Mercado imobiliário aposta em Corumbá de Goiás e acelera desenvolvimento da Rota dos Pireneus
27 julho 2026 às 18h00

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O turismo deixou de ser apenas um atrativo para visitantes e passou a ditar os rumos do mercado imobiliário em Corumbá de Goiás. Conhecida pelas cachoeiras, pelo patrimônio histórico e pela proximidade com Pirenópolis, a cidade vive uma nova fase de desenvolvimento impulsionada pela chegada de empreendimentos voltados para segunda moradia, locação por temporada e investimentos de longo prazo.
O principal símbolo dessa transformação é o Salto Imperial, primeiro condomínio horizontal de alto padrão implantado no município. Desenvolvido pela ABL Prime em parceria com a Trinus.co, o empreendimento já comercializou aproximadamente 70% de seus 649 lotes e deve ser entregue em abril de 2027. Durante sua implantação, gerou entre 200 e 250 empregos diretos e indiretos.
Segundo o gestor comercial da ABL Prime, Robério Siquiero, o projeto nasceu ainda em 2016, quando a empresa identificou um potencial pouco explorado na região.

“O proprietário da área tinha o sonho de unir o turismo do Salto Corumbá à segunda moradia. A partir daí desenvolvemos todo o conceito do empreendimento e até ajudamos o município na construção da legislação que permitiu esse tipo de condomínio na região”, afirma.
Na época, Corumbá de Goiás ainda não possuía regras específicas para empreendimentos dessa natureza. Além da elaboração do masterplan, o processo envolveu anos de estudos técnicos, adequações urbanísticas e compensações ambientais até que o projeto fosse aprovado integralmente, em 2023. Entre as medidas ambientais esteve a aquisição de uma área em Terra Ronca destinada integralmente à preservação ambiental.
Turismo como ativo imobiliário
A escolha de Corumbá não aconteceu por acaso. A cidade reúne fatores que hoje são considerados estratégicos pelo mercado: natureza preservada, clima serrano, vinícolas, produção de queijos artesanais, proximidade de Brasília e Goiânia e um fluxo crescente de visitantes.
A apenas cerca de 90 quilômetros da capital federal, a região passou a atrair um público interessado em qualidade de vida sem abrir mão da conectividade. O perfil predominante dos compradores reflete esse cenário.
Hoje, cerca de 70% dos clientes são moradores de Brasília, enquanto outros 30% vêm de Goiânia. Muitos trabalham em home office ou atuam como nômades digitais. Há também investidores que enxergam na região uma oportunidade de obter renda por meio de locações de curta temporada.
“O comprador olha para duas coisas: qualidade de vida e geração de renda. Muitos querem construir um chalé ou uma cabana para aproveitar com a família e alugá-la quando não estiverem usando”, explica Robério Siquiero.
Segundo ele, a expansão da vitivinicultura na Rota dos Pireneus também ajudou a mudar o perfil do turismo local.
“Muita gente foi atraída pelas vinícolas, pelas queijarias e pelo clima da serra. É um ambiente completamente diferente para quem procura experiências ligadas ao vinho e ao ecoturismo.”

Valorização acompanha tendência nacional
O movimento observado em Corumbá segue uma tendência registrada em outras regiões turísticas do país.
Levantamento apresentado pela incorporadora mostra que localidades como Espírito Santo do Pinhal (SP), Vale dos Vinhedos (RS) e Chapada Diamantina (BA) passaram por forte valorização imobiliária após a consolidação do turismo de experiência e do enoturismo.
Na Rota dos Pireneus, esse processo ainda está em fase inicial. Em 2016 predominavam chácaras rurais negociadas entre R$ 80 e R$ 200 por metro quadrado. Hoje, lotes em condomínios estruturados já variam entre R$ 350 e R$ 1.200 por metro quadrado.
No Salto Imperial, a valorização já ultrapassa 70% desde o lançamento.
“Enquanto trabalhamos hoje com metro quadrado na faixa dos R$ 500, em Pirenópolis já existem empreendimentos entre R$ 1.500 e R$ 2 mil por metro quadrado. Existe uma curva de valorização muito grande pela frente”, afirma o gestor.
Para ele, Corumbá tornou-se a alternativa natural para investidores diante das limitações urbanísticas de Pirenópolis.
“Pirenópolis tem enorme potencial turístico, mas enfrenta dificuldades para aprovar novos empreendimentos. Corumbá apareceu como essa alternativa. Depois do nosso lançamento, outros incorporadores também passaram a olhar para a cidade.”

Impacto vai além da construção
Mais do que movimentar o mercado imobiliário, o empreendimento promete alterar a dinâmica econômica do município.
Quando estiver totalmente ocupado, o condomínio poderá representar a chegada de cerca de duas mil pessoas circulando regularmente por uma cidade que possui aproximadamente 20 mil habitantes.
“São 649 famílias consumindo no comércio local, contratando serviços de manutenção, frequentando restaurantes e movimentando toda a economia. Depois da obra ainda virão 649 casas para serem construídas, gerando uma nova cadeia de empregos”, destaca Robério.
Segundo ele, o movimento já desperta o interesse de empresários dos setores de gastronomia, hospedagem e lazer, que estudam novos investimentos em Corumbá.
Segunda moradia lidera demanda
A expectativa da incorporadora é que apenas entre 15% e 20% dos proprietários utilizem o condomínio como residência principal.
A maior parte dos compradores procura uma segunda moradia para fins de semana e férias ou pretende explorar imóveis voltados ao aluguel de curta duração por plataformas digitais.
“O crescimento do Airbnb fez muita gente enxergar a possibilidade de unir lazer com renda passiva. A pessoa compra para aproveitar, mas também percebe o potencial econômico da região.”
Como incentivo, os compradores recebem um passaporte que garante acesso ao Parque Salto Corumbá durante cinco anos, fortalecendo a integração entre o condomínio e um dos principais atrativos turísticos da cidade.
Expansão já está nos planos
O desempenho comercial acelerado levou a ABL Prime a preparar um segundo empreendimento ao lado do Salto Imperial.
O novo projeto ainda está em fase de aprovação, mas deverá aproveitar toda a estrutura criada para o primeiro condomínio e contará com vista direta para a Cachoeira do Salto Corumbá.
A expectativa da empresa é protocolar o projeto ainda neste ano e iniciar a comercialização após a obtenção das licenças.
Para Robério Siquiero, a tendência é que Corumbá siga um caminho semelhante ao observado em destinos turísticos consolidados do país.
“Gramado começou assim. Depois o desenvolvimento se expandiu para Canela. Acreditamos que Corumbá está iniciando esse mesmo processo. O turismo, a natureza e a qualidade de vida estão criando uma nova economia para a cidade.”



