Mães fazem teste de DNA para descobrir se tiveram filhos trocados em maternidade de Aparecida

Primeiro exame, cujo resultado saiu no dia 24, deu resultado inconclusivo para uma das mães e confirma que a outra não é a genitora da criança que levou para casa. Bebês nasceram no dia 29 de dezembro

Duas mães que supostamente tiveram os bebês trocados no Hospital São Silvestre, em Aparecida de Goiânia, região metropolitana da Capital, vão realizar neste sábado, 29, um novo exame de DNA. O teste será cruzado para checar se houve mesmo erro na identificação dos recém-nascidos. O primeiro exame, cujo resultado saiu no dia 24, deu resultado inconclusivo para uma das mães e confirma que a outra não é a genitora da criança que levou para casa. A suspeita ocorreu depois que a recepcionista da unidade de saúde identificou possível troca das pulseiras de identificação, no dia 31 de dezembro do ano passado. Os bebês nasceram no dia 29. A Polícia Civil investiga o caso.

O acordo para realização do novo teste se deu nesta sexta-feira, 28, durante diligência envolvendo as famílias e representantes do hospital após todos comparecerem na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Na segunda-feira, 31, a delegada responsável pelo caso, Bruna Coelho, ouvirá os envolvidos, entre eles a recepcionista que teria identificado o erro, as equipes responsáveis pelo parto e pelo acompanhamento dos bebês e das mães, Juciara Maria Silva e Viviane Alcântara Dias. Ambas deram à luz a meninos no dia 29.

A suspeita é que a troca das crianças teria ocorrido no momento em que uma delas precisou ser retirada de perto da mãe para receber o “banho de luz”. Nesse intervalo, quando uma das mães deixou a sala de parto, ela teria recebido o bebê trocado, em um erro no protocolo interno do hospital que teria sido percebido apenas no momento da alta médica de uma das mães, dois dias após o parto. O hospital abriu processo administrativo para apuração dos fatos e suspendeu as pessoas supostamente envolvidas.

Juciara e Viviane já foram submetidas a um primeiro exame de DNA, mas um exame linear, comparando a amostra de sangue de cada um com os respectivos bebês que elas receberam. O resultado do exame feito por Viviane deu negativo, confirmando que ela não é a mãe da criança que está com ela. Já o de Juciara deu inconclusivo. Esse exame foi feito a pedido do próprio hospital, mas o resultado só saiu no dia 20 deste mês. O caso se tornou público na quinta-feira, 27, após a advogada da unidade de saúde registrar no boletim de ocorrências a partir do resultado apresentado pelo exame de DNA.

Agora, segundo a delegada, foram solicitados dois tipos de exame para esclarecer o caso. Será feito mais um exame de DNA linear, comparando as amostras de sangue das duas mães com os bebês que elas receberam e, em seguida, um exame de DNA cruzado. Nesse caso, é feita a coleta de amostra de uma mãe e a compara com o bebê que está com a outra mãe. Enquanto o linear será capaz de atestar que elas não são as mães dos bebês que têm em casa, o cruzado poderá confirmar que o bebê correto, de uma e outra, é o que está com a outra família.

O Hospital São Silvestre emitiu nota informando a troca das crianças, porém, enfatizou que se colocou a disposição das famílias ao que for necessário a fim de tentar encontrar o melhor caminho.

Nota na integra:

O Hospital São Silvestre informa que, de fato, houve uma quebra no protocolo do hospital no dia 29 de dezembro de 2021. A situação foi percebida quando da alta médica de uma das mães, sendo que de imediato as duas famílias foram comunicadas e foi solicitado pelo Hospital a realização de teste de DNA. As famílias se mostraram resistentes a todo momento a qualquer exame, o qual levaria quinze dias para ficar pronto (conforme determinação do laboratório responsável pelo exame).O resultado do exame foi informado às famílias na última segunda-feira (24), todavia, devido a emoção da situação vivenciada, não foi entregue qualquer documento. Mas uma das famílias já procurou o hospital e já foi disponibilizado o resultado do exame. Sendo inverídica a negativa por parte do hospital de demonstrar qualquer documento ou exame realizado.

O hospital abriu um processo administrativo ainda no dia 1º de janeiro de 2022 para apuração dos fatos, e já houve a suspensão de vários envolvidos. Foi solicitada na quarta-feira (27), a abertura de investigação na Delegacia de Proteção a Criança e do Adolescente, para que auxiliasse o hospital na condução do caso.

Nesta quinta-feira (27), foi protocolado informação dos fatos ao Ministério Público, para que preste o mesmo auxílio.

O Hospital entende a gravidade dos fatos, e se coloca, como se colocou em todos esses dias, à disposição das famílias ao que for necessário a fim de tentarem encontrar o melhor caminho.

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