Marconi diz que recursos da privatização da Celg-D serão investidos em obras

Governador ressalta que privatização vai significar bilhões de investimentos em energia em Goiás

Governador Marconi em entrevista ao apresentador Paulo Beringhs

Governador Marconi em entrevista ao apresentador Paulo Beringhs

Os recursos adquiridos pelo governo de Goiás com a venda da Celg-D serão integralmente utilizados em investimentos e na amortização de dívida externa, afirmou o governador Marconi Perillo, em entrevista ao Programa Paulo Beringhs, ressaltando que foi enviado um projeto de lei à Assembleia Legislativa de Goiás neste ano determinando o destino dos recursos. “Nenhum centavo será utilizado em outra finalidade”, afirmou.

O governador ressaltou que a determinação para que a verba tenha destino certo tem como meta não prejudicar a própria empresa a ser privatizada. Segundo Marconi, o desequilíbrio financeiro da Celg teve início com a venda da Usina de Cachoeira Dourada, quando o Estado à época assumiu todo o endividamento para a construção da quarta etapa de Cachoeira Dourada.

“Isso é que foi o começo do endividamento da Celg. A Usina de Cachoeira Dourada foi privatizada naquela época, há 19 anos, por quase 800 milhões de dólares. Nenhum centavo desse dinheiro foi colocado dentro da própria Celg, nem tampouco para fazer investimentos. Esse dinheiro foi pulverizado. E a Celg – e é aí que entra o maior problema – foi obrigada, naquela época, a assumir toda a dívida para a construção da quarta etapa de Cachoeira Dourada, que foi feita no governo Iris”, disse Marconi.

O governador destacou que desde janeiro de 2012 a Celg é administrada pelo governo Federal, por meio da Eletrobras e do Ministério de Minas e Energia. Há quatro anos, a Celg foi federalizada e 51% de suas ações ficaram com o Governo Federal. De acordo com Marconi, ela foi federaliza não apenas porque precisava de empréstimos, mas porque seu contrato de concessão venceria em abril de 2015 e a União exigiu que a Eletrobras passaria a ser dona do controle majoritário da empresa para que houvesse a prorrogação da concessão por mais 30 anos.

“Então, ou o Governo do Estado aceitaria essas condições para prorrogação da dívida ou haveria caducidade ou fim do contrato de prorrogação. E nós ficaríamos com um problema enorme, em uma situação terrível, porque a Celg voltaria gratuitamente para o Governo Federal e nós ficaríamos com as dívidas”, explicou, lembrando que quem definiu a recente venda da Celg foi o governo federal.

“Claro, nós que somos acionistas minoritários também consentimos, porque se nós ficarmos com uma parte apenas das ações da Celg, e ela for vendida para um grupo estrangeiro, eles vão fazer aporte de capital. À medida que eles vão fazendo aporte de capital e o Estado não tem condições de fazer aporte, esse percentual que é do Estado hoje só vai diminuindo”, disse Marconi.

Marconi informou que a Celg precisa, nos próximos quatro anos, de investimentos da ordem de R$ 3 bilhões e que uma das premissas para a privatização da empresa de energia é que o comprador faça, nos dois primeiros anos, pelo menos R$ 2 bilhões em investimentos na construção de novas subestações e em novas linhas de distribuição para atender a demanda reprimida do Estado.

“Nós temos hoje uma demanda reprimida de mais ou menos 600 mil consumidores no Estado. Esses investimentos vão ser feitos para que o consumidor seja atendido, para que não tenhamos esses problemas que existem hoje de uma energia que às vezes não é muito segura. Esses investimentos vão garantir segurança energética, vão garantir que a Celg chegue a todas as casas, a todas as empresas, que muitas vezes estão segurando seus investimentos por falta de energia”, disse Marconi.

O governador destacou ainda que o montante que será direcionado ao Estado de Goiás com a privatização da Celg dependerá do valor do leilão. O preço mínimo da Celg é de R$ 1,4 bilhão para cada parte, ou seja, R$ 2,8 bilhões. “Ocorre que a cada mês a Celg tem déficit de R$ 100 milhões, e eu repito: nós não somos responsáveis por esse déficit, não estamos lá administrando, mas pagamos o pato porque somos acionistas minoritários.”

De acordo com Marconi, esse déficit foi praticamente zerado em 2011, quando foi o Governo Estadual tomou empréstimo para quitar dívidas e vender os 51% das ações da Celg para a Eletrobras. “Depois foi acumulando de novo, porque a Celg não tem recursos para fazer investimentos para aumentar o número de conservadoras, de consumidores, para aumentar a eficiência energética”, justificou.

Na avaliação do governador, com a entrada da iniciativa privada na gestão da Celg, a empresa investirá e a Celg passará a ser mais rentável, além de adquirir novos consumidores. “A cada mês que a Celg fica sem ser privatizada, o déficit aumenta em R$ 100 milhões. Então, os que estão pregando o contrário não estão sabendo nada sobre o que está acontecendo em relação à Celg. Fazem um discurso político, demagógico, politiqueiro, sem nenhuma responsabilidade em relação ao que existe hoje efetivamente. Quero, mais uma vez, reafirmar: a Celg privatizada vai significar bilhões de investimentos em energia em Goiás”, arrematou.

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