Vencedor do maior prêmio dos quadrinhos do mundo, Marcello Quintanilha participa de encontro em Goiânia
05 agosto 2026 às 14h41

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Goiânia recebe no próximo dia 22 de agosto o quadrinista Marcello Quintanilha para uma tarde com bate-papo e sessão de autógrafos na Mandrake Comic Shop. O encontro terá como foco os trabalhos mais recentes do artista, incluindo o livro inédito Sistema Eldorado e o relançamento de Luzes de Niterói, além de uma conversa sobre os períodos históricos retratados nas obras e a relação entre passado e Brasil contemporâneo.
Apesar de não ser a primeira vez que ele passa passa pela capital goiana, ao Jornal Opção Quintanilha afirmou que cada retorno à cidade é marcado por uma experiência especial com o público. Ele conta que já participou de outro evento na Mandrake e guarda boas lembranças do encontro com os leitores. “Eu já estive aí algumas outras vezes. Também já fiz um evento uma vez na Mandrake, que foi muito, muito legal”, relata.
Durante o bate-papo, o público poderá conhecer um pouco mais sobre os dois trabalhos que chegam agora às livrarias brasileiras. As histórias fazem parte do mesmo universo e acompanham o mesmo personagem em diferentes momentos de sua vida. Segundo o quadrinista, as obras permitem também uma conversa sobre diferentes períodos da história do Brasil. As narrativas passam pelos anos 1950 e, no caso de Sistema Eldorado, avançam até os anos 1970, período marcado pela ditadura militar. “A gente vai falar sobre a época em que a história transcorre. A história desses livros transcorre nos anos 50 e, concretamente, o lançamento do livro inédito é uma história que alcança até os anos 70, no período da ditadura militar”, explica.
Para Quintanilha, a discussão sobre esse passado também abre espaço para pensar o país atual. A proposta, segundo ele, é que o encontro seja uma conversa aberta, em que os leitores possam participar e construir suas próprias interpretações. “Vamos falar desse período do Brasil, de uma série de coisas que dão pistas para que a gente analise a situação do Brasil tal como a gente conhece hoje em dia. Vai ser uma conversa aberta, em que todo mundo está convidado”, afirma.
Da juventude à leitura sem idade
O público que acompanha o trabalho de Quintanilha é bastante diverso. Embora seus livros não sejam voltados ao público infantil, o quadrinista conta que seus leitores vão desde jovens até adultos de diferentes idades. “A partir de um público jovem e adulto, digamos assim, até sair o limite, o limite claro. Os livros que eu publiquei não são livros para criança, não são livros infantis”, diz.
A diversidade de leitores também está relacionada a uma das questões que seguem motivando o artista depois de décadas de carreira: a possibilidade de se comunicar por meio das histórias. Mesmo diante do crescimento das mídias digitais e das mudanças nos hábitos de consumo de conteúdo, Quintanilha afirma que continua enxergando na leitura e nos quadrinhos uma forma poderosa de aproximação entre autor e público. “O que me motiva a fazer histórias é a mesma coisa que me motivava quando eu comecei a publicar, que é a comunicação com o público”, resume.
Para ele, existe algo particular no momento em que um leitor decide parar e mergulhar no universo criado por um autor. “Acho que a comunicação é algo fundamental no mundo de hoje. Sempre que a gente encontra meios para se comunicar com o maior número de gente possível, eu acho que é importante essa dinâmica da relação com o leitor”, afirma.
Quintanilha também defende que iniciativas que aproximem as pessoas dos livros são ainda mais importantes em um cenário de forte presença das plataformas digitais. Para o artista, incentivar o contato com a leitura não significa apenas estimular os quadrinhos, mas a leitura de maneira ampla. “Sempre que há a possibilidade de levar a experiência da leitura, da leitura de quadrinhos, da literatura, da leitura como um todo ao grande público, eu acho que é importante, sobretudo num momento como o de hoje, em que as pessoas têm tantos acessos a mídias digitais”, afirma.
Cada história encontra seu leitor
Com uma carreira marcada por diferentes personagens, cenários e histórias, Quintanilha também não aponta uma obra específica como sua favorita. Segundo ele, cada trabalho representa um momento particular de sua trajetória e, por isso, recebe o mesmo nível de dedicação durante o processo de criação. “Eu não tenho uma preferência por uma história. É curioso, porque eu me dedico de igual maneira a todas as histórias”, conta.
Se o autor não consegue escolher uma história preferida, o público costuma fazer isso por ele. E é justamente essa relação inesperada entre leitor e obra que o quadrinista considera uma das partes mais interessantes de seu trabalho. “A partir do momento que você publica uma história, que você publica uma obra, você não vai ter mais como dimensionar a maneira como o público vai se relacionar com aquilo”, explica.
Para ele, cada leitor pode encontrar uma identificação diferente em uma mesma obra, seja com um personagem, seja com uma situação ou com a própria narrativa.“É sempre maravilhoso ver como algumas pessoas se identificam tanto com determinadas histórias. Outras pessoas se identificam com outras histórias. É maravilhoso, é realmente maravilhoso”, afirma.
Um reencontro com Goiânia
Mais do que apresentar os novos trabalhos, Quintanilha espera que a passagem por Goiânia seja novamente marcada pelo contato próximo com os leitores. O quadrinista destaca que as experiências anteriores na capital foram positivas e diz guardar uma relação especial com o público goiano. “Eu espero levar exatamente a mesma coisa que eu sempre encontrei em Goiânia, que é um acolhimento extremamente humano, extremamente próximo. O contato com o público é maravilhoso”, afirma.
Ele conta que nunca teve uma experiência negativa durante os encontros com leitores e classifica as passagens pela capital como momentos de forte emoção. “Todas as vezes que eu tive em Goiânia foi um momento muito emocional. E para mim é sempre uma ocasião muito especial. É muito, muito forte o contato com o público”, diz.
A tarde na Mandrake, portanto, será também uma oportunidade de repetir essa aproximação. Entre conversa, autógrafos e histórias, Quintanilha espera reencontrar antigos leitores e conhecer novos públicos interessados em seu trabalho. “Em Goiânia eu tenho a felicidade de ter tido muito boas experiências. Então, o que eu espero levar é essa aproximação do público que tem sido sempre tão incrível”, conclui.
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