Major Vitor Hugo nega que Bolsonaro pretenda tirar sua função de líder do governo

Deputado federal também falou sobre Delegado Waldir, que considera uma pessoa difícil de conviver

O deputado federal e líder do presidente na Câmara Federal, deputado Vitor Hugo (PSL), entrou em contato com o Jornal Opção, a fim de esclarecer uma série de informações. Segundo o parlamentar, não existe sinal interno sobre perda do cargo de confiança de Bolsonaro (PSL) e o relacionamento com Delegado Waldir (PSL), de fato, não vai bem.

Entrevista

Jornal Opção: Recentemente a coluna Radar disse que o presidente o tiraria do cargo de líder na Câmara. O que pode dizer dessa informação?

Major Vitor Hugo: Não sei de onde eles tiraram isso. Não existe sinal externo do presidente que indique isso, pelo contrário.

JO: E como está a relação com Bolsonaro?

MVH: Algumas coisas são fatos. Em duas das últimas quatro lives nacionais eu estava presente. O presidente não leva pessoas que não tenha intenção de garantir estabilidade no cargo. Esse é um sinal externo.

Outro: fui condecorado na sexta-feira, 3, com a Ordem do Rio Branco. Eu e todo o meu destacamento, que estava na Costa do Marfim em 2004, para defender o embaixador, durante um conflito. Eu propus e o presidente condecorou. Se houve intenção [de retirar a liderança] não faria isso.

Tenho participado de diversas reuniões com o presidente, inclusive, na sexta, antes da entrega da condecoração. Não sei de nada disso [da retirada do cargo] nem por pessoas próximas a ele, que também são a mim.

JO: Sobre o cargo…

MVH: É um cargo de confiança e vou exercê-lo, enquanto o presidente achar que devo. Me sinto firme. As acomodações entre os poderes Legislativo e Executivo [Maia e Bolsonaro], refletem no meu trabalho. Quanto mais próximos forem, melhor é meu trânsito.

E pelas últimas declarações de ambos, caminha para a harmonização. Vai caminhando para que eu tenha um caminho mais aberto.

Major Vitor Hugo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Delegado Waldir

JO: Em relação ao Delegado Waldir. Ele fez algumas críticas a você.

MVH: Procurei não responder antes para não potencializar. Mas em alguma medida tem que ter um contraponto para que a fala dele não seja a única, né?

JO: Ele disse que foi responsável pela sua eleição.

MVH: Ele diz que me elegeu. Ele, na verdade, concentrou todos os recursos nele próprio [do PSL nacional]. Teve R$ 420 mil de fundo eleitoral e fundo partidário. Nenhum outro candidato homem recebeu. As mulheres receberam só o mínimo e tiveram material casado com ele.

Outro aspecto: ele usou todo o tempo de TV e Rádio para si. Para os goianos, só tinha um candidato apoiado pelo Bolsonaro, o que não era verdade. Tinha toda estrutura por ser o presidente do partido.

JO: Mas teve a votação mais expressiva.

MVH: Quando você concentra os meios e repete a votação… Então, se não tivesse feito dessa foram tinha caído [o número de votos].

A decisão de não coligar com outros partidos, só com a Democracia Cristã (DC), foi para beneficiar ele próprio, não para beneficiar os candidatos do PSL. Para não dividir horário de Rádio e TV.

Sabendo que ele tinha muito voto e recurso, a minha missão era ser segundo lugar do PSL. Fiz campanha com doações pequenas e recursos próprios.

JO: E vocês estão brigados?

MVH: O que tem distanciado a gente é que ele tem adotado posturas contrárias ao governo. Criticando o presidente, a reforma da Previdência, a reforma dos Militares. Como líder, por convicção e definição, tenho que defender. Ele como líder do partido não defende. Isso nos coloca em rota de colisão.

JO: Como está essa situação?

MVH: Existe um movimento dentro do partido para que haja uma eleição [para líder do PSL]. Se ele for eleito, ele mantém. Eu tenho me mantido distante para não acirrar mais os ânimos.

Mas o Waldir sempre se elege na base de alguém e na sequência briga com a pessoa. Brigou com o Marconi, com o Caiado e agora parece que vai brigar com o Bolsonaro. É desagregador. Difícil de conviver.

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