O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) divulgou um novo recado aos eleitores após ter a candidatura ao governo do DF barrada pela Justiça Eleitoral. Em vídeo, ele pediu que os eleitores não votem em seu nome, mesmo que ele ainda apareça na urna eletrônica. “Se você votar em mim, seu voto será anulado e transferido. Tirando o atual governo, temos outras quatro boas opções”, afirmou Arruda.

Segundo o ex-governador, a escolha de seu nome não produzirá efeito na eleição. “O voto em mim seria anulado e muitas vezes vai favorecer quem você não deseja”, disse.

Arruda também afirmou que recebeu mensagens de eleitores revoltados com a decisão e que algumas pessoas diziam que votariam nele mesmo assim. Ele pediu que os apoiadores não adotem essa estratégia e escolham outro candidato.

“Então, por favor, o voto em mim será anulado, não faça isso, mesmo com a sua revolta”, declarou.

Por que Arruda não pode ser votado?

A candidatura de José Roberto Arruda foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e, posteriormente, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 24 de setembro, o TSE confirmou, por 5 votos a 2, a decisão que barrou o registro de Arruda. A Corte entendeu que ele permanece inelegível em razão de condenações por atos dolosos de improbidade administrativa relacionados à Operação Caixa de Pandora.

O caso envolveu condenações colegiadas do ex-governador no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Segundo o TSE, Arruda acumula sete condenações colegiadas por atos de improbidade, com reconhecimento de dano ao erário e enriquecimento ilícito.

A defesa argumentou que mudanças feitas na Lei da Ficha Limpa em 2025 poderiam alterar a contagem do período de inelegibilidade, considerando que os processos seriam conexos. O entendimento não foi acolhido pela maioria do TSE.

O relator do processo, ministro Dias Toffoli, afirmou que, mesmo considerando a interpretação mais favorável das mudanças legislativas, permanecia uma condenação capaz, por si só, de impedir o registro da candidatura.

Com a decisão do TSE, Arruda deixou de estar na condição de candidato sub judice, teve de interromper a campanha e ficou impedido de receber recursos do fundo eleitoral e partidário.

Nome pode aparecer na urna

A situação gera uma particularidade para o eleitor: embora a Justiça Eleitoral tenha determinado a retirada do nome de Arruda das urnas, a decisão ocorreu depois do início do processo de lacração das urnas eletrônicas. A Agência Brasil informou que, naquele momento, mais de mil equipamentos já haviam passado pelo procedimento que impede alterações nos dados inseridos.

Por isso, Arruda passou a orientar diretamente seus eleitores a não digitarem seu número na urna, caso seu nome ainda esteja disponível no equipamento.

Em sua mensagem, o ex-governador também evitou indicar formalmente um candidato para substituí-lo. Ele afirmou que existem outras opções para quem deseja mudança no Distrito Federal.

“Escolha um projeto de mudança para Brasília”, afirmou.

Ao final, Arruda agradeceu as manifestações de apoio recebidas após a decisão judicial e reforçou o pedido para que seus eleitores não votem nele.

“Primeiro pedido que eu faço, gente, neste momento o voto em mim seria anulado”, declarou. “Não deixe de votar e resgatar Brasília.”