Mesmo com juros altos, busca por crédito cresce 11,7% em Goiás e supera média nacional
01 outubro 2026 às 16h12

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A busca das empresas de Goiás por crédito cresceu 11,7% no acumulado de 12 meses até agosto de 2026, acima da média brasileira de 11,2%. Os dados são do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, divulgado nesta quinta-feira, 1º.
O resultado goiano supera o nacional em 0,5 ponto percentual, mas representa o menor crescimento entre as unidades da Federação do Centro-Oeste. Na região, Mato Grosso do Sul teve alta de 25,5%, seguido pelo Distrito Federal, com 14,5%, e por Mato Grosso, com 14,1%.
O avanço ocorre em um cenário no qual as empresas procuram recursos para financiar suas atividades e equilibrar o fluxo de caixa. O indicador mede a intenção de obter crédito, a partir de consultas realizadas durante avaliações de CNPJs, e não o volume de empréstimos aprovados ou contratados.
Todas as unidades da Federação registram alta
A expansão da demanda não ficou restrita a Goiás ou ao Centro-Oeste. Todas as unidades da Federação apresentaram crescimento no acumulado de 12 meses até agosto.
Mato Grosso do Sul registrou a maior variação do país, de 25,5%. Na sequência, aparecem Roraima, com 21,4%, e Paraíba, com 19,6%. Distrito Federal e Mato Grosso tiveram altas de 14,5% e 14,1%, respectivamente.
Na outra ponta, os menores avanços foram observados no Rio de Janeiro, com 3,4%; no Espírito Santo, com 6,7%; e em Santa Catarina, com 7,6%.
No Centro-Oeste, o levantamento apresentou os seguintes resultados:
- Mato Grosso do Sul: 25,5%;
- Distrito Federal: 14,5%;
- Mato Grosso: 14,1%;
- Goiás: 11,7%.
Pressão sobre o caixa estimula procura
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a necessidade de administrar o caixa ajuda a explicar o aumento da demanda, mesmo diante do custo elevado dos financiamentos.
“A procura por crédito continua sendo impulsionada pela necessidade de gestão de caixa das empresas. Em um ambiente de juros elevados, desaceleração da atividade e inadimplência recorde, muitas companhias, sobretudo as pequenas e médias, têm recorrido a financiamento para administrar o descasamento entre o ciclo de recebimentos e as despesas operacionais, pressionando a demanda por recursos de curto prazo”, explica.
Isso ocorre quando os compromissos financeiros vencem antes da entrada das receitas. Nessa situação, as empresas buscam recursos para manter a operação enquanto aguardam os recebimentos.
Segundo Camila, a concessão de crédito, que vinha desacelerando diante da piora dos indicadores de risco e do elevado custo financeiro, passou a encontrar algum suporte nas operações de capital de giro de curto prazo amparadas por fundos garantidores.
Esses mecanismos reduzem parte do risco das instituições financeiras e ajudam a preservar o acesso aos recursos, embora o ambiente permaneça desafiador para empresas e credores.
Micro e pequenas empresas puxam demanda nacional
No Brasil, as micro e pequenas empresas apresentaram o maior crescimento da procura por crédito no acumulado de 12 meses, com alta de 11,4%. Entre as grandes empresas, o avanço foi de 8,1%, enquanto as médias registraram 4,9%.
Os percentuais por porte se referem ao resultado nacional. O material divulgado não apresenta esse detalhamento específico para Goiás.
Na análise por atividade econômica, todos os setores registraram expansão. Serviços teve a maior alta, de 17%, seguido pela agropecuária, com 16,2%. A indústria avançou 8,4%, e o comércio, 6,8%.
“O crescimento mais intenso em Serviços e Agropecuária ocorre em segmentos com dinâmicas bastante distintas, o que reforça o caráter disseminado da procura por crédito”, avalia Camila.
A economista ressalta que o acesso aos recursos continua relevante tanto para financiar a atividade quanto para administrar necessidades de caixa ao longo do ciclo operacional. Entretanto, esse movimento ocorre em meio a juros elevados e sinais de desaceleração da economia.
Comparação entre agosto de 2026 e de 2025 mostra alta de 5,3%
Ao considerar apenas agosto de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior, a demanda das empresas brasileiras por crédito cresceu 5,3%.
Nesse recorte, as micro e pequenas empresas tiveram alta de 5,7%, seguidas pelas grandes, com 2,2%. As médias empresas, por outro lado, apresentaram retração de 7,5%.
A queda entre as médias na comparação entre os meses contrasta com o crescimento de 4,9% no acumulado de 12 meses. Os resultados correspondem a períodos diferentes e mostram que a trajetória mais recente pode divergir do desempenho observado em uma janela mais longa.
Entre os setores, a agropecuária registrou o maior avanço na comparação entre agosto de 2026 e agosto de 2025, de 13,8%. Serviços cresceu 11,3%, comércio avançou 1,3%, e indústria teve alta de 0,3%.
Recortes mostram ritmos diferentes de crescimento
Segundo Camila, a análise conjunta dos períodos permite compreender melhor o comportamento da demanda. Enquanto o acumulado de 12 meses captura uma trajetória mais longa, a comparação entre meses equivalentes é mais sensível ao movimento recente e às bases de comparação.
“O avanço de 5,3% em agosto, após uma alta mais intensa em julho, indica uma acomodação na comparação interanual, mas não uma reversão da procura por crédito”, afirma.
Para a economista, as empresas continuam recorrendo a recursos financeiros, embora enfrentem uma concessão mais seletiva e um ambiente de desaceleração da atividade econômica.
Indicador acompanha consultas a CNPJs
O Indicador de Demanda das Empresas por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de CNPJs consultados mensalmente na base da Serasa Experian em processos de avaliação para concessão de crédito.
O cálculo considera consultas em transações que envolvem relações de crédito entre empresas e instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras. A quantidade de CNPJs consultados é transformada em um número índice, cuja referência é a média de 2024, igual a 100.
O levantamento apresenta recortes por unidade da Federação, setor e porte. Por medir a procura, seus resultados não demonstram, necessariamente, que o crédito solicitado foi aprovado ou efetivamente contratado.


