notícias boas, no meio do grande quadro de estagnação nacional no ensino médio.

O Espírito Santo e Goiás se alternam em outros indicadores. Os capixabas tiraram a melhor nota em proficiência, e os goianos a maior taxa de aprovação. Os dois fizeram um bom trabalho. O secretário de educação do Espírito Santo, Haroldo Correa Rocha, contou que o primeiro passo foi estudar o exemplo de Pernambuco, inspirado no empresário Marcos Magalhães, do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação:

— Não tinha certeza na época de que era possível replicar o modelo, mas trouxemos a metologia e aplicamos na Escola Viva, que tem horário integral, oferece um conjunto de outras matérias eletivas e investe no desenvolvimento socioemocional.

Essas escolas são apenas 10% do total do ensino médio público capixaba, mas outra tecnologia, do Instituto Unibanco, foi implantada nas que têm cinco horas de aula:

— O importante é fazer o trabalho de apoio emocional, todo mundo está fragilizado. A escola precisa ser acolhedora e impulsionar o aluno. As escolas com cinco horas têm planos de ação e sistema de acompanhamento dos alunos. E, além disso, a gestão é fundamental. Não foi com mais dinheiro, foi com melhor gestão que avançamos. Aqui a recessão foi mais forte do que em outros estados, e nós melhoramos.

O Espírito Santo estava em 10º lugar em 2013, foi para quarto lugar em 2015 e agora chegou ao segundo. Goiás saiu do 16º lugar em 2009 para o quinto em 2011. Em 2013, ficou em primeiro, mas em 2015 caiu para segundo e em 2017 voltou ao primeiro, deslocando São Paulo.

O deputado Thiago Peixoto, que foi secretário de Educação de Goiás de 2011 a 2013, e depois ocupou a Secretaria de Planejamento, conta que a mudança começou com melhor gestão:

— Implantamos um plano de reforma e de adoção de boas práticas. Sempre se diz que investimento em educação só se vê a longo prazo. Quis inverter essa lógica e buscar o resultado a cada dia. Havia 29 mil professores efetivos e 14 mil não estavam na sala de aula, tivemos que mudar isso. Criamos um sistema de bônus para o professor que não faltasse e fizesse planejamento de aula. Além disso, o sistema passou a ter foco no aluno.

Thiago também se inspirou no empresário do terceiro setor Marcos Magalhães e foi ao Ginásio Pernambucano, experiência pioneira, para ver como replicar o modelo. Conta que fizeram grande investimento em modelos pedagógicos e na formação de diretores.

O Ceará tem uma história muito bem sucedida nos anos iniciais e finais do fundamental, mas não avançava no ensino médio. Perguntei sobre isso a Ciro Gomes na sabatina da Globonews e ele disse que o Ideb traria uma boa notícia. E trouxe. O estado saiu do 12º lugar para o quarto lugar. No ensino fundamental, anos iniciais e finais, Ceará tem excelente desempenho. O Brasil tem tido bons casos em educação. Eles acontecem em cidades como Sobral ou Brejo Santo, que eu visitei, ou em escolas como o Ginásio Pernambucano, que também visitei no ano passado. Há tecnologia sendo desenvolvida. É preciso replicar os bons exemplos.

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