O deputado estadual e presidente metropolitano do PT defendeu aliança com o PMDB e disse que respaldo de Dilma ao partido de Temer é evidente

Deputado estadual Luis Cesar Bueno, do  PT
Deputado estadual e presidente metropolitano do PT, Luis Cesar Bueno | Jornal Opção

Para o presidente metropolitano do PT e deputado estadual Luis Cesar Bueno, a carta do vice-presidente Michel Temer (PMDB) à presidente Dilma Rousseff (PT) pode ser uma tentativa de medir forças em um momento de discussão de um processo de impeachment avaliado por Bueno como “retaliação pontual”.

“O PT é um partido completamente compromissado com o PMDB”, defendeu o parlamentar. Segundo Bueno, o fato de o partido de Temer passar de cinco para sete ministérios “importantes” no governo federal mostra o prestígio e confiança que o PT deposita na aliança com o PMDB.

Na visão de Bueno, Dilma fez mais do que confiar no PMDB ao entregar a articulação institucional do governo a Michel Temer no início do ano. “Essa é uma aliança vitoriosa que está indo para 16 anos de poder. Dentro do processo democrático, nunca uma aliança governou tanto tempo”, afirmou.

Queda de braço

“Pode estar havendo uma articulação de fatos para medir forças no processo de impeachment, mas a sociedade não vai aceitar o golpe.” A análise de Bueno inclui a declaração de um grupo de juristas que afirmaram não haver qualquer ato “pessoal ou direto” de Dilma que caracterize crime de responsabilidade.

Para o presidente metropolitano do PT, a abertura de um processo de impeachment não passa de uma “retaliação pessoal” do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, ao se ver sem a defesa do governo federal, teria resolvido cobrar apoio para ser protegido por meio da aceitação do pedido de impedimento da presidente da República.

Desdobramento

Luis Cesar Bueno disse que a “insatisfação” de Temer demonstrada na carta enviada a Dilma representa uma “fração minoritária” do PMDB que defende o rompimento do partido com o governo federal e com o PT.

“Outras duas frações, que representam a maioria do PMDB, querem a manutenção da aliança nacional com o PT”, afirmou Bueno.

Segundo o petista, as declarações de Temer na carta têm menos importância do que o trabalho conjunto dos dois partidos referendado pelas urnas em 2002, 2006, 2010 e 2014. “A carta que continua valendo é a da aliança de 2002 que continua governando o Brasil.”

Em Goiânia

Se a coligação PT e PMDB em Goiânia continua ou terá influência do cenário nacional, Bueno se disse tranquilo quanto ao assunto: “Essa aliança segue orientação nacional aos estados e acredito que deve se manter na maioria dos estados e municípios”.