Ministro critica altos gastos com Ciência Sem Fronteiras e anuncia “reavaliação radical”

Mendonça Filho (DEM) diz que programa de bolsas para alunos do ensino superior estudarem no exterior “tira dos pobres para dar aos ricos”

O presidente interino Michel Temer e o ministro da Educação, Mendonça Filho durante ato de assinatura do edital expansão do Fundo de Financiamento Estudantil | Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

O presidente interino Michel Temer e o ministro da Educação, Mendonça Filho, durante ato no mês passado | Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

O ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), é o entrevistado da edição desta semana da revista Veja. Nas páginas amarelas, o deputado federal licenciado critica programas de governo criados pelos governos do PT e anuncia mudanças radicais no Enem, Ciência Sem Fronteiras e Pronatec.

“O que se viu nos últimos anos foi um verdadeiro espetáculo de desperdício de dinheiro público”, definiu ele.

A primeira grande medida de sua gestão na pasta, que tem o terceiro maior orçamento da Esplanada, será modificar o modelo de ensino médio. “O atual sistema se apoia em uma ideia falaciosa, a de que ensinando uma única cartilha a todo mundo garante-se a igualdade de oportunidades”, argumentou.

Segundo o democrata — que reconhece falta de domínio na área –,  a meta é tornar o ensino médio flexível, de forma que se exigirá uma base única até certo ponto e, depois, cada estudante montaria sua grade de matérias de acordo com suas aptidões, sendo que alguns poderão optar pelo ensino técnico.

Sobre o ensino técnico, o ministro diz que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) — que já atendeu quase 10 milhões de brasileiros entre 2010 e 2015 — não foi “efetivo” em colocar no mercado os atendidos. “Vou ajustá-lo de modo que dê mais retorno às pessoas e à economia”, disse à Veja.

Para aplicar as mudanças prometidas no ensino médio, o MEC deverá, também, mudar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mendonça Filho explicou que a prova será readequada de forma que, inicialmente, haverá a primeira com língua portuguesa, matemática e inglês. A segunda testaria conhecimento de ciências humanas, exatas ou biomédicas, a depender do curso escolhido pelo aluno.

Com isso, a discussão acerca da Base Nacional Comum Curricular não mais abarcará o ensino médio. “Não faria sentido definir o que o estudante deve aprender em cada matéria do nível médio se o objetivo é justamente trocar o modelo existente”, completou.

Mas as críticas mais contundentes (e preocupantes) do ministro do governo interino foi com relação ao programa Ciências Sem Fronteiras. Apesar de garantir que manterá as bolsas de pós-graduação, “Mendoncinha” afirma que nenhum País investe tanto nesse tipo de projeto — que, para ele, atende majoritariamente à classe média. “Defino-o como um Robin Hood às avessas — tira dos mais pobres para dar aos mais ricos”, afirmou.

A explicação para a controversa fala foi a comparação ao orçamento do Ciências Sem Fronteiras. De acordo com ele, o valor gasto para manter os 35 mil estudantes no exterior é o mesmo que o da merenda escolar — que atende a 40 milhões de crianças: R$ 3,7 bilhões. Na entrevista, o democrata assegurou que irá honrar com “a dívida gigantesca herdada da gestão anterior”.

“Apesar de todo o discurso, o PT acabou por privilegiar quem tem mais dinheiro”, alfinetou. O próprio entrevistador de Veja questionou o democrata: “Parece um típico discurso de oposição”.

“Escola sem partido”

Em alguns pontos da entrevista, o ministro Mendonça Filho criticou posicionamentos “ideológicos” dentro da administração. Ele comemorou a demissão de vários integrantes do Conselho Nacional de Educação (CNE), responsável pela construção do currículo nacional que está sendo desenvolvido pelo MEC.

“O mais importante foi tirar o peso ideológico da configuração deixada pela gestão anterior. Havia uma unidade de pensamento afinada com o petismo e a lógica sindical. Agora, o perfil do conselho ficou mais técnico e representativo”, argumentou.

Em outro ponto, ele ataca até o próprio currículo, o Plano Nacional de Educação (PNE) e os conteúdos de História definidos: “A primeira versão tinha um viés ideológico absolutamente distorcido […] Representava as convicções daqueles que a escreveram.”

Segundo o democrata — que trabalhou pelo impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT) –, o objetivo da nova gestão é “não deixar que a escola se torne domínio de determinada doutrina, mas que seja aberta e plural nas ideias.”

Uma resposta para “Ministro critica altos gastos com Ciência Sem Fronteiras e anuncia “reavaliação radical””

  1. Avatar Sidney London disse:

    Até que enfim está iniciando um mudança na desgraça que o PT fez ao ensino.

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