Médico confessa responsabilidade por corrupção no Imas e Sebastião Peixoto pode ser inocentado

Além do ex-presidente do instituto, todos os outros envolvidos na denúncia podem ser considerados inocentes

Foto: Divulgação

Em interrogatório e carta, o médico Carlos Bahia assumiu toda a responsabilidade por crimes de corrupção no Instituto de Assistência a Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Imas). Com isso, o ex-presidente da instituição, Sebastião Peixoto, assim como todos os outros envolvidos, pode ser inocentado.

No texto de confissão, Bahia diz que resolveu assumir “considerando as consequências morais e jurídicas de algumas de [suas] ações, refletidas em terceiras pessoas e desvinculadas de [suas] condutas”. Além desse, ele lista uma série de outros motivos para a decisão.

“Sem que nenhum deles jamais soubesse ou pudesse imaginar, usei seus nomes como meio para prática de fraudes no contexto do Imas. Falsificando guias de consultas e exames, envolvi todos eles naquilo que hoje é, para mim, a maior vergonha e tragédia que jamais pensei que seria capaz”, escreveu.

“Deles” a que o médico se refere são sua ex-esposa Fernanda Hissae Ribeiro Yamada, os médicos Glaydson Jerônimo da Silva e Ulisse Luis Dias, a advogada Luiza Ribeiro Fernandes e Sebastião Peixoto. No texto com a confissão, ele ainda evidencia que tudo já foi relatado aos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) — do Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Relato

No depoimento ele confessa a criação da Urgembras e sua vinculação ilegal a cursos ministrados pelo Imas. Ato sobre o qual assume inteira responsabilidade. Ele conta que, por ser servidor público, não poderia vincular uma empresa sua ao órgão municipal e, portanto, convenceu a advogada Luiza Ribeiro Fernandes a ter o empreendimento transferido para o seu nome.

Após isso, conseguiu a vinculação e, então, chamou os médicos já citados para trabalhar, sem avisá-los da irregularidade. Ele também confessou o lançamento de consultas e exames sem que eles tivessem sido realizados, aproveitando-se de uma brecha no sistema. Além disso, assumiu que colocou os pedidos nos nomes dos outros médicos sem avisá-los.

Bahia e os demais foram presos em 21 de fevereiro, quando houve a deflagração da Operação Fatura Final, que investigou os crimes por ele assumidos. À época todos foram presos, mas já estão soltos. Sebastião Peixoto chegou a ser afastado do cargo que ocupava no Imas. A defesa informa que agora ele pode ser inocentado. Confira nota:

A defesa de Sebastião Peixoto sempre teve a plena convicção de que ele é inocente. A denúncia foi oferecida e recebida sem qualquer fato concreto, mínimo que seja, de que Sebastião tenha praticado ou mesmo compactuado com ato criminoso.

O Ministério Público ao oferecer a denúncia, desconsiderou elementos dos autos de investigação que inocentam Sebastião.

Insista-se, Sebastião é homem de bem! Quando se deparou com a informação de indícios de fraude no IMAS, suspendeu todos os pagamentos. Tanto que nunca foi pago nenhum centavo, não havendo que se falar em qualquer prejuízo aos cofres públicos.

A defesa espera que depois de todas as medidas que foram impostas à Sebastião indevidamente, seja feita Justiça, absolvendo-o sumariamente.

Romero Ferraz Filho e Luís Alexandre Rassi

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