Ministro da Fazenda chama Milei de “palhaço” e afirma que a economia brasileira está melhor do que a da Argentina
27 julho 2026 às 17h01

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 27, que a economia brasileira apresenta indicadores mais favoráveis do que a da Argentina e criticou duramente o presidente argentino, Javier Milei, a quem chamou de “palhaço”. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.
Ao comparar os dois países, Durigan argumentou que o Brasil possui risco-país inferior ao argentino, além de registrar níveis menores de inflação, desemprego em patamar historicamente baixo, superávits na balança comercial, safra agrícola robusta e redução do desmatamento.
“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil e falou do Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta e a inflação também é muito mais alta”, afirmou o ministro.
Após a repercussão da fala, Durigan concedeu entrevista à GloboNews e esclareceu que a declaração foi feita por iniciativa própria, sem representar uma posição oficial do governo federal. Segundo ele, decidiu responder porque as críticas de Milei foram direcionadas à condução da política econômica brasileira.
“Não faz sentido um presidente de outro país vir ao Brasil, sem qualquer comunicação oficial, atacar autoridades, criticar a política econômica e ainda fazer provocações. Achei necessário responder”, disse.
Comparação dos indicadores
Dados de mercado mostram que o risco-país da Argentina gira em torno de 430 pontos, enquanto o do Brasil permanece próximo de 130 pontos. O indicador mede a percepção dos investidores sobre a capacidade de um país honrar seus compromissos financeiros e manter estabilidade econômica. Quanto menor o índice, maior costuma ser a confiança do mercado e menores tendem a ser os custos de financiamento.
Em relação ao endividamento público, entretanto, os números do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam um cenário diferente. A dívida da Argentina encerrou 2025 equivalente a 80,3% do Produto Interno Bruto (PIB), após recuar nos últimos anos em razão do ajuste fiscal promovido pelo governo Milei. No Brasil, a dívida alcançou 93,3% do PIB no mesmo período, mantendo trajetória de crescimento.
Na inflação, a Argentina registrou índice de 31,5% em 2025, o menor desde 2017, enquanto sua economia cresceu 4,4%. Já o Brasil fechou o ano passado com inflação de 4,26% e expansão econômica de 2,3%, em um contexto de juros elevados.
Visita de Milei ao Brasil
Javier Milei esteve no Brasil no último fim de semana para participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante discurso realizado em São Paulo, o presidente argentino fez críticas ao governo brasileiro, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca”, e voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem se referiu como “presidiário”.
Desde que assumiu a Presidência da Argentina, no fim de 2023, Milei implementou um amplo programa de ajuste fiscal voltado à redução dos gastos públicos. As medidas contribuíram para diminuir a inflação, reduzir o déficit das contas públicas e impulsionar a recuperação da atividade econômica.
Juros e economia brasileira
Na entrevista, Durigan também rebateu previsões pessimistas para a economia brasileira e afirmou que não há sinais de recessão.
“Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar um apocalipse. É claro que juros altos afetam agricultores, empresas e famílias. Também incomodam o governo, que paga mais para financiar a dívida pública”, declarou.
Segundo o ministro, uma redução consistente da taxa de juros depende do controle dos gastos obrigatórios, da preservação – e eventual fortalecimento – do arcabouço fiscal e da modernização da máquina pública.
Durigan acrescentou que a economia brasileira deve desacelerar nos próximos anos em razão da política monetária restritiva, mas descartou a possibilidade de recessão em 2027.
“A taxa de juros elevada tem justamente o papel de desacelerar a economia. Nossa projeção é de crescimento de cerca de 2%, enquanto algumas estimativas falam em 1%. Isso representa desaceleração, não recessão”, concluiu.
Avaliação do Banco Mundial
Em relatório divulgado neste ano, o Banco Mundial apontou que a economia argentina vem apresentando sinais de recuperação impulsionados pelas reformas econômicas e pelo ajuste fiscal implementados pelo governo Milei.
A instituição projeta crescimento de 3,6% para a Argentina neste ano, após expansão de 4,4% em 2025. Para o Brasil, a estimativa é de alta de 2,2% do PIB, em um cenário marcado por juros elevados, restrições fiscais e menor dinamismo econômico.
O organismo destaca que medidas como o corte de gastos públicos, a reforma tributária, incentivos a grandes investimentos e mudanças no ambiente regulatório ajudaram a reduzir o risco soberano argentino e melhorar as expectativas econômicas. Apesar disso, alerta que o país ainda enfrenta desafios relacionados ao financiamento externo e ao baixo nível de reservas internacionais.
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