Mad Mustache: estampas para quebrar tabus

Marca goiana contesta comportamentos sociais por meio de roupas que são a preferência de artistas e atletas do País. Coleção Be the Choice é o atual destaque

Marca goiana repudia intolerância nas estampas | Fotos: Divulgação

Marca goiana repudia intolerância nas estampas | Fotos: Divulgação

Mostrar o dedo médio em riste nem sempre é deselegante quando se é ofendido por uma atitude preconceituosa. Seja por questão de raça, credo ou preferência sexual. Mas nem todos têm a coragem de sequer “levantar a mão”. E talvez seja por isso que alguns preferem se expressar por meio das roupas.

Quem usou todos os dedos para bolar estampas polêmicas e criativas para combater a intolerância foi a Mad Mustache. A marca goiana voltou a ser destaque na mídia após a modelo Thaila Ayala ser fotografada com uma camiseta CKOFF, no último fim de semana do Rock in Rio. A peça é uma das principais da coleção Be The Choice, que pretende mostrar que a intolerância não tem vez.

O desenho, que representa um dedo médio, foi desenvolvido por Homar Neto. Para a coleção, trabalharam na parceria outros artistas goianos, como o grafiteiro Wes Gama, e um grupo de Nova York. “É a nossa ideologia. Simboliza a luta contra o preconceito”, conta Homar, que é também dono da marca.

Thaila Ayala usou camiseta CKOFF, no Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Roberto Teixeira/EGO

Thaila Ayala usou camiseta CKOFF, no Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Roberto Teixeira/EGO

O designer não sabe explicar como se deu a repercussão da peça, mas sugere que a modelo a usou justamente por ser provocativa. No site, o modelo está a venda por R$ 96 em três cores diferentes. A repercussão foi tão grande, que algumas publicações nacionais relataram que o desenho representava até mesmo um pênis. A modelo negou, disse que, para ela, era uma “nuvem”.

No início, a marca ficou conhecida pelas coleções Life Style e, depois, Mad Life. Bastou estrelas do esporte desfilarem por aí com peças das duas para a Mad Mustache “bombar” no País inteiro. Entre os que são habitués da marca goiana estão Minotauro e Serginho, lutadores do MMA, além do ator Caio Castro.

A Mad Mustache também patrocina atletas, como o goiano Matheus Barros, de slackline. Tem também a paraquedista profissional e skydiver Juli Vidotti — a primeira e única mulher do mundo a saltar de um avião sem paraquedas –, e a catarinense Tainá Hinckel, surfista campeã na categoria até 16 anos, em Bali, no início do ano.

“De boa”

A luta da marca goiana é pela reflexão, mas “sem forçar a barra”: até o momento em que beijos entre casais do mesmo sexo em Goiânia seja tão comum quanto homens andando de mãos dadas pelas ruas da Índia.

O designer conta que as ideias surgem a partir dos quatro anos morando em São Francisco, na Califórina, berço de culturas diferentes e famosa por pessoas fora do padrão, como os hippies e a comunidade LGBT.

A marca é goiana, mas não se limita a territórios. Por isso, viajar muito e absorver tudo que puder é essencial. “Tem a mão de muita gente. É o que é pelos colaboradores, que estão na linha de frente”, destaca Neto, citando São Paulo e Santa Catarina.

Por isso, há peças que abordam causas diferentes, como o tráfico internacional de pássaros. Na peça Bird Traffic os papeis são invertidos para fugir do padrão com outro aspecto visual. O animal deixa de ser o traficado e passar ser o traficante, inclusive com bigode e cartola. E o mais interessante? É que muitos compram e sem saber do que se trata.

E como funciona o local de trabalho da Mad Mustache? É um espaço para opinião, onde tudo é discutido e flexível. “Até mesmo para que outras ideias que virem estampas”, observa Neto.

Peça Bird Traffic aborda inversão de papeis

Peça aborda inversão de papeis sobre tráfico internacional de pássaros

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